17-05-2018 Cultura, Lusa, Caldas da Rainha Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Teatro da Rainha estreia comédia “Paz” de Aristófanes para refletir sobre atualidade

Caldas da Rainha, Leiria, 17 mai (Lusa) – O Teatro da Rainha estreia no dia 23 “A Paz”, de Aristófanes, comédia escolhida pela companhia das Caldas da Rainha para fomentar a reflexão sobre conflitos internacionais e episódios de “violência caseira” como os recentes acontecimentos em Alcochete.

“Não é uma escolha entre outras” esta de apostar na apresentação de “A Paz”, de Aristófanes, disse hoje à agência Lusa Fernando Mora Ramos, encenador na companhia defensora de que esta é “a altura de o teatro regressar à crítica direta do que impede a paz”.

A comédia em que o autor aborda a guerra do Peloponeso, conta a história de um lavrador (Trigeu), que resolve subir aos céus, montado num escaravelho, para “questionar Zeus sobre a causa dos conflitos na Grécia e tentar encontrar, a todo o custo, soluções para paz”, explicou Mora Ramos.

Um tema tanto mais atual quanto, segundo o encenador, se assiste “à fermentação de formas de violência de tipo protofascista”, a nível internacional, “como consequência das posições de [Donald] Trump alinhado [com] o Israel dos belicistas” ou com os acontecimentos em “países como a Hungria, a Síria, o Irão ou a Coreia”.

Já por Portugal, são os “episódios de violência caseira como este de Alcochete”, que levam o encenador a sustentar a necessidade de levar à cena “um texto tão atual como o de Aristófanes”.

O regresso a este texto clássico é, para Mora Ramos, “mais que uma viagem pela história”. É “um modo de questionar tudo o que aqui e agora nos conduz para o mesmo tipo de abismo que lançou a Europa e o mundo nas duas grandes guerras que pareciam apenas lições de história”, sustentou.

A proposta de levar o público a refletir sobre como “um lavrador conseguiu resgatar a paz ao Olimpo” e de como “sem a unidade do povo da paz contra a violência dos interesses não há paz possível”, tem estreia marcada para dia 23, no largo da Copa das Caldas da Rainha, tendo como cenário a entrada do “Céu de Vidro”, antiga casa da cultura.

Este será “provavelmente o último acontecimento deste tipo a que o antigo casino servirá de cenário”, ressalvou Fernando Mora Ramos, lembrando que o edifício, património termal da cidade, foi cedido ao Grupo Visabeira, para ali construir um hotel de cinco estrelas.

No entanto, a peça tem ainda a particularidade de ser apresentada ao ar livre, gratuitamente, e de juntar em palco “um elenco de 23 pessoas”, muitas das quais ligadas a instituições da comunidade local.

Envolvendo alunos da escola Superior de Arte e Design, o coro da Universidade Sénior das Caldas da Rainha e músicos locais, a obra vai estar em cena entre quarta-feira (23) e sábado (26), no largo da Copa, onde pelo segundo ano consecutivo o teatro sai à rua no âmbito das festas da cidade que na terça-feira comemorou o feriado municipal.

 

DYA // TDI

Lusa/Fim

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