11-07-2020 Veríssimo Silvestre, médico de Medicina Geral e Familiar na Clínica CUF Mafra Imprimir PDF     Print    Print

Cuidados a ter com a saúde na ida à praia

Com a chegada do calor e do verão todos gostamos de poder frequentar a praia, onde podemos descansar, estar com amigos e fazer exercício físico. A ida à praia pode ser um factor positivo para a nossa saúde, desde que tenhamos as devidas precauções e comportamentos responsáveis perante os riscos que possam existir.

Veríssimo Silvestre, médico de Medicina Geral e Familiar na Clínica CUF Mafra
Que benefícios podemos tirar numa ida à praia?
A ida à praia pode traduzir-se por um incremento na nossa saúde. Na praia podemos praticar algum desporto, como uma caminhada pela areia, ou natação em águas abertas de forma a contrariar o sedentarismo. Podemos tonificar os nossos músculos e melhorar a nossa resistência ao esforço. Podemos produzir vitamina D a partir da exposição da nossa pele ao sol. Assim como podemos socializar com os nossos amigos e familiares num ambiente descontraído, melhorando a nossa sensação de bem estar e a nossa saúde mental.

Outro benefício na ida à praia é o aumento da produção de vitamina D. Estudos recentes demonstraram que os portugueses têm níveis de vitamina D abaixo do valor desejável. Mas sendo Portugal um país com tantas horas de sol como é que isto se justifica?
Apesar de termos um país com uma boa exposição solar, se pensarmos nas nossas rotinas diárias, passamos grande parte dos nossos dias em espaços fechados. É esta a razão de termos níveis reduzidos de vitamina D, apesar de termos uma fonte gratuita para a produção desta vitamina ao nosso dispor.

Porque é importante mantermos uma boa hidratação?
O corpo é compostos principalmente por água e a nossa pele é a barreira, contra a evaporação excessiva e desidratação. No entanto, com o aumento da temperatura e exposição da pele à radiação solar, a quantidade de água perdida através da evaporação é superior às das nossas rotinas diárias, daí ser fundamental o aumento da ingestão de água. Devemos também reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas, porque apesar de estas serem líquidos promovem a desidratação do nosso corpo, uma vez que aumentam a eliminação de urina, contribuindo ainda mais para a perda de água em ambiente de praia.

E quais as consequências da exposição da nossa pele à exposição solar?
A exposição solar deve ser gradual e progressiva, não se deve ter pressa em obter o tom bronzeado e se tem a pele clara com dificuldade em bronzear – “não force “- pois obter um bronzeado ligeiro à custa de “escaldões” repetidos poderá ter um preço demasiado elevado, a longo prazo. A radiação UV pode ser benéfica quando a exposição é feita em baixa dosagem, enquanto que em altas doses já demonstrou ser perigosa, porque promove alterações degenerativas nas células e nos vasos sanguíneos, podendo causar reações inflamatórias nos olhos e levar ao envelhecimento prematuro da pele sendo responsável, pelo aparecimento de vários cancros da pele, assim como de cataratas nos olhos.

O melanoma pode aparecer em pessoas mais jovens, não estando dependente de uma exposição crónica ao sol, mas sim de repetidas queimaduras de forma aguda, como são conhecidos os ‘’escaldões’’. A que sinais devemos estar atentos?
Apesar de ser muito menos prevalente, o melanoma é o cancro de pele mais mortal. Devemos conhecer o nosso corpo e saber olhar para os nossos sinais. Devemos analisar o ABCD de um sinal, no qual o A corresponde Assimetria: no qual devemos perceber se o seu lado esquerdo é diferente do direito e se a sua metade superior e inferior são desiguais. O B corresponde aos Bordos: nos quais devemos procurar irregulares que se expandem desigualmente a cada mês. O C corresponde à Coloração onde os sinais não devem ter mais de uma cor e por fim o D que corresponde ao Diâmetro, no qual os sinais não de devem ter mais de 6mm. Desta forma se tivermos um nevo que seja assimétrico com bordos irregulares com diferentes cores e com mais 6 mm de diâmetro devemos procurar um dermatologista para que possa ser avaliado.

Para diminuirmos o risco de um dia sermos diagnosticados com estas doenças, o que podemos fazer?
Devemos ter alguns cuidados na praia, seguindo os conselhos da Sociedade Portuguesa de Dermatologia: Usar vestuário adequado (chapéu, óculos de sol, “t-shirt” de malha apertada, calções) e evitar a exposição solar directa entre as 12 e as 16 horas. Crianças e pessoas de pele mais clara, idealmente entre as 11 e as 17 horas.
Crianças até aos 2 anos não devem ser expostas directamente ao sol – na eventualidade de irem à praia devem usar vestuário adequado que cubra a maior extensão possível de pele, sem esquecer o chapéu de abas largas, e devem brincar resguardadas do sol, por exemplo, por um guarda-sol. Mas, atenção: a radiação ultra violeta (RUV) não vem apenas “de cima”, vem de todos os lados e, mesmo debaixo de um guarda-sol, estamos expostos ao equivalente a 30% da RUV directa. Ou seja, 3 horas à sombra de um guarda-sol, equivale a cerca de 1 hora ao sol.
Cuidado com o sono! O adormecer ao sol é uma causa frequente de queimaduras, por vezes graves.
Atenção ainda aos medicamentos que está a tomar, informe-se com o seu médico, pois alguns medicamentos de uso comum, como antibióticos, podem ser fotossensibilizantes, podendo desencadear uma reacção de tipo queimadura ou alergia na pele exposta ao sol.

Quando devemos aplicar o protector solar?
Devemos aplicar um protector solar de factor 30 ou superior, quinze a trinta minutos antes da exposição ao sol e repetir a aplicação de 2 em 2 horas ou após banho. Não esquecer de proteger os lábios, orelhas e o dorso das mãos, locais onde com frequência surgem lesões pré-malignas e malignas. E atenção, o uso de protector solar não pode ser dispensado mesmo com o tempo nublado.

Em tem de pandemia, devo adiar a minha ida ao médico, se suspeitar de algum sinal?
Independentemente da Covid-19 não deve adiar a procura de resposta médica, pois o diagnóstico e tratamento de cancro não podem ser adiados. Os procedimentos e circuitos das unidades de saúde estão alinhados com as orientações da Direcção Geral de Saúde e foram pensados para garantir segurança dos doentes e profissionais, por isso é seguro ir às consultas médicas, exames e tratamentos.
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