12-03-2019 Marlene Sousa Imprimir PDF     Print    Print

“É preciso construir um novo contrato social na União Europeia”

Margarida Marques, do Bombarral, quarta candidata na lista do PS às eleições para o Parlamento Europeu, definiu na passada quarta-feira, nas Caldas da Rainha, que as próximas eleições são muito importantes, dado o contexto europeu e mundial atual, pela “necessidade de termos uma maioria no Parlamento Europeu que permita construir um novo contrato social na União Europeia (UE)”.

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Margarida Marques, candidata na lista do PS às eleições para o Parlamento Europeu, esteve no Café Central, numa sessão organizada pelo PS das Caldas
Numa conferência no Café Central, organizada pelo PS das Caldas da Rainha, para discutir a Europa, Margarida Marques afirmou que as eleições europeias a 26 de maio têm dois desafios fundamentais que é ter “um Parlamento Europeu com o número de deputados maioritário ligados a partidos democráticos e ter um pilar forte de socialistas e progressistas, trabalhistas de esquerda e centro esquerda europeu”.
“O que nós propormos é que haja um maior equilíbrio entre os objetivos orçamentos e os objetivos sociais, ou seja, que o pilar europeu dos direitos sociais passe a ser parte integrante do chamado semestre de todo o processo europeu”, salientou a candidata. “Para que a prosperidade possa existir numa perspetiva de convergência entre os estados membros, é necessário que haja determinadas políticas que os socialistas defendem para a União Europeia e a primeira é completar a União Económica e Monetária”, apontou.
Destacou a necessidade de haver “uma antecipação e partilha do risco para que em situações de dificuldade como nós vivemos em 2011, haja um mecanismo que possa apoiar os países nessa situação”. Mas também para que a “área da UE seja um espaço de convergência é fundamental que exista um orçamento para a zona euro”, salientou.
“Só com um orçamento para a zona euro, a partilha do risco e um mecanismo que proteja o investimento é que nós podemos completar a União Económica Monetária no sentido que o Euro seja um instrumento de convergência e não de divergência”, acrescentou.
Margarida Marques revelou ainda que para proteger as democracias europeias é urgente combater as “fake news” (notícias falsas), sobretudo em ano de eleições europeias. “A UE já está a trabalhar nesse sentido, o Conselho Europeu em outubro passado pediu à Comissão Europeia que fizesse um plano de ataque às fake news, e a comissão negociou com o twittter, Facebook e google, e há já aprovado um plano de conduta com estas três plataformas e algumas questões foram resolvidas, mas há ainda um caminho muito longo a fazer”.
Para a deputada, que já viveu em Bruxelas como funcionária da Comissão Europeia, a crise financeira, o Brexit, refugiados e terrorismo criaram alguma fragilidade na UE.
Apesar de haver “pela primeira vez um país que quer sair da UE, abalando a sua rigidez e solidez”, Margarida Marques disse o que interessa destacar é que os “27 membros mantiveram-se unidos neste processo de negociação, e aqui está um caso concreto em que nós verificámos que a UE funcionou”.
“Na altura do Brexit havia a ideia que podia haver um efeito dominó, ou seja, países que vinham imediatamente a seguir ao Reino Unido a quererem sair, como por exemplo, a Dinamarca e Holanda, e as sondagens que foram feitas a seguir neste países reforçaram a ideia de pertença”, adiantou.
Quanto ao facto de Jeremy Corbyn ter anunciado que apoia a realização de um segundo referendo sobre o “Brexit”, a candidata do PS às eleições europeias acredita que há uma “esperança remota para um segundo referendo que pode interverter a situação do Reino Unido que é muito complexa”.
“Nós queremos uma UE onde haja liberdade, onde cidadãos se sintam protegido e onde há prosperidade”, concluiu a candidata.
José Ribeiro, presidente da concelhia do PS das Caldas da Rainha, destacou a importância desta conversa sobre a Europa, nomeadamente a “pouco mais de dois meses das eleições europeias, pela ameaça que os partidos de extrema direita representam para o futuro da União Europeia”.
Considera que “faltam líderes forte na UE” e que é preciso prevenir “os movimentos antieuropeístas” e perceber “porque é que têm surgido os coletes amarelos e a contestação”.
A sessão gerou um debate interessante à volta da Europa com o público a fazer várias questões a Margarida Marques.
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