02-09-2018 Sociedade, Educação, Política, Lusa Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Encontro internacional debate em Coimbra mudanças na Terra no tempo dos dinossauros

Coimbra, 02 set (Lusa) – Investigadores de vários continentes reúnem-se em Coimbra, de quinta-feira a dia 09, para discutirem as alterações registadas na Terra no tempo dos dinossauros, há 182 milhões de anos.

O segundo “International Workshop on Toarcian Oceanic Anoxic Event” tem como objetivo “discutir os mais recentes avanços científicos relativos às mudanças ocorridas no planeta Terra há cerca de 182 milhões de anos, durante o período Toarciano”, na época geológica Jurássico Inferior, informa em comunicado a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

No Toarciano, “ocorreram grandes mudanças paleoambientais nos subsistemas oceano, biosfera e atmosfera”, afirma Luís Vítor Duarte, da organização.

O período em causa “possui um registo geológico de excelência em Portugal, reconhecido através de publicações em revistas científicas de referência internacional”, adianta o docente e investigador da FCTUC, citado na nota.

“Além da perturbação do ciclo do carbono, que originou alterações profundas na relação oceano-atmosfera e onde sobressai forte anoxia (falta de oxigénio) dos fundos marinhos, este episódio está particularmente bem registado nas rochas carbonatadas daquela idade”, que afloram na região Centro, em Peniche e Penela, e “está ainda associado a um sobreaquecimento da água do mar, factos que deixaram sequelas no registo biológico, originando uma pequena extinção em massa”, refere.

A iniciativa é organizada pelo Departamento de Ciências da Terra da FCTUC e Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), em parceria com o projeto IGCP 655 – “Toarcian Oceanic Anoxic Event: Impact on marine carbon cycle and ecosystems”, que é patrocinado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e pela International Union on Geological Sciences.

Participam no encontro, designadamente, investigadores da China, Canadá, Portugal e outros países da Europa.

O primeiro dia do encontro, com início às 09:00, no anfiteatro C do Departamento de Ciências da Terra, no polo II da Universidade de Coimbra, contempla a apresentação de 36 comunicações científicas sobre o tema do “evento anóxico”, com destaque para a conferência plenária de Hugh Jenkyns, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, “nome que está na origem e reconhecimento deste evento à escala global”, salienta a organização.

Os dias 07 e 08, “serão dedicados a atividades de campo, na observação ‘in situ’ do excecional registo deste evento na geologia portuguesa”, enquanto o último dia “será preenchido com um curso intensivo sobre o registo orgânico associado a estes eventos anóxicos”, coordenado pelo brasileiro João Graciano Mendonça Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, especialista em geoquímica orgânica, que nos últimos anos tem colaborado com o Departamento de Ciências da Terra da FCTUC.

 

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