02-09-2020 Marlene Sousa Imprimir PDF     Print    Print

Entrevista ao diretor Clínico do Hospital CUF Torres Vedras, Eduardo PegadoEntrevista ao diretor Clínico do Hospital CUF Torres Vedras, Eduardo Pegado

“Acreditamos ser um excelente complemento aos cuidados de saúde da região Oeste”

Nunca como agora foi tão importante ter na região Oeste unidades hospitalares com capacidade para dar resposta aos cuidados de saúde da população. O Hospital CUF Torres Vedras requalificou a sua unidade com o objetivo de melhorar o que já existia e criar novas ofertas, aumentando a diferenciação dos cuidados a prestar à população. O investimento realizado na expansão rondou os 13 milhões de euros. O número de colaboradores do Hospital CUF Torres Vedras é de 406, entre médicos, enfermeiros, administrativos, auxiliares de ação médica, técnicos de diagnóstico e terapêutica, técnicos superiores de saúde, entre outros. “Só através da confiança crescente que as pessoas do Oeste demonstraram ter pelo serviço prestado pelos nossos profissionais se explica que desde 2008 - ano de abertura do hospital - já tenham sido realizadas mais de 980 mil consultas, acima de 300 mil consultas em regime de Atendimento Permanente e para além de 23 mil cirurgias”, disse, o Diretor Clínico do Hospital CUF Torres Vedras, Eduardo Pegado. Em entrevista ao JORNAL DAS CALDAS, o diretor diz que estão preparados para responder “ao previsível aumento do número de complicações e agudizações de doenças crónicas cuja monitorização e acompanhamento regular necessários foram adiados nos primeiros meses de pandemia”.

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Diretor Clínico do Hospital CUF Torres Vedras, Eduardo Pegado

JORNAL DAS CALDAS: O Hospital CUF Torres Vedras foi requalificado que melhorias foram feitas?

Eduardo Pegado: A requalificação do Hospital CUF Torres Vedras foi sentida como uma exigência diretamente resultante do aumento da procura.
Só através da confiança crescente que as pessoas do Oeste demonstraram ter pelo serviço prestado pelos nossos profissionais se explica que desde 2008 - ano de abertura do hospital - já tenham sido realizadas mais de 980 mil consultas, acima de 300 mil consultas em regime de Atendimento Permanente e para além de 23 mil cirurgias.
Neste contexto a melhoria teria que ter duas vertentes bem definidas. Por um lado, melhorar o que já existia - tanto qualitativa como quantitativamente, e, por outro lado, criar novas ofertas, aumentando a diferenciação dos cuidados a prestar à população. E assim foi.
Em termos quantitativos aumentou o número de gabinetes de consulta para 38 (+10 do que os existentes até então) e da capacidade de internamento de 14 camas para 30. Qualitativamente destaco a criação da Unidade de Cuidados Intermédios, que permite reforçar a diferenciação dos cuidados prestados, criando as condições necessárias para o tratamento cirúrgico de doentes mais complexos. Com esta disponibilidade ganham os doentes e as suas Famílias. Esta unidade, única no sector privado na Região Oeste, dispõem de 6 camas, todas com equipamento de vigilância clínica adequado e equipa própria constituída por um médico, um enfermeiro e um auxiliar de ação médica, trabalhando por turnos, 24h sobre 24h, 7 dias por semana.
De relevar, também, a nova Unidade de Exames Especiais, composta por 5 salas de exames - para as áreas de Gastroenterologia, Urologia, Pneumologia e Ginecologia - agora com um espaço de recobro mais amplo, com dois cadeirões e duas camas e com o consequente reforço na segurança clínica e no conforto dos doentes.
Criámos, também, o primeiro Hospital de Dia Médico privado da região, que permite realizar tratamentos em condições de conforto e segurança ímpares.


J.C.: O Hospital CUF Torres Vedras nasceu há 12 anos para servir a população dos concelhos da zona Oeste, sendo um projeto de referência na prestação de cuidados de saúde na região. Como é que está a viver esta situação da pandemia causada pelo Covid19?

E.D.: O aparecimento desta pandemia apanhou todo o mundo de surpresa. Nenhuma instituição em nenhum País, por mais evoluído que seja, estava em condições de responder de imediato e cabalmente com a exigência necessária. Houve, por isso, necessidade dos cuidados de saúde de se adaptarem a esta nova realidade.
O Hospital CUF Torres Vedras não escapou à regra e, em março houve necessidade, na sequência das medidas tomadas pela Direção Geral de Saúde, de adaptar radicalmente o nosso quotidiano para nos prepararmos para este cenário de pandemia. Inclusive, fizemos e continuamos a fazer parte do grupo de instituições que deu apoio ao plano de emergência, precocemente, elaborado pela Câmara Municipal de Torres Vedras. A CUF, do qual o Hospital CUF Torres Vedras é uma das 18 unidades prestadoras de cuidados de saúde, rapidamente percebeu que embora fosse primordial criar condições para enfrentar a pandemia era, igualmente importante garantir a prestação de cuidados a doentes com outras patologias. Por isso, a rede CUF tomou as medidas consideradas necessárias para criar condições para a prestação de cuidados a doentes com e sem COVID-19.
Para o efeito definiu duas unidades para receber doentes com COVID-19, com capacidade de internamento em cuidados intensivos, sendo que as restantes unidades, inclusive o Hospital CUF Torres Vedras garantiu resposta aos doentes com necessidade de resposta em outras patologias. Esta medida, sempre alicerçada na adoção de medidas de segurança preconizadas pelas melhores práticas internacionais, permitiu que estivéssemos preparados para o tratamento de todos os outros doentes numa base de segurança total, consubstanciado no facto de até hoje não termos tido nenhum foco de contágio nas nossas instalações.
O Hospital CUF Torres Vedras está a viver esta pandemia com a serenidade e confiança de quem tomou as medidas certas no momento certo, em defesa do acesso aos cuidados de saúde por parte de todos aqueles que deles necessitem.

J.C.: Nunca como agora foi tão importante ter na nossa região unidades hospitalares com capacidade para dar resposta aos cuidados de saúde da população. Reforçar a vigilância e fortalecer a saúde geral da população para os meses que se adivinham difíceis, com a chegada da gripe sazonal e a possível segunda vaga de Covid, deve ser uma prioridade assumida por todos.
Qual a vossa estratégia para dar resposta aos tempos difíceis que se prevêem?

E.D.: Importa, salientar que aprendemos com os tempos de confinamento, que nunca devemos baixar a guarda. Vamos manter os procedimentos de triagem à entrada do hospital. Vamos manter circuitos independentes para doentes suspeitos e não suspeitos. Vamos aproveitar o projeto de apoio domiciliário para evitar acessos desnecessários às nossas instalações e incrementamos a utilização da teleconsulta para maior comodidade dos nossos doentes. A CUF é reconhecida como uma marca de confiança e este reconhecimento advém não só da elevada qualidade dos nossos serviços de saúde e da competência das nossas equipas, mas também dos procedimentos de segurança que implementamos e que garantem os mais exigentes padrões de qualidade e segurança ao doente.
É importante que a população do Oeste saiba que estamos totalmente disponíveis para assegurar cuidados de saúde a todos os que deles necessitam, sejam portadores de doenças crónicas a situações agudas ou outras.
Aproxima-se um inverno que poderá ser particularmente desafiante, não só pela gripe sazonal ou pela possibilidade de um segundo pico de incidência de Covid, mas também porque nos últimos meses sabemos que muitas pessoas ganharam receio de ir a unidades de saúde e, por isso, adiaram as suas consultas, exames e tratamentos. É com preocupação que concluo que muitas pessoas não se estão a preparar para o inverno. Muitas pessoas podem estar com doenças descompensadas e outras tantas com diagnósticos por fazer. A nossa resposta passa assim por estarmos disponíveis e sensibilizarmos a população para a necessidade de procurarem o seu médico assistente para vigiar se está tudo bem com a sua saúde, seja através dos meios complementares de diagnóstico ou para realizar exames de rotina que permitem prevenir ou acompanhar patologias que no inverno tendem a agravar - como as doenças cardiovasculares, as doenças respiratórias e as doenças reumáticas ou tantas outras patologias que tardiamente diagnosticadas podem ser irreversíveis.


J.C.: Agora com novas infraestruturas têm mais condições de prestar os cuidados superando as novas dificuldades derivados da pandemia?
E.D.: O facto de termos mais áreas, mais gabinetes de consultas e exames, mais camas de internamento, profissionais conhecedores e mais experientes, maior diferenciação com a Unidade de Cuidados Intermédios e o Hospital de Dia, faz com que estejamos em melhores condições para enfrentarmos as potenciais dificuldades que possam vir a surgir - como por exemplo, responder ao previsível aumento do número de complicações e agudizações de doenças crónicas cuja monitorização e acompanhamento regular necessários foi adiado nos primeiros meses de pandemia.

J.C.: Tem havido uma grande luta por partes dos autarcas desta região para a construção do novo Hospital do Oeste.
O Centro o Hospitalar do Oeste (CHO), do qual fazem parte os hospitais de Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche, não tem capacidade para dar resposta a cerca de 300 mil habitantes dos concelhos do Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Óbidos, Peniche, Torres Vedras e parte de Alcobaça e de Mafra.
O Hospital CUF Torres Vedras é uma boa resposta ou alternativa para esta população?

E.D.: Em termos infraestruturais o Hospital CUF Torres Vedras é considerado um Hospital de média dimensão. Proporcionamos consultas externas em todas as especialidades médicas e cirúrgicas - à exceção de Cirurgia Cardio-Torácica, que está disponível na rede CUF, e em termos de proximidade, no Hospital CUF Infante Santo, em Lisboa.
Num ano, em mais de 30 especialidades médicas, conseguimos realizar mais de 113 mil consultas externas e é natural que agora consigamos dar uma resposta maior fruto da disponibilidade conseguida através desta expansão realizada.
Temos também um portfólio de exames especiais e exames complementares muito completa e versátil.
No total temos 60 gabinetes de consultas e de meios complementares de diagnóstico. Temos, ainda, uma capacidade de internamento acrescida que nos permitirá garantir uma maior resposta às necessidades da população, para além da recém-criada Unidade de Cuidados Intermédios. De salientar, novamente, a criação de Hospital de Dia Médico que permite a realização de tratamentos em ambulatório de várias patologias.
Este conjunto de valências possui uma versatilidade e dinamismo que tornam o Hospital CUF Torres Vedras único na prestação de cuidados de saúde. A facilidade de acesso, a rapidez com que se consegue uma consulta de especialidade, a disponibilidade em conseguir, no próprio dia, ser atendido numa consulta, fazer os exames necessários e sair com o diagnóstico e tratamento para a sua situação, são aspetos muito valorizados por quem nos procura. Pela singularidade da resposta clínica que disponibilizamos, acreditamos ser um excelente complemento aos cuidados de saúde da região.

J.C.: Há uma diferenciação dos cuidados de saúde com a abertura do único Hospital de Dia (médico) privado na região - permitindo dar resposta aos doentes que necessitam de tratamentos em ambulatório. Nele os doentes podem permanecer em conforto pelo tempo necessário para concluir o seu tratamento diário, sempre acompanhados por uma equipa especializada?

E.D.: Plenamente de acordo. O propósito foi mesmo esse. Estar doente é um momento de grande fragilidade ao qual se junta, por vezes, o desconforto de ter que se deslocar para longe de casa e dos seus para receber tratamento. Com a criação do Hospital de Dia conseguimos diminuir estes constrangimentos permitindo a realização de tratamentos em ambiente de proximidade e acompanhado pelos nossos familiares e/ou amigos. Tudo junto torna este ato menos desconfortável. Foi com esta preocupação que entendemos como uma mais valia incontornável a criação do Hospital de Dia, da Unidade de Cuidados Intermédios e as melhorias noutras áreas clínicas.

J.C.: As obras permitiram melhorar a oferta e qualidade para doentes e acompanhantes?

E.D.:: Para além do aumento da capacidade de resposta, a melhoria do conforto das instalações foi um dos objetivos principais para estas obras de expansão.
A confiança que a população da região depositou no nosso hospital merecia esta nossa resposta. Acima de tudo a população confiou-nos a sua saúde e reconheceu a qualidade e a excelência das nossos equipas, compostas por vários grupos profissionais.
A certo momento percebeu-se que era necessário não só criar novas áreas clínicas para dar resposta à região, mas também aumentar o conforto das instalações. Hoje em dia temos ao dispor espaços mais amplos e confortáveis que garantem melhores condições de atendimento também.

J.C.: O Hospital de Torres Vedras nasceu há 12 anos, o que mudou na medicina?

E.D.: Mudou muita coisa. Desde os mecanismos de prevenção com envolvimento ativo da população até à vontade de se conhecer melhor o que temos e como podemos ser tratados. O acesso à informação na área da saúde é hoje extraordinário.
Também aqui os profissionais de saúde têm um papel decisivo. O Hospital CUF Torres Vedras não se resume a uma casa onde as pessoas recorrem para resolver os seus problemas de saúde. Por isso temos de ser capazes de nos identificarmos com a população que nos procura. Sermos parte da sociedade civil é indispensável.
Nesse sentido tem sido nossa preocupação atuar na formação na área da saúde da população do Oeste, através da nossa disponibilidade para organizar eventos da mais variada ordem com realce para as ações de formação em suporte básico de vida (SBV), palestras sobre os mais variados temas, em escolas, Universidades da Terceira Idade, Associações Desportivas e para onde nos chamarem.
No âmbito da CUF participamos em grupos internacionais de avaliação dos resultados dos tratamentos que efetuamos, tendo por base a avaliação realizada pelos doentes os chamados “patient report outcome mesures” (PROM) o que nos permite ter uma noção mais fina e próxima da realidade da eficácia dos tratamentos que preconizamos e com isso podermos ser mais assertivos e bem sucedidos na resposta que damos aos nosso doentes.

J.C.: O que defende que seja o próximo passo no futuro da saúde depois do combate à COVID-19? Esta aprendizagem é importante para o futuro do sistema de saúde?
E.D.: Estou convicto que será necessária uma reflexão para que se possa aprender, ajustar decisões e a aplicar
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