04-01-2021 Maria Susana Mexia Imprimir PDF     Print    Print

Formar o ser humano na capacidade de pensar o bem

No ar ainda paira o bom odor natalício, o natal que foi, que é e continuará a ser, pois o espírito que lhe assiste reside no coração do homem, vivendo no tempo que passa para poder viver construindo um tempo de harmonia, de felicidade e de paz.

Maria Susana Mexia
A paz é o sinal decisivo de que Deus nasceu e está entre nós, mas onde ela se decide definitivamente é no nosso interior e para que haja vida nova no ano novo temos de recomeçar a luta por acender uma luzinha de bem-querer estar connosco e com os outros.
Essa pequena chama que se acende é apenas um princípio, depois temos de segui-la, se almejamos que essa luz se torne estrela e depois sol. Às vezes ficamos na escuridão e desorientados porque não estamos acostumados a olhar para o alto, para a estrela que nos guia, limitamo-nos ao nosso próprio candeeiro que é uma luz pequena, uma luz escura que nos reduz aos limites do nosso egoísmo.
Toda a nossa vida é um caminhar, a constância nas dificuldades exige um recomeçar contínuo e a estrela alegra-nos o caminho e recorda-nos a todo o instante que vale a pena o esforço para não perder o norte.
As estrelas são astros que têm luz e calor próprios, com um brilho cintilante que as distingue dos planetas e constituem o elemento fundamental do universo. Também as nossas ideias são estrelas peregrinas que se formam no nosso pensamento, habitam dentro de nós, movem-nos, orientam os nossos passos e impelem-nos ao crescimento e à construção de um mundo maior e melhor. Ideias soltas que se entrelaçam, se cruzam, se agigantam e nos engrandecem. Ideias grandes que nos erguem e soerguem, nos revigoram o ânimo, nos reforçam a esperança e, audazmente, nos conduzem a boas ações.
As ideias são pedaços do homem, ideias positivas formam pensamentos edificantes, ambos são inseparáveis e se confundem com o próprio homem. Se lhe tirarmos a capacidade de pensar nada mais lhe resta pois o homem é o pensamento e o pensamento é o homem.
As ideias propagam-se ou são repelidas, surgem nos nossos cérebros e aí se desenvolvem, recorrendo depois a um veículo transmissor para chegarem aos outros cérebros: a linguagem, os sons, a luz.
As ideias dos homens movem o mundo, se forem de bem, fazem a paz, se forem de mal fazem a guerra. Por isso é tão importante formar o ser humano na capacidade de bem pensar e pensar o bem, para em consequência poder espelhar nos outros e espalhar no mundo sementes boas de esperança.
Esta é a grande aventura da humanidade, nós e as nossas ideias crescemos juntos, construímos o horizonte do nosso viver, ampliamo-lo aos outros e mergulhamos todos num universo estrelado ou não, consoante a riqueza e beleza do nosso pensamento para agir no sentido ético do bem-fazer ou não.
O homem é um ser em liberdade, pode escolher o que quer ser e fazer, sabendo de antemão que não pode fugir às consequências das suas opções.
Numa sociedade em que a normalidade parece ser o mal é chegada a altura de assumir a responsabilidade que cada um dos nossos pensamentos e ações projeta no universo humano.
Todos somos chamados à consecução duma sociedade mais verdadeira, mais justa e fraterna. Estamos ávidos de boas notícias, sabemos que existem factos que enaltecem quem os realiza e recebe, mas faz falta quem os comunique.
Faço um apelo ao jornalismo, no sentido de que possa fazer notícia do bem que pulula por esse mundo além, para que no exercício da sua nobre profissão seja uma réstia de esperança neste ano de 2021 que iniciámos. Termino com uma citação de Ramalho Ortigão: Sem a alegria, a humanidade não compreende a simpatia nem o amor.
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