04-09-2019 Rui Calisto Imprimir PDF     Print    Print

Caldas da Rainha e as suas geminações

Acredito que o comum dos caldenses não saiba que o seu concelho é geminado com diversas cidades. Perth Amboy (Nova Jérsei, Estados Unidos); Badajoz (Estremadura, Espanha); Le Raincy (Seine-Saint-Denis, França); Huambo (Angola); Poços de Caldas (Minas Gerais, Brasil); Santo Amaro da Imperatriz (Santa Catarina, Brasil); e Figueiró dos Vinhos (Portugal), são os burgos que, com Caldas da Rainha, têm uma relação formal de proximidade.

O que significa “geminação”? Trata-se de um “conceito que tem como objetivo criar relações e mecanismos protocolares, essencialmente em nível espacial, económico e cultural, através dos quais cidades de áreas geográficas ou políticas distintas estabelecem laços de cooperação”.
É muito comum que essas cidades gémeas, geminadas ou irmãs, tenham características semelhantes, seja no foro demográfico, seja nas relações históricas. É habitual, também, que esses lugares realizem uma série de tratados de entreajuda política, social e económica.
Esse conceito foi encetado na Europa Medieval, por volta de 836 AD, aquando da geminação de Paderbom (Alemanhã) com Le Mans (França). Depois, já em 1905, a britânica Keighley, West Yorkshire, entrou em acordo com as francesas Puteaux e Suresnes.
Um novo impulso foi dado no pós-Segunda Guerra Mundial, exatamente como meio de promover o congraçamento e a paz em todas as fronteiras.
Foi graças ao estímulo dado por Dwight David Eisenhower (1890-1969), presidente dos Estados Unidos da América durante a Guerra Fria, que - com o propósito de fomentar o intercâmbio cultural, tecnológico e económico - a ideia da geminação entre localidades se propagou com volúpia.
Articulando localmente: Caldas da Rainha deveria possuir, no seu marco zero (será que os caldenses sabem onde está localizado?), de modo visível, uma placa sinalizadora que indicasse a direção e a distância que possui relativamente a cada uma dessas cidades. Poderia, também, publicar um livro (a ser disponibilizado gratuitamente pela autarquia) que explanasse sobre cada uma das suas geminações.
Uma outra ideia, também simples de realizar, seria a de perfazer, através da vereação da Educação, um protocolo com todas as escolas do concelho, no sentido de incluir nos currículos um conjunto de aulas sobre cada uma daquelas localidades. Deste modo, as crianças caldenses poderiam aprender a valorizar a geminação, das cidades e vilas, como fatores de aprimoramento das relações de intercâmbio e cooperação, bem como estreitar vínculos de respeito e admiração para com o próximo.
Envolver os cidadãos, nas relações de vicinalidade entre as cidades-irmãs, será um meio de incentivar o desenvolvimento dos agentes económicos, sociais e culturais das comunidades, apelando, inclusive, para um maior exercício de cidadania, e concorrendo com o fortalecimento de inúmeros valores fundamentais para o progresso de cada região.
Será que Caldas da Rainha já participou de algum Congresso das Cidades Geminadas? Será que está a par do que são os incentivos para a expansão das “Cidades do Saber”? Será que tem noção da existência das Estrelas D’Ouro das Geminações?
Sensibilizar, promover, contribuir, fortalecer, pensar, implicar, desenvolver e perspetivar, são as palavras mais importantes quando se fala em geminação de cidades. Caldas da Rainha precisa, e deve, efetuar exercícios de cidadania e democracia, ativando e envolvendo os cidadãos no conjunto de cidades-irmãs existentes, pelo bem comum e pelo futuro, visando, principalmente, o entendimento de si própria, para dar-se a conhecer posterior e positivamente.
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