12-08-2018 Cultura, Lusa, Óbidos Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Organização do festival literário de Óbidos lamenta morte de V. S. Naipaul

Óbidos, Leiria, 12 ago (Lusa) – A organização do Folio - Festival Literário Internacional de Óbidos lamentou hoje a morte do Nobel da Literatura V. S. Naipaul, que em 2016 foi um dos escritores convidados da edição do evento dedicada à ‘Utopia’.

A Câmara de Óbidos, organizadora do Festival, “lamenta o falecimento de V. S. Naipaul, um Nobel de grande distinção”, afirmou hoje à Lusa o presidente da autarquia, Humberto Marques.

Para o autarca, a passagem do escritor por Óbidos, na edição 2016 do Folio - Festival Literário Internacional, “deixou marcas na vila e em todo o mundo”, dada a repercussão da “sua obra e da sua reflexão sobre grandes questões mundiais”.

Uma obra que, conclui Humberto Marques, “fará de Naipaul uma pessoa eterna”.

Vidiadhar Surajprasad Naipaul esteve em Óbidos a 22 se setembro de 2016, para fechar o primeiro dia da segunda edição do Folio, que celebrou os 500 anos da ‘Utopia’ de Thomas More, o Ano Internacional do Entendimento Global, o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, os 500 anos da morte do pintor Hieronymus Bosch e os 400 da morte dos clássicos William Shakespeare e Miguel de Cervantes.

O escritor que não gostava de dar entrevistas esteve durante hora e meia à conversa com José Mário Silva e com o público que encheu a tenda dos autores.

V.S. Naipaul afirmou na altura recusar ser empurrado para o silêncio e garantiu sentir cada vez mais necessidade de escrever, como forma de evitar o silenciamento.

“O que acontece, quando temos uma certa idade, é que estão a ser empurrados para o silêncio, para o não fazer”, disse, acrescentando que “a forma de o evitar é continuar a escrever mais e mais”.

Admitindo “sentir cada vez mais” a necessidade de escrever, o Nobel da Literatura disse encarar a escrita como “uma missão” para a qual acreditava “estar destinado”.

Com mais de meio século de carreira e 30 obras publicadas, o escritor confessou ainda que “um dos grandes mistérios da escrita é [para o escritor] encontrar o assunto”, o que no seu caso resultou em livros nos quais admitiu ter a preocupação de “tornar o mundo mais simples”.

V.S. Naipaul morreu no sábado, com 85 anos, na sua casa em Londres.

A sua estreia literária aconteceu em 1957, com o livro “The Mystic Masseur”, um livro com humor sobre a vida das pessoas pobres de um gueto em Trinidad.

Em 1959 conquistou o Somerset Maugham Award com a coleção de contos “Miguel Street” e em 1961 publicou aquele que a crítica considerou uma obra-prima, “Uma Casa para Mr. Biswas”, e que prestou tributo ao seu pai, contando a história de um homem com uma vida restringida pelos limites de uma sociedade colonial.

Seguiram-se outros prémios, o título de nobreza de Cavaleiro em 1990 e o Prémio Nobel da Literatura em 2001.

 

DYA/(IMA/JMR) // MP

Lusa/Fim

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