18-12-2018 Economia, Lusa, Leiria Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Sindicato dos Vidreiros lamenta perda do “saber fazer belas peças” manuais de vidro

Marinha Grande, Leiria, 18 dez (Lusa) – O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira lamenta a perda do “saber fazer belas peças manuais”, apesar de o setor do vidro continuar a ter uma grande importância para a Marinha Grande, no distrito de Leiria.

“A população da Marinha Grande e do país, têm um sentimento de perda, porque foi e é uma perda deste saber fazer belas peças quer em vidro transparente, como nas diversas cores, diversos formatos, diversos tamanhos. Também estamos a perder o saber fazer transformar as peças produzidas em vidro com a aplicação da gravação, lapidação e outras decorações, as quais são valorizadas pela beleza”, referiu à Lusa a dirigente sindical Etelvina Rosa, a propósito dos 20 anos do Museu do Vidro.

Segundo a dirigente, “não existe máquina que consiga atingir os níveis de perfeição e detalhe artístico, tal como os trabalhadores, com as suas mãos, transformam em peças únicas, cada uma diferente da outra”.

Etelvina Rosa sublinhou, contudo, que o setor do vidro continua a ser de grande importância para o concelho da Marinha Grande: “Existe um forte subsetor do vidro de embalagem, as denominadas garrafeiras, que está em expansão e com um peso considerável na exportação”.

A presidente da Câmara da Marinha Grande acrescentou que o “vidro, como todas as outras coisas na Marinha Grande, se inovou”.

“As três grandes fábricas de vidro do país estão sediadas na Marinha Grande e só de uma saem 500 camiões por dia. Multiplicado pelas três, veja-se quanto vidro não sai do concelho para todo o mundo. O vidro cresceu e cresceram os moldes. Aliás, os próprios moldes nasceram dos moldes do vidro e evoluíram para aquilo que hoje temos de melhor a nível internacional”, reforçou Cidália Ferreira (PS).

Etelvina Rosa destacou que o vidro tem ainda um grande peso na economia da Marinha Grande.

“Devemos ter em conta que temos das maiores empresas de vidro a nível nacional, com elevados níveis de exportação, que empregam direta e indiretamente muitos trabalhadores e que contribuem para a economia do município”, disse.

Os setores de referência são, atualmente, o vidro de embalagem, a cristalaria manual e automática, o vidro científico e a transformação do vidro.

“No concelho existe uma empresa de produção de vidro manual, mas há que salientar que no limite do concelho, embora já no concelho de Alcobaça, há duas fábricas de produção manual. Na Marinha Grande temos uma empresa de média dimensão de fabricação cristalaria automática também em expansão e forte em exportação”, explicou Etelvina Rosa.

Segundo a dirigente sindical, existem nove empresas na área deste setor - três são de produção do vidro de embalagem, três de vidro científico, uma de cristalaria automática, uma de produção manual e uma de transformação. No total, os quadros destas empresas empregam 1.670 trabalhadores.

Existem ainda algumas microempresas na área dos acabamentos das peças das fabricadas.

“Além das empresas de vidro, é importante ter em conta todo o desenvolvimento económico criado no concelho, com empresas de metalurgia que são necessárias às empresas vidreiras, assim como o comércio”, salientou Etelvina Rosa.

Para a dirigente sindical, a “industrialização não é um mal, porque na produção do vidro de embalagem são necessárias milhares de peças diariamente, produzidas em série, necessárias para produtos de consumo”, como, por exemplo, “boiões, garrafas para azeite, vinho, cervejas, águas”.

“Mas esta é somente uma vertente de um subsetor do vidro. É evidente que fazem falta ao nosso concelho empresas de produção de vidro tradicional, o saber dos seus trabalhadores, o passar o conhecimento aos mais novos de transformar a matéria-prima incandescente em peças de utilidade doméstica e de decoração”, alertou.

 

EYC // ROC

 

Lusa/fim

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