29-03-2021 Hugo Filipe Imprimir PDF     Print    Print

Pericultores do Bombarral sujeitam-se a prejuízo de 8,5 milhões

Desde há muito que o setor da fruticultura, mais concretamente a produção da pêra rocha no concelho de Bombarral, é unanimemente considerado de extrema importância na economia do concelho.

Hugo Filipe
Atento e sensível às problemáticas económicas do meu concelho, visitei e contactei diversos pericultores e organizações de produtores de pêra rocha, concluindo que a pandemia da Covid-19 trouxe sem dúvida custos acrescidos nos factores de produção e, consequentemente, a redução do rendimento deste setor.
Apoiado em aproximadamente 2000 hectares, a produção de pêra rocha no Bombarral apresenta dados médios anuais de faturação de aproximadamente 18 milhões de euros, gerando 2 milhões de euros em salários na produção de pêra rocha em campo e 4,5 milhões de euros de salários nas organizações de produtores ou centrais fruteiras.
Mas o ano 2020 certamente não ficará na boa memória dos pericultores do Bombarral, à semelhança de qualquer comum cidadão.
A pandemia obrigou a generalidade dos pericultores a ter um acréscimo dos custos da apanha em mais 30 %, passando de um valor médio de 0,12 €/kg para 0,16 €/kg, provocado pelo aumento do número de grupos de apanhadores e consequentemente aumento de chefias de grupo, aumento de números de transportes (dado a limitação de lugares), motoristas e tratoristas, assim como equipamentos de proteção individual. A juntar aos custos acrescidos na produção em campo de pêra rocha, a fileira teve e terá que contar também, com as regras impostas pelo distanciamento social em ambiente fechado, nas chamadas OP`s ou centrais fruteiras, e aí o aumento do custo no maneio, preparação e embalamento da fruta são mais 17 %, fixando o valor aproximadamente em 0,37 €/kg somando um total de custos de 0,53 €/kg.
Para além dos custos acrescidos provocados pela pandemia, os produtores de pêra rocha do concelho de Bombarral depararam-se com outro enorme prejuízo na campanha de 2020, a redução de 38 % da produção (valores médios) devido a causas naturais.
O preço que o mercado está disposto a pagar antes de transporte e das prateleiras dos supermercados, situa-se entre os 0,55 € e 0,60 € por kg de pêras, valor idêntico ao praticado em anos anteriores à atual pandemia, o que fica muito aquém do esperado e do necessário, pois com estes valores ficam comprometidas as amortizações, para além dos investimentos futuros, estimando-se assim um prejuízo de 8,5 milhões de euros. Os responsáveis das OP`s relatam não estar a ser fácil sensibilizar quer os mercados internacionais quer os retalhistas nacionais, para a necessidade do aumento do preço da pêra rocha.
Prevejo e alerto, que praticando estes valores, podemos estar perante mais um problema que irá afetar economicamente empresários e famílias de pericultores do Bombarral e consequentemente toda a economia do meu concelho e até da região.
Estranhamente, não notei qualquer envolvimento do executivo municipal, em tentar responder a esta problemática dos produtores de pêra rocha, que infelizmente irá ser ainda mais sentida, quando começar a regularidade dos tratamentos dos pomares. Qualquer autarquia, munida do mais vasto quadro de técnicos e o Bombarral não é excepção, certamente com a pandemia Covid-19, não abandonou o gabinete de apoio ao agricultor e é para isso que este gabinete deveria realmente também servir. Note-se, que a estreita relação que este executivo camarário alega ter com o Ministério da Agricultura, e como é exemplo a vinda do sr. Primeiro Ministro António Costa, e do Ministro da Agricultura da altura, Capoulas Santos, ao Bombarral, por ocasião da assinatura do protocolo de consignação, da empreitada da Rede de Rega, do Bloco de Aproveitamento Hidrográfico das Baixas de Óbidos e Amoreira, em 9 de novembro de 2018, assim como a inauguração do Festival do Vinho e
Pêra Rocha de 2019 com honras de presença do Sr. Ministro da Agricultura naquela data, atestam que relações de proximidade não faltará de certeza, seria certamente adequado canaliza-las em prol da saúde da economia do concelho e da região.
No entanto a pandemia foi e continua a ser uma certeza, a saúde financeira dos agricultores e da económia local e regional é que depende do que se fizer por ela.
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