16-08-2018 Rui Calisto Imprimir PDF     Print    Print

Escaparate

Palácio Nacional de Mafra

Quando os nossos pés vagueiam pelo Palácio do Rei e pelo Palácio da Rainha, ficamos com a sensação de que estamos a viver parte da crónica portuguesa do século XVIII. Além de que, a magnificência do maior corredor palaciano da Europa, que liga os dois passos citados, enche-nos de inspiração para mergulharmos profundamente na história daquele local.

Rui Calisto
A visita teve honras, pois, fomos recebidos (eu, minha mulher e minha filha) pelo Sr. Dr. Mário Pereira, atual diretor do Palácio Nacional de Mafra, que, gentilmente, foi o nosso cicerone, mostrando-nos, por quase três horas, toda a sumptuosidade daquele monumento da Europa.
Cada ala, recanto ou objeto, revelou-nos o peso cultural e histórico que o Paço Real ostentou em remotas épocas.
Recentemente, no ano de 2017, comemorou-se o Terceiro Centenário da Colocação da Primeira Pedra da Basílica do Palácio Nacional de Mafra, um acontecimento dos maiores para a cultura portuguesa, pois, este monumento é o grande exemplo do que se conhece como Obra de Arte Total, devido à sua arquitetura, música, escultura, pintura, etc., somente perscrutando todas as suas alas, poderemos ter a noção do que é toda aquela riqueza e o que ela representa para a cultura de um povo.
Quando os nossos olhos pousam sobre aquele que é o mais importante exemplo do Barroco português, genuinamente, apetece-nos agradecer ao Rei D. João V, que o mandou construir com pedra lioz da região. O sonho desse monarca, erguido à custa do ouro do Brasil, ocupa uma área de quatro hectares, possui 1.200 divisões, mais de 4.700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pátios e saguões, algo impensável para os dias que correm.
Toda a estrutura foi perfeitamente executada e ornamentada pelos mestres da época: Na arquitetura: Johann Friedrich Ludwig (João Frederico Ludovice, 1673-1752) e Custódio José Vieira (1732-1736); na pintura: André Gonçalves (1685-1762) e Francesco Trevisani (1656- 1746); na pintura mural: Domingos António de Sequeira (1768-1837) e Cyrillo Volkmar Machado (1748-1823); na escultura: Joaquim Machado de Castro (1731-1822) e Carlo Monaldi (1683-1760); nos carrilhões: Nicolas Levache (1698-1730) e Willem Witlockx (1669-1733).
Aconselho vivamente uma visita a este esplendor cultural. O Palácio Nacional de Mafra é um monumento singular, diferenciado, sem igual em Portugal. O Palácio do Rei; o Palácio da Rainha; o Convento Franciscano; a Basílica; o seu complexo hospitalar; os seus dois carrilhões (com 92 sinos) sumptuosos; o inacreditável, e único, conjunto de Seis Órgãos de Tubos (restaurados e a funcionar); a singular, mais bonita e mais valiosa Biblioteca histórica de todo o planeta (contendo 38 mil volumes, abrangendo todas as áreas do conhecimento do século XVIII); as coleções de escultura e pintura italiana, de pintura portuguesa (por exemplo: “Retrato de D. Manuel II”, de 1908, de autoria de José Malhôa), enfim, tudo o que nos maravilha.
Antes de ir embora, convém respirar profundamente, em silêncio, observando com calma e perícia no olhar toda a luz que banha o local. Um halo de boa energia vai tomar os nossos sentidos, dando-nos coragem para dali sair. E será sempre um querer voltar.
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