19-06-2018 Economia, Sociedade, Política, Lusa Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

BE de Viseu critica fecho de balcões da CGD e abandono do interior

Viseu, 19 jun (Lusa) – A Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do BE criticou hoje o fecho de três balcões da Caixa Geral de Depósitos (CDG) no distrito, dois no concelho de Viseu e outro em Lamego.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o BE diz que “a CGD, enquanto banco público (financiado por todos os contribuintes), sendo um sinal da presença e da soberania do Estado, tem responsabilidades acrescidas e a obrigação de chegar onde os bancos privados não chegam, garantindo o acesso das populações aos serviços bancários”.

O BE lembra que o país, “e muito em especial o interior”, já tem “problemas sérios de despovoamento”, pelo que precisa de um banco público que esteja “ao serviço da economia, financiando o investimento das pequenas e médias empresas e a criação de emprego”.

“Entre os balcões ameaçados agora de encerramento encontram-se os da Rua Formosa e o de Abraveses, no concelho de Viseu, e o do Desterro, em Lamego. É certo que o balcão da Rua Formosa fica a escassas centenas de metros da Agência do Rossio, partilhando o mesmo gerente (é chefiada por uma subgerente), mas serve cerca de seis mil clientes, de entre os quais a população idosa do centro da cidade, é muito procurada pela celeridade do atendimento e tem um mais fácil acesso para deficientes motores, que na agência do Rossio têm de entrar por uma porta lateral”, explica o partido.

Quanto à agência de Abraveses, defende, “é inquestionável que o seu encerramento constituiria um grave atentado contra o direito ao acesso a serviços bancários não só da população da freguesia de Abraveses, com cerca de nove mil habitantes (já foi vila), mas também das populações de cinco freguesias do norte do concelho de Viseu, por ser a agência que lhes está mais próxima, num total superior a 20 mil pessoas”.

O partido não aceita também o fecho da agência do Desterro, que “serve uma população periurbana e rural idosa”, além de uma comunidade escolar, e está situada relativamente perto do hospital, de uma zona industrial e de duas grandes superfícies comerciais.

Por isso, a Distrital de Viseu do BE “apela à Administração da CGD para reverter a decisão de encerramento dos balcões acima referidos e ao Governo para interceder naquele sentido junto da Administração deste banco público, de forma a não prejudicar ainda mais as populações desta região do interior”.

“Não nos bastam os discursos de circunstância dos vários órgãos de soberania com juras de amor ao interior. Fartos de hipocrisia, queremos ações concretas. Mais do que discriminações positivas, exigimos que não nos retirem mais serviços públicos”, pede o partido.

A CGD vai fechar cerca de 70 agências este ano, a maioria já este mês e nas áreas urbanas de Lisboa e Porto, indicou na semana passada, em comunicado, o banco público, que não indicou quantas são exatamente as agências que fecharão até final de junho, nem onde se situam, dizendo apenas que muitos desses balcões estão em áreas urbanas.

Segundo informações recolhidas pela Lusa nas últimas semanas, entre as agências da CGD que irão fechar estão, entre outras, Darque (Viana do Castelo), Grijó e Arcozelo (Gaia), Pedras Salgadas (Vila Pouca de Aguiar), Prior Velho (Loures), Alhandra (Vila Franca de Xira), Abraveses e Rua Formosa (Viseu), Louriçal (Pombal), Avanca (Estarreja), Desterro (Lamego), Carregado (Alenquer), Colos (Odemira), Alves Roçadas (Vila Real), Nogueira do Cravo (Oliveira de Azeméis), Perafita (Matosinhos) e Coimbra.

A CGD tinha 587 agências em Portugal no fim de 2017 e quer chegar ao final deste ano com cerca de 517.

A redução da operação da CGD, incluindo o fecho de 180 balcões em Portugal até 2020, foi acordada entre o Estado português e a Comissão Europeia como contrapartida pela recapitalização do banco público feita em 2017.

Em 2017 já tinha fechado 67 balcões, encerramentos que provocaram muita polémica e protestos, sendo o mais conhecido o caso de Almeida.

Assim, com o encerramento destes 70 balcões, a CGD terá ainda de fechar mais 43 balcões nos próximos dois anos.

 

SSS (IM) // ROC

 

Lusa/fim

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