20-11-2019 Marlene Sousa Imprimir PDF     Print    Print

Speak Caldas já tem 50 alunos

A Ordem do Trevo e a Associação Fazer Avançar voltaram a implementar nas Caldas da Rainha o projeto social “Speak”, que liga pessoas através da língua, cultura e experiências. O projeto, que teve início em 2014, fez uma pausa e em 2018 recomeçou com as aulas de línguas que são atualmente frequentadas por 50 pessoas.

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Hugo Aguiar, o fundador do Speak

O JORNAL DAS CALDAS esteve no passado dia 8 na primeira edição do Caldas Talk, que teve lugar na Igreja do Espírito Santo, no Largo João de Deus. Com o tema “cidade inclusiva”, foi sobretudo uma conversa de experiências vivenciadas e partilhadas com os oradores Hugo Aguiar, fundador do Speak, José Ramalho, ator, e Daniel Pinto, diretor da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste.

Foi neste Talk que Hugo Aguiar deu a conhecer como nasceu o Speak, referindo que a ideia surgiu da tomada de “consciência de que muitas cidades têm comunidades migrantes, mas os habitantes locais não sociabilizam com eles, muito por culpa da língua e da falta de eventos que potenciem a troca de experiências culturais”. Estando consciente do desafio que é a chegada a uma cidade nova num país diferente do nosso, Hugo Aguiar quis com o projeto “aproximar migrantes, refugiados e habitantes locais que vivem na mesma cidade, através de um intercâmbio de línguas e de culturas”.

E foi por isso que criou o Speak, tirando partido da necessidade de aprender a língua local quando se chega a outro país, revelando que todas as semanas três milhões de pessoas de todo o mundo se mudam para uma cidade nova.

Assim, o projeto tornou-se “uma ferramenta muito útil para tirar as pessoas do isolamento”, adiantou o responsável, que percebeu que as aulas também serviam para criar uma rede de suporte informal. “Era algo mágico que poderia ser replicado em vários locais”, disse o fundador do Speak, que já está presente em vários países. Está agora a ser testado nos EUA, na Etiópia e no Bangladesh. Na Europa, marcam presença em 25 localidades e têm como meta “estar em 100 cidades em 2024”, referiu Hugo Aguiar.

“Caldas da Rainha tem uma história de amor e de paciência connosco”, adiantou o fundador do Speak. E isto porque o projeto que nasceu em Leiria, em 2014, foi replicado para as Caldas, “quando ainda não estávamos preparados”, contou, acrescentando que “desde essa altura o projeto social evoluiu na comunicação e ganhou escala, nacional e internacional, consolidando a sua missão de aceitar, valorizar e fortalecer a diversidade cultural”.

Presente neste evento esteve Vera Fortes, da Ordem do Trevo e uma das responsáveis pelo Speak Caldas, que disse ao JORNAL DAS CALDAS que este projeto tem como objetivo “conectar migrantes, refugiados, estrangeiros e pessoas que vivem nas Caldas. O “Speak” implementa experiências de intercâmbio de línguas e culturas, onde os participantes podem aprender e explorar interesses comuns, quebrar preconceitos, mal entendidos, promover a compreensão e integração social”.

Além da aprendizagem da língua e cultura dos vários países, o grupo “tem vindo a promover atividades quebrando barreiras e preconceitos”.

A responsável contou que têm dois grupos de língua portuguesa (básico e de conversação) e depois o inglês (básico e de conversação), em que as aulas decorrem em salas da Expoeste. Os participantes são de várias nacionalidades como, por exemplo, dois ingleses que dão as aulas da sua língua nativa.  São designados buddies, estão cá há 15 meses e são alunos das aulas de português e ensinam aos interessados a sua língua materna”, disse Vera Fortes, explicando que estes elementos foram professores toda a vida em Inglaterra e agora voltam a partilhar o seu saber em Portugal.

A partir do próximo ano, o Speak Caldas vai abrir novos grupos e “gostaríamos de ensinar outras línguas como o russo e o mandarim”, rematou. “A questão é que tenhamos alguém que partilhe connosco a sua língua materna e como temos um participante russo, talvez consigamos abrir essa língua”, apontou.

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