03-05-2018 Cultura, Lusa, Caldas da Rainha Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Pescadores reclamam intervenção urgente para evitar morte do marisco na Lagoa de Óbidos

Caldas da Rainha, Leiria, 03 mai (Lusa) – Duas dezenas e meia de mariscadores e pescadores da Lagoa de Óbidos concentraram-se hoje na Foz do Arelho para exigir medidas urgentes para a reduzida ligação da lagoa ao mar que alegam estar a causar a morte do marisco.

A preocupação manifestada hoje pelos pescadores prende-se com o facto de “metade da aberta [embocadura que faz a ligação da Lagoa com o mar] estar completamente assoreada, o que está a matar o marisco todo”, disse à Lusa João Manuel Pulido Reis, mariscador há 22 anos.

A aberta, canal através do qual é feita a entrada de água do mar na lagoa, não permite, devido ao assoreamento, “a passagem de água que chega ali e volta para trás”, impedindo a renovação da água e fazendo com que, no interior da lagoa, “a água esteja toda negra, a ganhar muito limo e a matar a ova do marisco”, que segundo o mariscador está atualmente na época da desova.

De acordo com os pescadores e mariscadores que hoje se concentraram na Foz do Arelho (freguesia do concelho das Caldas da Rainha), a situação agravou-se nas últimas semanas pondo em risco a situação de cerca de 150 trabalhadores que dependem da lagoa.

“Até ao final de junho temos que renovar as licenças e se não atingirmos 10 mil euros de volume de negócios não conseguimos licença”, afirmou João Reis, sublinhando que no atual estado da lagoa é possível "retirar apenas três ou quatro quilos de marisco por dia".

Rui Neves, mariscador na mesma lagoa, considerou hoje a situação “caótica”, reclamando “uma intervenção urgente” com “uma máquina que retire areia da aberta” e que volte a permitir a renovação da água.

A preocupação dos pescadores da Foz do Arelho foi já expressa à Associação de Pescadores e Mariscadores da Lagoa de Óbidos, que inclui também os trabalhadores da margem sul da lagoa, no concelho de Óbidos, mas cuja direção não se fez representar hoje na concentração.

Solidário com os pescadores, o presidente da Junta de Freguesia da Foz do Arelho, Fernando Sousa, disse à Lusa que vai fazer chegar à APA – Agência Portuguesa do Ambiente “as queixas dos mariscadores”.

A situação da lagoa deveria, segundo o autarca, “ter sido discutida numa reunião da Comissão de Acompanhamento da Lagoa [que integra a APA, as câmaras das Caldas da Rainha e de Óbidos, e associações profissionais e ambientais] que deveria ter acontecido em fevereiro e que, sem explicação, ainda não se realizou”.

O fecho da aberta é uma situação recorrente na lagoa, onde o ano passado foi efetuada a primeira fase de um projeto de dragagens, divido em duas fases.

A primeira fase, que contemplava a retirada de 650 mil metros cúbicos de areia do leito da lagoa, terminada em fevereiro do ano passado, “não correspondeu às expetativas”, disse Fernando Sousa, sublinhado que “as correntes voltaram a colocar a areia dentro da lagoa”.

A segunda fase de dragagens da Lagoa de Óbidos, visando a retirada de mais 750 metros cúbicos de areia, está prevista para arrancar em outubro deste ano, no âmbito de um concurso financiado pelo POSEUR - Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos - para as lagoas costeiras.

Mas até lá, pescadores e autarquia temem que “a situação se agrave drasticamente com a mudança das marés” e, admitiu Rui Neves, se não "for apresentada uma solução vamos avançar com ações de protesto”.

A Lagoa de Óbidos é o sistema lagunar costeiro mais extenso da costa portuguesa, com uma área total aproximada de 6,9km2 onde recorrentemente é necessário intervir para evitar o assoreamento.

Para evitar a morte de bivalves e garantir a continuidade daquele ecossistema foram efetuadas dragagens desde 1995, a maior das quais entre o final de 2011 e início de 2012, período em que foram dragados dois milhões de metros cúbicos de areia.

O projeto de dragagens atualmente em curso previa, na primeira e na segunda fase, a dragagem de 1,5 milhões de metros cúbicos de areia, mas a APA admitiu nas reuniões da comissão que no final das duas fases o valor total seja superior.

 

DYA // MLS

Lusa/Fim

Fonte: VIP - Oeste Global - Jornal Oeste Online / Lusa - © Direitos Reservados (conteúdo exclusivo protegido por contrato)
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