05-04-2016 JL Imprimir PDF     Print    Print

19º Festival de Jazz no Valado dos Frades em abril e maio

Aproxima-se a data de mais um Festival de Jazz de Valado que, este ano, irá realizar-se em dois fins-de-semana, nos meses de abril e maio. A 19ª edição decorrerá nos dias 7, 8 e 9 de Abril e 5, 6 e 7 de Maio de 2016, com início às 22 horas, na Sala da Biblioteca Instrução e Recreio.

A valorização dos músicos nacionais e a diversidade dentro do jazz português continuarão a ser as apostas do evento, que volta a ser apoiado pela Direção Geral das Artes e Município da Nazaré.

“A valorização dos jovens profissionais que estão a conseguir alcançar grande sucesso e reconhecimento (Ricardo Toscano e Gileno Santana), reforçar o sentido da valorização de alguns músicos já consagrados (Mano Mano; César Cardoso; Nana Sousa Dias) e ainda valorizar a história do jazz através de tributos, este ano, ao repertório de Cole Porter (Cristina Branco), assim como a formação de públicos levando o Jazz às Escolas”, são outros objetivo deste evento, esclarece a organização.

Com início a 7 de abril, o festival arranca com “Night Porter”, grupo composto por Cristina Branco, voz; João Paulo Esteves da Silva, piano. Cole Porter, um dos grandes escritores de canções americanos do século XX, é, desde há muito, um clássico, um verdadeiro monumento da cultura ocidental. E assim sendo, facilmente o seu nome se associa às coisas grandiosas, o que, sendo natural, dada a verdadeira grandiosidade da obra (cerca de mil canções, com pouquíssimas baixas de qualidade) não deixa de poder fazer esquecer uma das características essenciais deste músico/poeta. É que as canções de Cole Porter têm a capacidade rara de inventar intimidades, cenas de amor a dois, pequenas ilusões de eternidade longe de tudo o resto, longe do barulho da festa durante a festa. E é este lado lírico, de intimidade partilhável, que a nossa versão, em recital de canto e piano, vai querer sublinhar.

No segundo dia, 8 de abril, sobe ao palco “Metamorphosis”, com Gileno Santana, trompete; Sérgio Alves, teclados; Pedro Peixe, guitarra, Sérgio Marques, baixo; José Marrucho, bateria. Com “Metamorphosis”, CD de uma inteligente e saborosa fusão jazz-rock, Gileno Santana chega, finalmente, ao primeiro plano – não mais será possível desconsiderá-lo depois de um feito como este.

A abertura faz-se no limiar do silêncio, com electrónica, e quando o trompete toca, as conotações "milesianas" quase nos fariam suspeitar de que se trata de mais um discípulo do génio que esteve na origem de várias frentes históricas do jazz. Mas não: quando se chega a “I’m Not Miles” já as semelhanças com o tão copiado Davis estão totalmente dissipadas.

No último dia do primeiro fim de semana de jazz, a 9 de Abril, é a vez de se ouvir “Mano a Mano”, com Bruno Santos e André Santos, guitarra; António Quintino, contrabaixo; Luís Candeias, bateria. “Desde há algum tempo, apesar dos 10 anos que nos separam, que nos habituámos a tocar em duo. Ainda na Madeira era comum nos juntarmos a tocar, logo desde o 1º momento em que o mais novo começou a tocar guitarra, acompanhado o sénior no repertório típico de “jam session”. Uns anos mais tarde fizemos a nossa 1ª apresentação ao vivo. A partir daí outras se seguiram, em palcos como: Hot Clube, Ondajazz, Scat Funchal Music Club, Silvana (NY), Rockwood Music Hall (NY), Jazz na Cidade (Évora), entre outros.

O evento faz uma pausa para regressar a 5 de Maio, com Nanã Sousa Dias Quinteto, composto por Nanã Sousa Dias, saxofones; Óscar Graça, piano; João Rato, guitarra; Nuno Oliveira, baixo; Alexandre Alves, bateria. Nanã Sousa Dias é uma referência nacional do saxofone, desde a década de 80. Com um percurso iniciado como autodidacta, gravou discos com vários nomes maiores da música portuguesa. Como jazzman já tocou com diversas formações e com quase todos os músicos de referência nesta área, destacando-se a sua participação em várias edições do Festival de Jazz de Cascais, Estoril e Lisboa, a convite do seu histórico organizador: Luís Villas-Boas. Tem vários discos como líder e dezenas de participações em gravações como sideman.

Neste quinteto apresenta um reportório composto por temas originais, bem como alguns temas de outros compositores, dentro de uma linha Fusão/Jazzfunk, linguagem onde há vários anos se gosta de mover.

Paralelamente é um fotógrafo com grande reconhecimento, como comprovado pela revista americana “B and W Magazine”, que publicou um artigo com uma entrevista e fotografias de Nana Sousa Dias, colocando-o entre os mais importantes fotógrafos de Paisagem da atualidade.

Na sexta, 6 de maio, a sala da BIR ouve “César Cardoso Quarteto”, composto por César Cardoso, sax tenor; Bruno Santos, guitarra; Demian Cabaud, contrabaixo; André Sousa Machado, bateria. “Bottom Shelf” é o mais recente álbum de César Cardoso, saxofonista e compositor que escreveu música original para esta formação com estes músicos. Este novo álbum contém 9 temas e é a recente música composta por César Cardoso para uma formação muito característica no Jazz. A música é complementada por todos para um resultado final único com um som de grupo, com uma dinâmica e interação muito fortes, o que é a essência num grupo de Jazz e em especial neste quarteto.

E no sábado, 7 de maio, o palco é de Ricardo Toscano Quarteto, grupo composto por Ricardo Toscano, sax alto; João Pedro Coelho, piano; Romeu Tristão, contrabaixo; João Pereira, bateria. O jazz praticado é o mainstream, sem preocupações de inovação e muito menos de experimentação, mas são tais a frescura, a energia, a entrega e a personalidade própria dados aos temas, standards incluídos, que o Ricardo Toscano Quarteto conquistou a unanimidade do aplauso. Já não é só de bom jazz que se trata, mas de brilhantismo. A linguagem adotada é a do bebop e do pós-bop, com claras influências de Charlie Parker e um repertório de originais e composições históricas que vai até Ornette Coleman. Na moldura destas, e suportado por uma secção rítmica em combustão permanente, o alto de Toscano voa com a desenvoltura e a agilidade de uma águia.

No âmbito da formação de novos públicos, o 19º Festival leva “o Jazz Valado à Escola”, com pequenos concertos dedicados à comunidade escolar.

Ontem, 5 de abril, a DixieNaza Jazz Band, estará Centro Escolar da Nazaré, às 16h30.
Hoje, 6 de abril, será a vez do Centro Escolar de Valado dos Frades ser visitado pela DixieNaza Jazz Band, quando forem 16h30.

Criar a oportunidade aos mais novos de poderem assistir a um concerto, motivando-os ao interesse por este tipo de música, já tão usado em países desenvolvidos como “motor” de integração e concentração em objectivos pedagógicos, devido à criatividade associada ao jazz, são as finalidades destas atividades complementares do Festival.

Dedicado em exclusivo ao Jazz português, e por onde já passaram músicos internacionais e portugueses de renome, é um evento organizado por um grupo de 14 voluntários apaixonados por jazz. Este Festival nasce numa coletividade que foi fundada para combater o analfabetismo na população rural, em 1933, sendo pioneiro na divulgação do jazz na região centro.

Mais informações: www.jazzvalado.net
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