27-04-2018 Cultura, Lusa Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Câmara de Arruda dos Vinhos suspende obras em chafariz pombalino

Arruda dos Vinhos, Lisboa, 27 abr (Lusa) - A Câmara de Arruda dos Vinhos anunciou hoje ter suspendido as obras no chafariz pombalino da vila e mostrou-se disponível para as alterar, depois de uma queixa à Direção-Geral do Património Cultural, que foi desfavorável à empreitada.

O presidente da câmara municipal, André Rijo, disse à agência Lusa que a autarquia foi notificada pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) e mandou suspender as obras, estando em contactos para os técnicos da DGPC se deslocarem ao local no sentido de darem orientações para eventuais alterações a efetuar “imediatamente” e retomar as obras.

“Estas obras são uma aposta do município, porque queremos valorizar o património e não queremos destruí-lo”, sublinhou o autarca.

À Lusa, a DGPC informou que os trabalhos estão “em desconformidade com o projeto aprovado”, ao qual deu parecer prévio favorável.

Numa carta enviada à DGPC, no Dia dos Monumentos e Sítios (18 de abril), a que a agência Lusa teve acesso, o fórum Museum, que congrega especialistas em património, historiadores, arqueólogos, professores, investigadores e quadros do setor, alertou que “estão a decorrer obras no chafariz pombalino de Arruda dos Vinhos, que incluem a substituição parcial ou total do pavimento de origem”.

Na carta, era pedida uma “intervenção imediata com o fim de impedir que as restantes pedras de origem sejam retiradas e partidas”.

Segundo o autarca, “há largos anos que não havia obras de beneficiação no chafariz, que apresentava problemas de retenção da água e se encontrava degradado”, estando prevista, para junho, a conclusão das obras em curso.

“Não estamos a substituir todo o pavimento, mas a melhorá-lo, substituindo apenas pedras que, pelo desgaste do tempo, estão partidas ou estaladas por outras de lioz”, disse André Rijo à Lusa, na terça-feira.

Localizado no centro desta vila do distrito de Lisboa, o chafariz, classificado como monumento de interesse público, foi reconstruído em 1789, vindo substituir uma antiga fonte de pedra lavrada, pode ler-se no 'site' do município.

A existência da pedra de armas de Portugal, o escudo de D. José, no coroamento do chafariz induz um alegado apoio régio nessas obras, face às preocupações da época com o abastecimento de água às populações.

O chafariz é ainda composto por pilares, duas escadas nos seus extremos, para aceder às bicas, e um tanque retangular.

O chafariz foi reconstruído após o terramoto de 1755 e é contemporâneo das Invasões Francesas, sendo palco de muitos acontecimentos históricos, como o desbaste da sua coroa real, aquando da implantação da República, proclamada nos Paços do Concelho, em frente ao monumento.

 

FYC // TDI

Lusa/Fim

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