16-08-2018 Imprimir PDF     Print    Print

“Tacho Solidário” ajuda sem-abrigo com refeições

“Tacho Solidário” é o nome de um projeto humanitário nascido recentemente na Dagorda, no Cadaval, com vista a apoiar a população carenciada dentro ou fora do concelho.

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Jovens a participarem no Tacho Solidário
Uma ideia que ganhou forma, reuniu jovens e menos jovens, e já fez a entrega de cerca de 200 refeições nas cidades de Torres Vedras e em Lisboa.
Rita Pereira e Cláudia Fernandes, as mentoras deste projeto humanitário, entenderam que “seria gratificante” levar os jovens que estavam nas confissões para a 1 ª comunhão ao encontro dos sem-abrigo. O padre abraçou este projeto.
Tendo pensado, inicialmente, em levar os jovens que frequentam o sexto volume da catequese, após uma reunião com algumas das catequistas da paróquia da Dagorda, acabaram por decidir que esses jovens apoiariam na logística mas não na distribuição, tendo em conta o contexto, que seria “um pouco agressivo”. Direcionaram-se, então, para o grupo de acólitos da Dagorda e Vermelha, jovens estes com idades compreendidas entre os 14 e os 22 anos.
“É um grupo espontâneo, constituído por algumas pessoas com mãos que ajudam e um coração cheio de amor ao próximo”, referem.
O grupo designa-se por “Tacho Solidário” dado que a comida que nele é feita surge da solidariedade e da boa vontade de quem acredita no projeto.
“Somos, mais ou menos, doze elementos, entre adultos e jovens”, adiantam. Até chegarem à distribuição da comida, há muito a fazer e preparar: arranjar forma de confecionar 200 refeições, transportar o “tacho”, decidir o que pedir às pessoas em termos de contributo, recolher os bens alimentares são aspetos a ter em conta. A isto, juntam-se “os mails enviados e as autorizações dos pais para levarmos os jovens no nosso meio de transporte”, conta o grupo.
No dia 2 de julho, deu-se, em Torres Vedras, a primeira distribuição de 60 refeições (tacho de frango guisado com massa e uma sopa de legumes) e 10 sacos de mercearias.
Uma semana depois, a 9 de julho, foi altura de irem até à capital, proporcionar uma refeição quente a cerca de 120 sem-abrigo. “Estivemos em três praças de Lisboa, na zona da Sé, dos Anjos e no Cais do Sodré”, relatam.
Para levar esta iniciativa a bom porto, o grupo contou com a generosidade do povo da Dagorda e de algumas pessoas do Cadaval. O Agrupamento de Escolas do Cadaval abraçou este projeto, cedendo as suas instalações para a confeção das refeições. Quatro funcionárias prontificaram-se para, após o seu horário de trabalho, fazerem toda a comida. Alguns estabelecimentos ofereceram bolos, pão e carne. Três senhoras disponibilizaram-se para fazer 140 taças de arroz doce
O feedback que o Tacho Solidário tem tido, por parte da população baseia-se em comentários “carinhosos”, tais como “não deixem de ajudar quem mais precisa”, “bem hajam pela iniciativa”, entre outros do género.
“O nosso balanço é extremamente positivo, primeiro pelo facto de conseguirmos que estes jovens, por algumas horas, se distanciem das redes sociais, ficando dispostos a colaborar, e depois porque o retorno das pessoas, com as quais nos cruzarmos, faz-nos pensar que é preciso tão pouco para fazer alguém, nem que seja por algumas horas, um pouco mais feliz”, salienta o grupo.
“Isto, a par da necessidade que aqueles seres humanos têm de serem ouvidos sem juízos de valor. Todos nós temos direito àquilo que se entende por dignidade humana. É realmente gratificante roubar alguns sorrisos, promovendo alguns momentos de felicidade; isto é, poder contribuir para o seu bem-estar emocional”, afirma.
“Neste momento, já estamos a organizar vários grupos na Sobrena, para o dia 17 de setembro, na Vermelha, também em setembro, e em Campelos, em outubro. A distribuição é feita todas as segundas-feiras. Aqui deixamos o apelo a quem quiser o tacho na sua terra, por favor, contactem-nos na nossa página de Facebook. Somente juntos conseguiremos um mundo mais justo e mais solidário”, realça a equipa.
O Tacho Solidário deixa ainda o apelo, a quem puder apoiar o projeto, que poderá fazê-lo fornecendo bens alimentares ou produtos de higiene, ou ainda transporte. “Precisamos muito de uma carrinha, às segundas-feiras, por umas horas, das 19 até às 23 horas. Seria também uma mais-valia, para o grupo, que os restaurantes e pastelarias que tenham sobras ao domingo, e que queiram partilhar com aqueles que mais precisam, nos contactassem, também através da nossa página de Facebook», conclui.
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