18-04-2018 Cultura, Economia, Sociedade, Política, Lusa Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Estudo sobre património arquitetónico está em curso para se traçarem cenários económicos

Lisboa, 18 abr (Lusa) – O Estudo sobre o Potencial Económico e Social do Património arquitetónico português, de caráter cultural, hoje apresentado, vai permitir que, no final do ano, seja possível traçar conjeturas económicas para 4.000 pontos patrimoniais e ter previsão de visitantes.

Iniciado há quatro meses, o estudo resulta de uma parceria entre a empresa Spira e a Nova School of Business and Economics, da Universidade Nova (Nova SBE), e foi apresentado hoje, publicamente, pela sua coordenadora, a historiadora de arte Catarina Valença, diretora-geral da Spira, por José Tavares, da Nova SBE e José Maria Lobo de Carvalho, do Observatório do Património.

Referindo-se a estes 4.000 pontos, José Tavares, um dos coordenadores do estudo, disse que, feita "a previsão de visitantes de um determinado monumento por concelho, a dez anos”, será então possível extrapolar “para outras questões, nomeadamente económicas", e apresentar candidaturas a financiamentos europeus.

O responsável defendeu "a exploração do património como forma de desenvolvimento", um ponto aliás várias vezes repetido nesta apresentação do estudo em Lisboa.

Este estudo propõe uma abordagem qualitativa e quantitativa do património edificado, em termos nacionais, procurando “quantificar o potencial económico e social deste recurso”, e o seu contributo para o desenvolvimento regional, disse Catarina Valença, mas sem incluir museus nem centros interpretativos.

O facto de não incluir os museus foi realçado pelo arqueólogo Luís Raposo, que assistiu à apresentação.

O presidente do Conselho Internacional de Museus-ICOM Europa, a maior organização internacional do setor, realçou que os museus “são mais importantes do que os monumentos que se herdam, porque são um ato de vontade”, e referiu o conjunto de museus existentes “ao longo da corda de fronteira, que é uma manifestação de identidade nacional”.

Catarina Valença retorquiu, referindo que os museus não estão incluídos nos pressupostos do Estudo, mas a questão ia ser avaliada, assim como uma outra levantada por Vítor Ambrósio, da Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, que chamou à atenção para a necessidade de avaliar a "capacidade de carga" dos monumentos, e como esta questão pode ser contornda, tendo em conta o que os turistas querem ver.

Financiado em regime de mecenato pela Fundação Millenium bcp, o estudo, que deverá ficar concluído no final do ano, apresentará “propostas para um documento estratégico a dez anos, algo que se faz noutros países europeus e até em Marrocos”, disse Catarina Valença.

Fernando Nogueira, presidente da Fundação Millenium bcp, usando da palavra, defendeu uma gestão executiva do património, para a qual a Nova SBE está a preparar academicamente pessoas, e referiu-se a este estudo como “uma pedrada no charco que terá muito proveito, no futuro, para todos nós”.

Catarina Valença disse que este estudo vai avaliar o impacto turístico nos monumentos, a sua distribuição regional e o seu potencial.

Outro dos coordenadores do trabalho, José Maria Lobo de Carvalho, do Observatório do Património, disse que “as visitas a alguns monumentos revelam uma taxa de crescimento superior à taxa de crescimento do turismo”, e um dos monumentos citados foi o Castelo de S. Jorge, em Lisboa.

A análise económico-social é baseada num inquérito, a realizar de forma personalizada, com vista a identificar uma base de cerca de 350 elementos do parque patrimonial que, pelo número de visitantes, empregos associados e receitas diretas, permita quantificar um número de visitantes para cada concelho “da forma mais correta”.

Com base na informação recolhida, para o monumento de referência em cada concelho, vai “inferir-se, para o conjunto dos elementos patrimoniais de cada concelho, o número potencial de visitantes, empregos e receitas que poderiam ser geradas, por cotejo com os números atuais”, explicou José Tavares, da Nova SBE, um dos coordenadores.

O estudo vai analisar, paralelamente, casos concretos, nomeadamente, a nível nacional, os Parques de Sintra-Monte da Lua, as Fortalezas de Elvas, a Rota do Românico, Belmonte, na Beira Baixa, Óbidos, na Estremadura, a Rede de Museus da Baleação, na Ilha do Pico, a ilha da Madeira e a Fortaleza de Sagres, no Algarve.

No final do ano, o estudo deve apresentar dados sobre a descrição do sistema da gestão patrimonial de Portugal, nos últimos 40 anos, a caracterização do “parque” do património cultural e uma análise conceptual dos diferentes benefícios económicos, entre outros.

O Estudo permitirá ainda conhecer um conjunto de “casos de estudo” “ilustrativos das diferentes tipologias de exploração de recursos patrimoniais, e representativos igualmente das diferentes regiões/territórios do país”, segundo os coordenadores, assim como a distribuição relativa do património no espaço, em função das características dos bens patrimoniais e da caracterização socioeconómica e demográfica dos territórios, além de apresentar “recomendações estratégicas”, uma delas antecipada por Catarina Valença, a necessidade de formação profissional nos territórios, em torno do património cultural.

Segundo dados hoje divulgados em Portugal estão classificados 4.500 monumentos, 15 dos quais são considerados Património da Humanidade, além de cinco tradições que são consideradas Património Imaterial da Humanidade - fado, cante alentejano, cerâmica preta de Bisalhães, bonecos de Estremoz, arte chocalheira e ainda a falcoaria e a dieta mediterrânica, as duas últimas em parceria com cinco países.

 

NL // MAG

Lusa/Fim

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