18-05-2018 Lusa, Caldas da Rainha Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Ligação da Lagoa de Óbidos ao mar reaberta hoje

Caldas da Rainha, Leiria, 18 mai (Lusa) – O canal que liga a Lagoa de Óbidos ao mar foi hoje reaberto na Foz do Arelho, numa intervenção das autarquias das Caldas da Rainha e Óbidos para evitar a morte de peixes e bivalves.

“As marés permitiram hoje uma janela de oportunidade, aproveitada para fazer entrar água do mar na lagoa a partir das 10:00 e vai ser aproveitada a vazante, prevista para as 14:00, para que a força da água rasgue ainda mais o canal”, disse à agência Lusa Humberto Marques, presidente da Câmara de Óbidos.

A intervenção, iniciada na segunda-feira pelas autarquias das Caldas da Rainha e de Óbidos, com supervisão da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), visava reabrir a ‘aberta’, canal que liga a Lagoa de Óbidos ao mar.

O canal, que permite a entrada de água do mar na lagoa e a subsistência de peixes e bivalves, encontrava-se fechado desde sexta-feira passada, devido ao assoreamento e à formação de bancos de areia que impediam a passagem da água.

Num esforço conjunto, as duas autarquias ribeirinhas mobilizaram para o local máquinas que, ao longo da semana, procederam à retirada de areia na praia da Foz do Arelho [concelho das Caldas da Rainha] de forma a “redefinir um novo local para a ‘aberta’, cerca de 40 metros a norte” do local assoreado, disse na altura à Lusa Humberto Marques.

A intervenção, que dependia das correntes e da altura das marés, vai ao longo do dia de hoje ser complementada “com a retirada de mais alguma areia nos locais em que isso se revelar necessário” e a nova aberta será “monitorizada até ao início da próxima semana para garantir que os objetivos foram conseguidos”, revelou o autarca.

A obra surgiu na sequência das preocupações manifestadas por duas dezenas e meia de mariscadores e pescadores da Lagoa de Óbidos no início de maio.

Os pescadores concentraram-se na Foz do Arelho exigindo medidas urgentes para a reduzida ligação da lagoa ao mar, que alegavam estar a causar a morte do marisco.

A ‘aberta’, acabou por fechar totalmente alguns dias depois, o que levou à realização de uma reunião de emergência entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que tutela aquele ecossistema, as duas câmaras e as quatro freguesias ribeirinhas banhadas pela lagoa.

A APA “reconheceu a emergência da intervenção” e delegou nas duas Câmaras a retirada de areia suficiente para repor a ligação ao mar.

O fecho da aberta é uma situação recorrente na lagoa, onde o ano passado foi efetuada a primeira fase de um projeto de dragagens.

A primeira fase, que contemplava a retirada de 650 mil metros cúbicos de areia do leito da lagoa, terminou em fevereiro do ano passado.

A segunda fase de dragagens da Lagoa de Óbidos, visando a retirada de mais 750 metros cúbicos de areia, está prevista para arrancar em outubro deste ano, no âmbito de um concurso financiado pelo POSEUR - Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos - para as lagoas costeiras.

A Lagoa de Óbidos é o sistema lagunar costeiro mais extenso da costa portuguesa, com uma área total aproximada de 6,9km2 onde recorrentemente é necessário intervir para evitar o assoreamento.

Para evitar a morte de bivalves e garantir a continuidade daquele ecossistema foram efetuadas dragagens desde 1995, a maior das quais entre o final de 2011 e início de 2012, período em que foram dragados dois milhões de metros cúbicos de areia.

O projeto de dragagens atualmente em curso previa, na primeira e na segunda fase, a dragagem de 1,5 milhões de metros cúbicos de areia, mas a APA admitiu nas reuniões da comissão que, no final das duas fases, o valor total seja superior.

 

DYA // MCL

Lusa/Fim

Fonte: VIP - Oeste Global - Jornal Oeste Online / Lusa - © Direitos Reservados (conteúdo exclusivo protegido por contrato)
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