21-12-2018 Economia, Sociedade, Lusa Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Coletes amarelos: Manifestantes tentam bloquear trânsito, acessos ao IC2 cortados em Leiria (ATUALIZADA)

Redação, 21 dez (Lusa) - Perto de uma centena de manifestantes do protesto dos "coletes amarelos" condicionaram hoje o trânsito numa rotunda junto ao Estádio Municipal de Leiria, cidade onde a circulação de e para o IC2 foi cortada pela polícia.

Perto das 09:00, os participantes concentraram-se na rotunda da Almoínha Grande, onde o fluxo de trânsito ficou reduzido com o corte das ligações ao Itinerário Complementar (IC) 2, constatou a Lusa no local.

Tal como noutras cidades, os manifestantes procuram ocupar as passadeiras de peões para dificultarem a circulação automóvel, enquanto a polícia vai contrariando essas intenções, afastando os manifestantes, sem até ao momento se registarem incidentes.

Em Aveiro, às 09:00, a Estrada Nacional 109, junto ao nó de acesso à Autoestrada 25, foi cortada momentaneamente por cerca de 40 elementos do protesto.

A PSP conseguiu desbloquear a estrada, mas os “coletes amarelos” voltaram minutos depois a fazer dois novos cortes.

Os participantes, que cantaram o hino, têm empunhado cartazes com inscrições como “não tem perigo, o povo é sereno, o povo autoriza” e reivindicações: aumento do salário mínimo para 100 euros, redução dos impostos e “democracia pura”.

Em Viseu, no Rossio, cerca de quatro dezenas de manifestantes estão também a condicionar o trânsito enquanto atravessam continuamente as passadeiras.

A praça está a receber desde as 07:00 de hoje manifestantes, a “conta-gotas”.

“Estamos a contar com 300 a 400 pessoas ao longo do dia aqui no Rossio e vamos tentar causar algum impacto na via de trânsito com passagens alternadas nas passadeiras. Vamos ficar até às 00:30, que foi a hora que colocámos no documento entregue à Câmara”, disse à Lusa um dos organizadores.

Um cenário semelhante de tentativas de bloquear o tráfego tem sido registado durante a manhã no Marquês de Pombal, em Lisboa, e no nó de Francos, no Porto.

Na sua página na rede social Facebook, a PSP “reforça que não serão permitidos bloqueios nas estradas”.

“O único bloqueio autorizado observa-se no Nó de Infias – Braga, devidamente validado pela autoridade competente”. Em mais nenhum outro local serão permitidos bloqueios nas estradas. A PSP continua a apelar ao civismo de todos os portugueses”, refere ainda a mensagem.

Naquela cidade, todas as entradas norte, na rotunda das Infias, estão bloqueadas por mais de meia centena de “coletes amarelos” desde as 06:00, tendo-se registado já algumas altercações com automobilistas que tentavam passar, mas sem gravidade.

Segundo constatou a agência Lusa no local, mais de meia centena de “coletes amarelos” deram pontapés e atiraram garrafas a viaturas que tentaram furar o bloqueio.

Apesar do bloqueio com pesados e ligeiros, existe no local uma “faixa de segurança na via” para a passagem de viaturas de emergência.

Entretanto, às 08:15, a Autoestrada 8 tinha três quilómetros de fila a chegar às portagens de Loures, no distrito de Lisboa, segundo fonte da Autoestradas do Atlântico.

Fonte do Destacamento de Trânsito de Torres Vedras confirmou que o trânsito está a circular com lentidão.

Já nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama e as portagens de Alverca da Autoestrada do Norte (A1), importantes pontos de acesso a Lisboa, a circulação tem estado a fazer-se sem impacto do protesto ou mesmo de uma forma mais rápida do que o habitual num dia útil de manhã.

Sem qualquer perturbação e sem a presença de “coletes amarelos” têm estado também o trânsito no Túnel do Marão (entre Amarante e Vila Real), a Coluna do Infante, no Funchal, os acessos da Covilhã à Autoestrada 23 e a rotunda dos Golfinhos, em Setúbal, junto à entrada da Autoestrada 12, outros pontos assinalados pelos promotores do protesto de hoje.

O protesto em Coimbra levou mais polícia do que manifestantes até à rotunda da Casa do Sal, um dos pontos de entrada na cidade, onde o trânsito automóvel fluiu sem bloqueios.

Cerca de três dezenas de pessoas pouco mais conseguiram fazer do que desfilar pela rua em redor da rotunda, sem nunca conseguirem parar o trânsito e concentrar-se numa faixa de rodagem previamente fechada pelas autoridades policiais.

Os manifestantes foram contestando a ação da PSP, que a determinada altura os remeteu para os passeios laterais, mas também a falta de adesão ao protesto convocado através das redes sociais.

Cerca das 08:30, o grupo dividiu-se em dois pequenos grupos, tendo um deles divergido para a saída do Itinerário Complementar 2 (IC2), a cerca de 500 metros da rotunda da Casa do Sal, intenção frustrada pelos agentes policiais, tendo essa iniciativa cessado pelas 09:10.

Na Guarda, perto das 09:00, o número de manifestantes era de 16, sem haver registo de problemas no trânsito.

O trânsito no Itinerário Complementar (IC) 19 fluiu hoje de manhã como não é habitual nesta via que liga Lisboa a Sintra.

"A esta hora costuma estar tudo parado. As pessoas vieram mais cedo e já devem estar em Lisboa", comentou, pelas 07:30, o empregado de um posto de abastecimento de combustível no Cacém.

O tráfego fazia-se nos dois sentidos sem congestionamentos, situação que se manteve durante o período da hora de ponta da manhã, sem que se desse por muitos sinais do protesto.

"Isto é todos os dias um inferno. Em vez de parar, libertem o IC19 e deixem a malta andar", desabafou o funcionário do posto de combustíveis, sobre a ameaça de um dos movimentos promotores de fazer parar Portugal.

O capitão Telmo Gomes, do Comando Distrital de Aveiro da GNR, disse à Lusa que o protesto levou hoje 20 a 30 pessoas a Arrifana, no concelho de Santa Maria da Feira, na rotunda da Estrada Nacional (EN) 223. A iniciativa tem sido “totalmente pacífica” e não envolve cortes de trânsito.

Em Ovar, indicou o responsável, o dispositivo da GNR mobilizado para eventual necessidade de apoiar a PSP “acabou por ser deslocado para outros locais onde pudesse ser mais útil”.

Os protestos dos “coletes amarelos” em Portugal foram convocados por vários grupos através das redes sociais, com inspiração nos movimentos contestatários das últimas semanas em França.

Um dos grupos, Movimento Coletes Amarelos Portugal, num manifesto divulgado na quarta-feira, propõe uma redução de impostos na eletricidade, com incidência nas taxas de audiovisual e emissão de dióxido de carbono, uma diminuição do IVA e do IRC para as micro e pequenas empresas, bem como o fim do imposto sobre produtos petrolíferos e redução para metade do IVA sobre combustíveis.

 

 

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Lusa/fim

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