Óbidos, Leiria, 07 out (Lusa) – O escritor cabo-verdiano Germano Almeida defendeu hoje em Óbidos que Ministério da Cultura de Cabo Verde deve financiar a edição dos escritores daquele país e dinamizar festivais literários para promover a sua divulgação.
“O Ministério da Cultura [de Cabo Verde] tem que promover a literatura cabo-verdiana no estrangeiro e não vai conseguir convencer editores se não lhes der um apoio financeiro”, disse hoje Germano Almeida, em Óbidos, onde foi homenageado pelo Folio – Festival Literário Internacional.
Sublinhado “a extrema importância destes festivais “, o escritor vencedor do Prémio Camões defendeu que se o Governo do seu país “quer dar a conhecer a literatura cabo-verdiana “deverá também “criar mais festivais” à semelhança do que está a ser feito em S. Vicente.
Os festivais literários poderão, aliás, ser o mote do próximo livro do autor, que hoje admitiu ter na sua obra influências de autores portugueses como Eça de Queirós e José Saramago, mas também de sul-americanos como Jorge Amado e Gabriel Garcia Marquez.
Autor de mais de dezena e meia de livros, Germano de Almeida contou hoje ter escrito a sua primeira obra publicada, "O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo" “em 15 dias”, para oferecer de presente a uma amiga, Ana Cordeiro.
Entregue o presente, partiu dela a sugestão de que a obra” tinha de ser publicada”, sugestão que acabou por resultar na criação da editora Ilhéu.
O livro que acabou por ir parar às mãos de Saramago, e através dele à editora Caminho, foi o ponto de partida para a edição em Portugal da vasta obra do autor que nunca relê nenhum dos seus livros confessa até esquecer-se deles.
Nas obras que começou a escrever aos 16 anos e que só começaram a publicar depois dos 50, Germano Almeida diz estar presente “em todas as personagens”.
Em “As memórias de um espírito”, que começou a escrever para contar à filha a sua própria história, “ao fim de dez páginas desisti de escrever sobre mim”, disse.
Mas, acrescentou, “quem ler a obra de um escritor conhece-lhe a vida toda”, embora sem saber “o que é realidade e o que é ficção”, tal como o escritor que tanto “efabula” que não consegue “dizer que percentagem “de si próprio é real nos seus livros.
O que sabe Germano Almeida é que os 100 mil euros ganhos com o prémio Camões não dão “para viver só da escrita” e que só quando se reformar vai poder “passar mais tempo em festivais”, entre os quais o Folio onde hoje a organização anunciou a intenção de, a partir da próxima edição “ter todos os anos um dia dedicado a Cabo Verde”.
Nascido em 1945, na ilha da Boa Vista e a viver atualmente no Mindelo, Germano Almeida é autor de obras como "A Ilha Fantástica", "Os Dois Irmãos" e "O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo", tendo publicado este ano "O Fiel Defunto", pouco depois do anúncio da atribuição do Prémio Camões
A homenagem a Germano de Almeida marcou o encerramento das mesas de escritores no festival que decorria na vila desde o dia 27 de setembro e Dividido em cinco capítulos (Autores, Folia, Educa, Ilustra e Boémia).
As 831 horas de programação que envolveram 554 participantes diretos, entre autores, pensadores, artistas e criativos que integraram as 26 mesas de escritores, 25 concertos e 13 exposições terminam esta noite com um concerto da Lisbon Poetry Orchestra e Quarteto Naked Lunch, o último momento do programa com mais de 185 atividades.
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