12-07-2018 Imprimir PDF     Print    Print

Escaparate

O Hospital Termal e o Montepio Rainha D. Leonor

Todas as semanas recebo uma imensa quantidade de mensagens privadas (por correio eletrónico e pelas redes sociais) sobre os artigos que publico nesta coluna, aqui no Jornal das Caldas. A estimativa ronda, quase sempre, 90% a favor do que escrevo, 5% contra e 5% com perguntas sobre os assuntos abordados.

Esta semana foi diferente, pois, o tema que mais causou polémica entre a população, genuinamente, fez com que recebesse uma avalanche de mensagens com a mesma interrogação: Qual a minha opinião sobre a concessão da utilização do Hospital Termal por parte do Montepio Rainha D. Leonor.
Ora bem. Que fique claro que nada tenho contra o Montepio Rainha D. Leonor, pelo contrário, é uma instituição que muito admiro e respeito.
O que direi aqui neste artigo é totalmente despretensioso, refletindo, apenas, uma modesta opinião (a minha) sobre esse assunto tão polémico. Respondendo, assim, e de uma vez, a várias dezenas de pessoas.
Ora bem, para mim – se estivesse em algum cargo de decisão, com direito a voto - existiriam apenas duas possibilidades: Ou ser a favor, ou contra a concessão da utilização do Hospital Termal por parte do Montepio Rainha D. Leonor. Jamais ficaria em cima do muro, jamais utilizaria o recurso da abstenção, já que isso seria desconsiderar os eleitores que confiaram em mim nas urnas.
Com toda a certeza (e apesar de saber da sua grande capacidade de trabalho e liderança, na área da saúde) nunca votaria a favor do Montepio Rainha D. Leonor nesse assunto tão delicado, contesto veementemente o facto de ser a autarquia caldense a assumir todos os encargos financeiros inerentes ao funcionamento do Hospital Termal e do Balneário Novo.
Preocupa-me o modo como a gestão da água termal será feita, vejo aqui uma brecha para se desrespeitar o Compromisso da Rainha. O que levará, provavelmente, a uma rutura de princípios. Especialmente os morais. Enfraquecendo, visceralmente, toda a possibilidade de tratamentos para a camada mais desfavorecida da população. O que há de mais importante numa aldeia, vila ou cidade, são as pessoas. É por elas, e para elas, que o político deve trabalhar. Votar a favor (ou abster-se) no caso desse tema tão polémico é ir contra as necessidades da comunidade.
Compreendo que a Câmara Municipal não possua condições para cuidar da gestão do Hospital Termal, porém, uma instituição como esta jamais poderia sair da tutela do Ministério da Saúde. Creio, portanto, que o Estado deveria manter-se como único responsável, e todas as obrigações serem afiançadas pelo Serviço Nacional de Saúde.
Calculo que não haja possibilidade de se voltar atrás no protocolo firmado entre a Câmara Municipal e o Montepio Rainha D. Leonor, então, resta-me desejar boa sorte a ambas as partes, aspirando que seja a população mais necessitada, independente do lugar de onde venha, a ser a mais beneficiada.
Voto contra o protocolo. Voto favoravelmente à implantação de uma política de saúde que beneficie os mais carenciados.

Rui Calisto
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