17-07-2019 Marlene Sousa Imprimir PDF     Print    Print

Festa de Verão do PCP

Jerónimo de Sousa insiste nas críticas ao PS

Ao longo do seu discurso na mais participada Festa de Verão do PCP, nas margens da Lagoa, junto ao Penedo Furado, Jerónimo de Sousa foi bastante crítico às opções políticas do PS. Insistiu nas críticas às alterações da lei laboral, à “obsessão” do PS com o défice zero e deixou ainda um alerta que é “fundamental uma clarificação” sobre o caminho a seguir com o setor privado na saúde.

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Heloísa Apolónia e Jerónimo de Sousa na Festa de Verão na Foz do Arelho
O líder do PCP está confiante de que nas eleições legislativas em outubro vão eleger Heloísa Apolónia, primeira candidata pelo distrito de Leiria. Considera que “é a altura de prestação de contas sobre o que andaram a fazer durante quatro anos, para resolver os problemas e dificuldades das populações deste distrito”.
A Festa de Verão contou com mais de 400 pessoas, entre militantes e simpatizantes, e não faltou a música de intervenção com Carlos Vicente.

O Secretário-Geral do PCP criticou a “política sufocante do défice e das inúmeras e inaceitáveis imposições da União Europeia, tendo como consequência os insuficientes níveis de crescimento económico”. “O PS insiste em impor o défice zero” e a ser uma realidade “não haverá dinheiro para investimento e para acudir aos serviços públicos”, manifestou o líder do PCP.
Outra crítica de Jerónimo de Sousa ao PS radica nas alterações à lei laboral, em que está na Assembleia da República um conjunto de mudanças como por exemplo “do período experimental num emprego passar de 90 para 180 dias”. “Mais uma vez a questão da precariedade que atinge fundamentalmente os jovens visa andar para trás”, relatou, acrescentando que “durante esses seis meses o jovem ou trabalhador não tem direito nenhum, nem subsídio de férias nem de Natal e pode ser despedido sem qualquer indemnização”. “Então é assim que se incentiva os jovens a ficar no nosso país”, questionou o comunista, referindo que “nascem tantas poucas crianças em Portugal porque os jovens deparam-se com os seus vínculos precários e com a falta de apoio social, em que tem muitas vezes de emigrar para dar rumo à sua vida”.
Jerónimo de Sousa considera que é urgente combater o défice demográfico com o apoio às famílias e jovens com “proteção social e valorização de salários”.
“Já lá vão cerca de 20 mil milhões de apoio aos bancos”, salientou o secretário-geral do PCP, acrescentando que “um Governo do PS, que tem as mãos tão rotas para encharcar a banca e os banqueiros com milhares de euros, depois vem dizer que não pode dar um passo maior que a perna porque não há dinheiro para a saúde, para a educação e para a valorização dos trabalhadores”.
Jerónimo de Sousa focou-se igualmente na defesa do Serviço Nacional de Saúde, referindo-se à nova Lei de Bases da Saúde, reafirmando que “há um problema para resolver na sociedade portuguesa, o de saber se o Governo vai cumprir o que a Constituição diz, ou vai transformar o direito à saúde num negócio para os privados, para os grandes grupos económicos”, afirmou.
“Não estamos a falar da contratualização de uma clínica, de um laboratório para fazer uns exames, para acudir a necessidades que o Estado não é capaz de responder, mas dos grandes grupos económicos”, defendeu o secretário-geral dos comunistas.
Jerónimo de Sousa adiantou que é por isso que “o nosso partido considera fundamental uma clarificação” sobre o caminho a seguir com o setor privado na saúde, porque “deve ser um direito e não um negócio para essas multinacionais e grupos económicos poderosos”.
Os parceiros de esquerda chegaram a acordo para viabilizar uma nova lei de bases da saúde, que não faz referências às parcerias público-privadas no setor, mas Jerónimo de Sousa considerou que é "preciso agora legislação para concretizar essa lei de bases”. Ou seja, o PCP quer ter garantias de que a regulamentação, prevista no acordo, para a gestão pública do Serviço Nacional de Saúde, não abre a porta a negócios com os privados.
O secretário-geral do PCP recordou que foi o seu partido quem avançou com a ideia de uma nova solução política, a que chamaram “geringonça” e que foi com a “persistência” do partido comunista que se conseguiu que durante estes três anos “se aumentassem as reformas e as pensões recuperando também o direito ao subsídio de Natal”.
Jerónimo de Sousa adiantou que foi também graças à “insistência” do PCP que se obteve a gratuidade dos “manuais escolares, até o secundário”, realçando o “impacto que tem nas famílias”.
O líder do PCP lembrou ainda que foi o seu partido que “levou ao abaixamento dos impostos para as micro e pequenas empresas, designadamente através da redução do IVA da restauração e através do fim do pagamento especial por conta, que permitiu a muitos pequenos e médios empresários garantir melhor o seu futuro”.
Os comunistas estão a preparar a sua campanha eleitoral para conseguirem eleger Heloísa Apolónia, primeira candidata pelo distrito de Leiria, alargando o Grupo Parlamentar do PEV - Partido Ecologista “Os Verdes”.
Jerónimo de Sousa, disse que Heloísa Apolónia “trocou o certo pelo incerto e concordou connosco nesta ideia de vir encabeçar a lista do distrito de Leiria de forma a tentar eleger num sítio onde não temos deputados”.
Para Jerónimo de Sousa é a prova que os candidatos da CDU “não estão num emprego, mas sim a melhor servir os interesses do povo português, estando em Leiria, Lisboa, Setúbal ou em qualquer ponto do país”.
Apesar de não ser do distrito, o líder do PCP garante que Heloísa Apolónia tem demonstrado as suas qualidades e que apesar do distrito de Leiria não ter um deputado da CDU, o “Grupo parlamentar do PCP e do PEV pode honrar-se de em momentos fundamentais, designadamente na questão dos incêndios, do apoio à agricultura, aos pescadores, aos trabalhadores, nunca abandonarmos Leiria e sempre acompanhámos os seus problemas”.
Jerónimo de Sousa quer um PCP mais forte nas próximas eleições legislativas, revelando que “há sinais bons”. “Já há muitos anos que venho a esta festa de verão e numa consulta aos camaradas fazíamos um balanço e posso vos dizer com garantia que é das maiores iniciativas que realizámos até hoje neste espaço na Foz do Arelho”, salientou o líder do PCP, confiante de que o distrito de Leiria vai ter a voz de Heloísa Apolónia na Assembleia da República.

Uma voz ecologista na Assembleia da República

Com esta candidatura, encabeçada por uma das mais destacadas dirigentes do Partido Ecologista “Os Verdes”, a CDU pretende, também, dar grande prioridade às questões do desenvolvimento sustentável e da defesa do meio ambiente.
Heloísa Apolónia, que também discursou na Festa de Verão e sardinhada na Foz do Arelho, disse que num distrito com imensos “problemas ambientais ganhará tudo em ter diretamente uma voz ecologista na Assembleia da República”. “Uma voz que se levante pela despoluição do Rio Liz e do Rio Alcoa, desassoreamento e despoluição da Lagoa de Óbidos e defesa do Promontório da Nazaré”, adiantou.
A candidata defendeu ainda a defesa das arribas de S. Martinho do Porto e das áreas protegidas desta região.
Outro fator fundamental para a cabeça de lista da CDU do distrito de Leiria é o combate às alterações climáticas e a eletrificação da linha do Oeste, que “tem um potencial enorme para o desenvolvimento desta região, para garantir a ligação do território”.
“Não ter sido feito o investimento na eletrificação total nesta linha é um desperdício de recursos que nós não podemos concordar”, apontou, defendendo “a eletrificação total desta linha ferroviária do Oeste, assim como queremos o passe intermodal na região e o passe família também no distrito de Leiria”.
Defendeu também a requalificação do Centro Hospitalar do Oeste, a reabilitação das escolas do distrito e a criação da Universidade de Leiria.
Heloísa Apolónia disse que ficou impressionada com a moldura humana na Festa de Verão, o que lhe deu uma enormíssima confiança.
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