22-06-2018 Economia, Política, Lusa Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

PCP/Gaia alerta que fecho da CGD de Arcozelo deixa utentes a 7 km de outro balcão

Vila Nova de Gaia, Porto, 22 jun (Lusa) – O PCP alertou hoje que se a Caixa Geral de Depósitos (CGD) fechar o balcão de Arcozelo, Vila Nova de Gaia, os utentes, sobretudo idosos e pessoas carenciadas, terão de se deslocar sete quilómetros até ao próximo balcão.

“A próxima agência da CGD fica a sete quilómetros, na zona dos Carvalhos, e há pessoas que são idosas e pessoas que têm problemas monetários para se deslocar. Também não terão o mesmo tipo de qualidade, em termos de serviço, que teriam se tivessem o serviço [da CGD] à porta de casa”, declarou à Lusa Paulo Tavares, responsável pelo PCP de Vila Nova de Gaia, e um dos organizadores de um protesto esta tarde em frente ao balcão da CGD de Arcozelo.

Uma das manifestantes, Ana Moreira, 73 anos, lamentou que queiram encerrar o balcão de Arcozelo e assume que vai causar "um grande transtorno" às pessoas que como ela não têm meios de transporte.

"Andam a brincar connosco. Abrem dependências em qualquer canto e depois fecham, sem mais nem menos", critica.

A Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia aprovou um voto de protesto proposto pelo PCP contra o encerramento das agências de Arcozelo e Grijó e hoje aquele partido organizou um protesto à frente do balcão da CGD em Arcozelo.

Paulo Tavares recordou que desde 2013 e até ao momento no concelho de Vila Nova de Gaia “fecharam cerca de 10 agências" da CGD e que esses encerramentos prejudicam os trabalhadores porque “são postos de trabalho que se acabam por perder”. Mas também prejudica as “populações”, assim como “as empresas que trabalham próximo do banco de Arcozelo”, assinalou.

“As populações muitas vezes ficam conformadas porque pensam que de facto não vale a pena lutar, porque já está decidido e depois ouvem o nosso primeiro-ministro na Assembleia da República a dizer que o Governo não se intrometerá nas decisões por parte da administração da CGD”, lamenta Paulo Tavares, considerando errada a decisão, “porque a CGD é um banco nacional e público”.

Um outro problema relacionando com o encerramento dos balcões da CGD é o facto de ir “beneficiar a banca privada. No caso de Canelas [outra freguesia de Vila Nova de Gaia], a CGD encerrou e depois, passado uns tempos, apareceu o Santander, o que acaba por beneficiar a banca privada”, disse.

Segundo a fonte, cerca de 200 balcões da CGD já encerraram em todo o país, com reflexos ao nível do desemprego, da perda de clientes "e também em termos de imagem, porque deixa de servir como serviria se tivesse nos sítios onde as pessoas precisam”.

A Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia aprovou no início de junho um voto de protesto contra o encerramento das agências de Arcozelo e Grijó.

“Nós apresentamos na Assembleia Municipal [de Gaia] uma moção criticando e protestando o encerramento quer da agência, à repetição de outras que já foram fechando, mas em concreto estas duas de Grijó e Arcozelo. E a nossa proposta foi aprovada por unanimidade por todas as forças políticas”, recordou Paulo Tavares.

Para este ano de 2018, banco português liderado por Paulo Macedo prevê fechar cerca de 70 agências e tem havido várias manifestações de utentes daquele banco um pouco por todo o país.

Segundo informações recolhidas pela Lusa nas últimas semanas, entre as agências da CGD que irão fechar estão São Vicente da Beira (Castelo Branco), Darque (Viana do Castelo), Grijó e Arcozelo (Gaia), Pedras Salgadas (Vila Pouca de Aguiar), Prior Velho (Loures), Alhandra (Vila Franca de Xira), Abraveses e Rua Formosa (Viseu), Louriçal (Pombal), Avanca (Estarreja), Desterro (Lamego), Carregado (Alenquer), Colos (Odemira) e Alves Roçadas (Vila Real), Nogueira do Cravo (Oliveira de Azeméis), Perafita (Matosinhos) e Coimbra.

A CGD tinha 587 agências em Portugal no fim de 2017, mas quer chegar ao final deste ano com cerca de 517.

A redução da operação da CGD, incluindo o fecho de 180 balcões em Portugal até 2020, foi acordada entre o Estado português e a Comissão Europeia como contrapartida pela recapitalização do banco público feita em 2017.

Em 2017 já tinham fechado 67 balcões, encerramentos que provocaram muita polémica e protestos, sendo o mais conhecido o caso de Almeida. Assim, com o encerramento destes 70 balcões, a CGD terá ainda de fechar mais 43 balcões nos próximos dois anos.

 

 

CCM/AZF/AZM // JGJ

Lusa/Fim

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