10-05-2018 Economia, Lusa Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Sindicato pede intervenção do Governo na conserveira South Atlantic de Peniche

Peniche, Leiria, 10 mai (Lusa) - A conserveira South Atlantic, do grupo Cofaco, recebeu fundos comunitários para investir numa nova fábrica em Peniche e criar 150 postos de trabalho, mas está reduzida a 10 trabalhadores, denunciou o sindicato do setor numa carta enviada ao Governo.

“A empresa iniciou a sua atividade em maio de 2016, recebendo na altura avultadas verbas de fundos comunitários e nacionais, assumindo o propósito de criar 150 postos de trabalho. No entanto, atualmente apenas emprega 10 trabalhadores com contratos precários”, alertou o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB).

A denúncia foi feita numa carta enviada na quarta-feira ao Ministério da Economia a solicitar uma reunião, a que a agência Lusa teve acesso.

O SINTAB acompanha “com preocupação a débil situação” da South Atlantic em Peniche, no distrito de Leiria, na sequência do despedimento de meia centena de trabalhadores.

Mariana Rocha, dirigente do SINTAB, afirmou há uma semana e meia à agência Lusa que a fábrica “está a despedir trabalhadores”, estando reduzida a 10 operários dos 60 com que iniciou a laboração em maio de 2016, no distrito de Leiria.

O vínculo laboral terminou a 27 de abril para os últimos trabalhadores a receber cartas de rescisão.

Contactada pela agência Lusa, a empresa não prestou quaisquer esclarecimentos até agora.

“Os trabalhadores que lá se mantêm estão sem trabalho, pelo que a empresa fica praticamente inativa, e não há motivo para uma empresa nova estar sem laborar e sem produzir”, acrescentou a dirigente sindical.

Em 2015, a South Atlantic recebeu 2,9 milhões de euros de fundos comunitários do Programa Operacional das Pescas PROMAR (2007-2013) para a nova fábrica de Peniche, um investimento de sete milhões de euros que inaugurou em maio de 2016.

“A empresa tem de estar a laborar durante cinco anos, mas, estando a despedir trabalhadores e sem laborar, poderá ter de devolver o dinheiro do financiamento”, alertou Mariana Rocha.

O SINTAB teme que o grupo Cofaco avance em Peniche para uma estratégia idêntica à que adotou na Figueira da Foz ou no Algarve, com a venda de fábricas a outros acionistas.

“É um bom negócio receber 50% de fundos comunitários para o investimento e, depois, vender e receber o dobro do que investiu e, sendo instalações novas, o negócio é apetecível para qualquer investidor”, frisou a dirigente.

Em janeiro, a Cofaco anunciou o despedimento da totalidade dos 160 trabalhadores na fábrica da ilha do Pico, nos Açores, e o encerramento da fábrica, prometendo a readmissão no futuro da maioria dos quadros.

A administração da empresa, detentora da marca Bom Petisco, comprometeu-se a integrar os trabalhadores numa nova unidade fabril que irá construir naquela ilha e que deverá estar ativa até janeiro de 2020.

 

FYC (PPF) // MCL

Lusa/Fim

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