22-11-2019 José Lucas Imprimir PDF     Print    Print

“Desafios do Ser e da Dor”

Realizou-se no dia 16 de Novembro, na Associação de Comerciantes de Lisboa, o 1º Seminário de Medicina e Espiritualidade, tendo como tema “Desafios do Ser e da Dor”, numa organização da Associação Médico-Espírita de Lisboa (AME-Lisboa) com o apoio da Federação Espírita Portuguesa (FEP).

Encontrei cerca de 200 pessoas de várias regiões de Portugal, desde Quarteira (Algarve) até ao Porto, que me tenha apercebido.
Entrámos, e logo nos chamou a atenção a organização impecável, esmerada, cuidada, um sorriso nos lábios, próprio de quem gosta de nos rever. Uma pasta identificativa do evento, material de divulgação, informação, uma esferográfica com o logótipo da AME-Lisboa, crachá moderno e com o nome do evento, um livro de Divaldo Franco com capa específica para este Seminário (Libertação pelo Amor), programa estilizado e a cores.
Cada passo dado e ou outro beijo ou cumprimento, reencontrando amizades, conhecendo gente nova: que bom é a Lei de Sociedade, que nos ensina “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec. Só assim, numa vida de relação, evoluímos, sem dúvida. Olhando para o lado, uma enorme, diversificada e barata bibliografia espírita, fornecida pela FEP. Quanto trabalho ao longo dos vários anos, devem ter tido, para que possamos, hoje, fruir de bons livros espíritas, que em vez de virem do Brasil são feitos em Portugal, a 1/3 do preço. A maior caridade que se pode fazer com o Espiritismo é divulgá-lo, dizia o Espírito Emmanuel.
Quanta caridade ali exposta, quanto consolo, quantas lágrimas a secar, desespero a eliminar, quiçá vidas a salvar.
Excelente e nobre trabalho que a FEP tem efectuado, nesta área…
O evento começou com as apresentações da praxe, envoltas na música lírica de João Paulo e Luís Peças, com o mestre-de-cerimónias Esteves Teiga a deixar nas suas intervenções sempre um lastro de alegria, ânimo e uma ou outra reflexão oportuna. Durante todo o dia respirava-se no ambiente envolvente, um ar que cheirava a amizade, bem-estar, harmonia.
A enfermeira Cristina Pereira falou dos aspectos espirituais do coma, seguindo-se a enfª Natércia com o tema da parentalidade. Depois de um intervalo de 30 minutos, o psiquiatra Roberto Lúcio (Minas Gerais, Brasil) falou do suicídio e da assistência aos sobreviventes. Já se sentia o roncar do estômago, estava na hora de reabastecer o corpo, depois de termos alimentado o Espírito. Duas horas depois, a psicóloga Lourdes Barbosa recomeçava, falando de perdas afectivas. Gláucia Lima, psiquiatra, abordou um tema sempre difícil de entender: os filhos difíceis, a hiperactividade, défice de atenção, autismo.
Estava na hora de um cafezinho, em novo intervalo, para dar tempo para mastigar bem os conceitos escutados, enquanto se ouviam mil e um “olá”, beijinhos, cumprimentos, sorrisos, alegria, muita alegria e boa disposição no ar.
No recomeço, a jovem médica Joana Farhat, veio propositadamente do Porto para falar do poder do pensamento na saúde e na doença, terminando o evento (antes de outro trecho musical e do encerramento oficial pelo presidente da FEP) com outra conferência de Roberto Lúcio, que falou da terapia para a alma, libertação pelo Amor.
Se a primeira conferência deste médico foi mais técnica, esta foi técnico-moral, fazendo uma ligação entre o conhecimento médico e a mensagem que Jesus de Nazaré deixou na Terra há 2 mil anos. A páginas tantas, uma frase alertou o radar da minha atenção: “Não viemos à Terra, nesta reencarnação para salvar o mundo, para salvarmos os outros, para sermos perfeitos. Se sairmos daqui no fim da vida corporal, um pouco melhor do que quando chegámos (pelo nascimento), já terá valido a pena.”
Foi difícil sair do espaço, apetecia ficar, continuar, conviver mais, mas os afazeres do quotidiano são implacáveis. Fomos embora, cada um para a sua localidade de residência, para a sua casa, valeu a pena.
Este evento dignificou a Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, em todos os aspectos: partilha de conhecimento, convivência saudável, ideias de melhoria moral em todos os presentes.
Chegámos a casa de alma cheia, mas aquela tirada final deixou-me a pensar… viemos à Terra para sairmos daqui… um pouco melhor … do que quando entrámos!
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