16-10-2019 Bruno Gomes, secretário-geral adjunto da JSD Caldas da Rainha Imprimir PDF     Print    Print

Olhar JSD

Sobre as Legislativas

Portuguesas e portugueses exerceram o seu direito e dever de voto. Saiu vencedor o Partido Socialista que, ao contrário de 2015, desta feita ganhou mesmo. Cabe agora ao PS a procura de um entendimento parlamentar (uma “geringonça 2.0”) com BE, o PCP, o PEV, o PAN e o Livre.

A primeira palavra tem de ir para o elefante na sala. E que elefante. A abstenção nestas legislativas atingiu os 45,5%. Não só é o maior valor de sempre, como importa salientar que desde 1979 a abstenção cresceu sempre até aos dias que correm, exceptuando as legislativas de 2005. Significa isto que mais de 4.25 milhões de portugueses preferiu não escolher como quer ser governado e/ou representado nos próximos quatro anos.
Se a abstenção mantiver o seu ritmo de crescimento, oito anos poderão ser suficientes para Portugal chegar à situação onde a maioria dos eleitores para a formação do Governo ficam em casa.
A abstenção é preocupante por vários motivos, o primeiro dos quais a idade jovem em que predomina. Ninguém quer um país em que o eleitorado jovem abdica do voto, é alheio à política e longe dos políticos, nem um país em que a maioria dos cidadãos não é eleitoralmente participativo, mas a verdade é que tem sido essa a tendência.
Acredito que os motivos por detrás dos números poderão ser a desconfiança perante as instituições políticas, o declínio da identificação com essas instituições, a falta de ensino político nas escolas ou até mesmo a menor integração familiar e social. Outro fator importante poderá ser a própria frequência de publicação das sondagens, que não me parece ser uma forma de apelo ou incentivo à exerção do direito de voto, pelo conformismo que gera na população.
Quanto ao sentido de voto do povo português, parece que a retórica simplista praticada pelo PS, a conjetura europeia menos desfavorável e o populismo continuado dos partidos à esquerda que fazem parte do Governo, falaram mais alto e tiveram mais preponderância que a degradação do SNS e dos Serviços Públicos, que a falta de investimento público (e falha das respetivas metas) ou que a súbita mudança de relação entre os partidos da Geringonça já na reta final da legislatura.
Olhando para o futuro, cabe ao PSD ser a voz da mudança e da alternativa nos próximos quatro anos, através de uma política responsável de proximidade, com uma liderança forte e de uma transparência continuada, num xadrez político com novos intervenientes e com 40% de caras novas no Parlamento.
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