24-04-2018 Cultura, Sociedade, Política, Lusa, Arruda dos Vinhos Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Especialistas alertam para destruição do chafariz pombalino de Arruda dos Vinhos

Arruda dos Vinhos, Lisboa, 24 abr (Lusa)- O chafariz pombalino de Arruda dos Vinhos poderá estar a ser destruído, alertou o fórum Museum de especialistas em património, numa carta à respetiva direção-geral, que admitiu hoje a possibilidade de as obras não seguirem o projeto aprovado.

Numa carta enviada à Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), no Dia dos Monumentos e Sítios (18 de abril), a que a agência Lusa teve hoje acesso, o fórum Museum, que congrega especialistas em património, historiadores, arqueólogos, professores, investigadores e quadros do setor, alertou que “estão a decorrer obras no chafariz pombalino de Arruda dos Vinhos, que incluem a substituição parcial ou total do pavimento de origem”.

Na carta, o grupo de especialistas pede uma “intervenção imediata com o fim e impedir que as restantes pedras de origem sejam retiradas e partidas”.

Encomendada pela Câmara Municipal a uma empresa especializada em obras de conservação do património, a intervenção “teve o parecer prévio favorável da DGPC e está a ser acompanhada por um arqueólogo”, explicou à agência Lusa o presidente da autarquia, André Rijo, adiantando que o Município “fez de tudo para avançar com uma ação correta” sobre aquele património.

Segundo o autarca, “há largos anos que não havia obras de beneficiação no chafariz, que apresentava problemas de retenção da água e se encontrava degradado”, estando previsto, para junho, a conclusão das obras em curso.

“Não estamos a substituir todo o pavimento, mas a melhorá-lo, substituindo apenas pedras que, pelo desgaste do tempo, estão partidas ou estaladas por outras de lioz”, garantiu André Rijo.

Contactada pela Lusa, a DGPC confirmou ter dado despacho favorável ao projeto da autarquia, uma vez que previa o “estudo, conservação e restauro” do chafariz e “propunha uma intervenção de conservação e restauro fundamentada e coerente, baseando-se em critérios e metodologias totalmente adequados à situação descrita e aos objetivos pretendidos neste tipo de intervenção num monumento classificado”.

Contudo, ao ser confrontada com fotografias enviadas pelo fórum Museum, onde se veem lajes de pedra existentes no pavimento a serem substituídas por lajes novas de diferente espessura, a DGPC informou que vai solicitar à câmara “os devidos esclarecimentos sobre os trabalhos que estão em desconformidade com o projeto aprovado”.

Localizado no centro desta vila do distrito de Lisboa, o chafariz, classificado como monumento de interesse público, foi reconstruído em 1789, vindo substituir uma antiga fonte de pedra lavrada, pode ler-se no 'site' do Município.

A existência da pedra de armas de Portugal, o escudo de D. José, no coroamento do chafariz induz um alegado apoio régio nessas obras, face às preocupações da época com o abastecimento de água às populações.

O chafariz é ainda composto por pilares, duas escadas nos seus extremos, para aceder às bicas, e um tanque retangular.

O Chafariz foi reconstruído após o terramoto de 1755 e é contemporâneo das Invasões Francesas, sendo palco de muitos acontecimentos históricos, como o desbaste da sua coroa real, aquando da implantação da República, proclamada nos Paços do Concelho, em frente ao monumento.

FYC // MAG

Lusa/Fim

Fonte: VIP - Oeste Global - Jornal Oeste Online / Lusa - © Direitos Reservados (conteúdo exclusivo protegido por contrato)
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