10-04-2019 Rui Calisto Imprimir PDF     Print    Print

Escaparate

A Linha do Oeste: Décadas de agonia

Um artigo de Leonel Fadigas no dia 12 de fevereiro de 1982, sobre a Linha do Oeste, mostra-nos que, há muitos anos, esse lineamento do caminho-de-ferro português vem sendo alvo de continuado descaso, e que alguns setores da sociedade vêm, desde longe, a bradar pela necessidade de o recuperar.

Rui Calisto
Entra Governo, sai Governo, independente da cor política, a pouca vergonha é mantida.
No texto em questão, o autor manifestou-se acerca de uma intervenção de um deputado, efetuada no hemiciclo da Assembleia da República. O que mais chama a atenção nesse discurso são algumas passagens completamente atuais, entre elas cito: “O que acabo de descrever, na frieza das coisas banais e conhecidas, não mereceria recordação nesta Assembleia, não fora o facto de a Linha do Oeste ser, para a CP e para o Governo, uma linha enjeitada. É que, senhor presidente e senhores deputados, a Linha do Oeste, talvez por efeito do nome, é uma linha sem lei, abandonada a desvarios constantes, - a supressão de comboios é coisa vulgar – é mau e merecedor das reclamações constantes de quem a utiliza, ainda que a contragosto. São carruagens velhas e maltratadas, com vidros tão cobertos de sujidade que os estores são dispensáveis; são horários que se não cumprem; lotações que, de tão excedidas, se não sabem hoje quais são…”.
Trinta e sete anos depois da publicação dessas palavras, a Linha do Oeste continua a agonizar. Os lobbies, contra esse trecho ferroviário, são muitos e poderosos, e trabalham sistematicamente pela sua destruição.
A cada eleição autárquica um dos temas de/para “salvação urgente” é a Linha do Oeste, porém, naturalmente, nada acontece findo o pleito, pois, não são os presidentes de Câmara que podem mudar alguma coisa, também não são os deputados que estão na Assembleia da República. A questão é outra, e está relacionada com um poder económico que está muito acima da política.
A política monetária, que deveria atuar em conformidade com uma série de ações governamentais, delineadas para alcançar prefixados objetivos de acordo com a situação financeira portuguesa - e, obviamente, norteada pelo Governo, pelo Parlamento e pelo Banco de Portugal -, é achatada pelo poder económico, que controla a sociedade e os políticos que estão em áreas de decisão.
Uma coisa é a Democracia política, outra a Democracia económica e social. A defesa da primeira deve ser o baluarte de qualquer cidadão; pelo controlo da segunda, bate-se (e ganha) diariamente o monstro manipulador do poder económico.
A Linha do Oeste, amplamente dominada por interesses escusos, vai atravessando gerações, cada vez mais na sombra, no descaso, no abandono. Inclusive, a comunicação social que nos entra em casa todos os dias, em forma de telejornal, raramente debate, ou permite o debate desse assunto. E, isso porquê? Porque é subjugada pela mão invisível desse poderio económico.
A Linha do Oeste caiu numa perversa cilada, e a maioria da população, das regiões abrangidas por esse ramal ferroviário, está alienada e dormente, sem forças para levantar uma forte e concisa defesa. Nós, as marionetas do tempo atual, manipuladas pelos interesses financeiros, não conseguimos perceber o que de melhor nos tiram.
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