14-08-2019 Marlene Sousa Imprimir PDF     Print    Print

Emigrantes juntam-se na Expotur para matar saudades das Caldas da Rainha

No verão, nomeadamente no mês de agosto, é quando chegam aqueles que emigraram, por não encontrarem aqui a oportunidade que a vida lhes deveria proporcionar.

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Cristina Monteiro, 49 anos, administrativa numa instituição de crianças com mobilidade reduzida em França
Regressam a Portugal com a saudade do cheiro da terra que deixaram, do sol, da comida e da família.
Mais de mil emigrantes e suas famílias participaram na passada quarta-feira na comemoração para eles preparada na Festa de verão, na Expoeste, nas Caldas da Rainha, como forma de homenagear quem um dia partiu para fazer a sua vida além-fronteiras, à procura de melhores condições.
Estiveram presentes várias gerações de emigrantes, incluindo os mais velhos já reformados, alguns dos quais vivem cá seis meses e os outros seis meses no país que os acolheu.
Em entrevista ao JORNAL DAS CALDAS alguns dos emigrantes que se divertiam na Expotur falaram da sua vida no estrangeiro e da alegria de regressarem a Caldas da Rainha para matar “saudades da família, dos amigos, de lugares e da gastronomia” mas na bagagem também fica alguma saudade dos “filhos e netos que deixaram para trás”.

1 - Cristina Monteiro, 49 anos, administrativa numa instituição de crianças com mobilidade reduzida em França
Nasci em França, mas a minha mãe é do Coto e o meu pai é do Bombarral (Roliça). Não quero perder ligação a esta região e sempre que posso venho passar as minhas férias a Portugal. O que gosto mais das Caldas é a cidade, as pessoas e o ambiente. Noto que as Caldas evoluiu, tem mais comércio e há muitas lojas que estavam fechadas que já abriram, dando mais vida à cidade.
Quando estou em França sinto muito saudades das Caldas, nomeadamente o cheiro, a alegria e gentiliza das pessoas. Tenho quatro filhos que também gostam muito das Caldas, mas preferem vir em setembro ou outubro. Regresso a França no final de agosto e é sempre uma choradeira quando me vou embora.
Gosto muito desta festa dedicada aos emigrantes, encontro pessoas da família e amigos antigos. É um bom momento de convívio.

2 - Virgílio Brás, 65 anos, professor de matemática aposentado em França
Nasci nas Caldas em 1954 e fui para França viver. Tirei o curso e fui professor de matemática numa escola em França.
Adoro as Caldas, gosto das miúdas giras, é a minha terra natal, há sempre aquele sentimento de pertença.
Apesar de gostar muito da cidade onde vivo, nas férias de verão considero que as ruas podiam ser mais limpas. As pessoas têm que ser mais educadas e não deitar lixo no chão. No areal da praia da Foz do Arelho ainda se vê muitas beatas e lixo, é uma tristeza. No entanto, nas Caldas é visível a grande diferença em relação aos anos anteriores. Há mais comércio.
Quando regresso a França vou feliz porque tenho lá as minhas filhas e netas. No entanto, tenho sempre saudades do sol português.
Sempre que estou cá nas Caldas, venho a esta festa de verão devido ao convívio

3 - Maria Augusta Rocha, 46 anos, auxiliar de educação em França
Resido no sul de Paris e nasci em Barcelos e tenho casa em Viana do Castelo. Conheço muito bem as Caldas e venho cá muitas vezes porque tenho cá uma grande amiga e família.
Venho todos os anos e costumo percorrer o país do Algarve ao norte. Gosto muito da cidade das Caldas e passo alguns dias das minhas férias em S. Martinho do Porto e Nazaré. Adoro a região Oeste.
Este ano vim passar oito dias aqui. É a primeira vez que venho a esta festa e estou a adorar.
Regresso a França a 23 de agosto e o que tenho mais saudade é da comida portuguesa. Aqui tem outro sabor. O convívio em Portugal também é diferente.
Considero que as Caldas está mais bonita e tem mais animação nas ruas que antes não tinha. Já há muito tempo que conheço a cidade e acho-a diferente. A única coisa que tenho a apontar é a limpeza, as ruas podiam estar mais asseadas. Até a praia de São Martinho podia estar mais limpa, o areal tem algum lixo. Em Viana de Castelo é igual, as praias podiam estar mais limpas.

4 - Ana Cristina Sousa, 42 anos, auxiliar de educação/limpeza em França
Sou natural das Caldas da Rainha e fui para França. Vivo em Arpajon. Venho todos os anos porque tenho um apartamento em São Martinho do Porto.
Cada vez que venho às Caldas vejo melhoramentos. Tem desenvolvido bem. Por vezes nota-se alguma sujidade, mas no geral está bem.
A altura do regresso é sempre difícil. Quando estou em França tenho saudades da gastronomia portuguesa, do vinho, das praias, de tudo. Aqui o convívio é mais intenso, reunimos nos cafés, nos restaurantes e nas festas. Daqui a dez ou quinze anos quero voltar a viver em Portugal.

5 - José Manuel Tavares Lucas, 76 anos, funcionário da indústria de fabrico de passadeiras de transporte de pedra e carvão (aposentado), na Alemanha
Nasci no Painho, no concelho do Cadaval. Estive emigrado em Alemanha e agora tenho casa na Quinta da Marquesa (Moinho Saloio). Estou aqui em Portugal seis meses e outros seis meses em Hamburgo. No inverno vou para Alemanha e no verão estou nas Caldas da Rainha. No país alemão aguenta-se mais o frio, porque há aquecimento em todo o lado.
Eu acho que as Caldas está bem, é uma cidade que tem tudo que nós precisamos. Até tem um exagero de supermercados.
O que eu menos gosto é algumas normas portuguesas que são muito complicadas, como por exemplo eu tenho uma viatura que trouxe de Alemanha e pago 740 euros de Imposto Único de Circulação. No entanto, acho que a União Europeia vai para o ano baixar o imposto aos veículos importados.
Gosto muito desta zona e a minha esposa, que é alemã, também gosta muito do Oeste.

6 - Ana Gomes, 49 anos, empregada fabril, e Gabriel Gomes, 56 anos, empregado em indústria que fabrica molas de camiões, na Alemanha
(Ana Gomes) - Sou natural das Trabalhias, freguesia das Caldas da Rainha. Vivo na Alemanha.
Venho todos os anos em agosto e há 24 anos que venho ajudar a tasquinha da Associação Cultural Desportiva das Trabalhias. Cheguei na quinta-feira à noite de Alemanha e na sexta-feira eu e o meu marido fomos ajudar a tasquinha da nossa terra. Fazemos questão de colaborar porque é uma altura que têm muito trabalho. Quando a Expotur terminar espero fazer alguns dias de praia na Foz do Arelho com amigos.
Adoro o concelho das Caldas da Rainha, no entanto, o único ponto negativo é as rotundas não serem marcadas. Tenho sempre receio de conduzir cá.
Regresso a Alemanha a 3 de setembro e vou-me embora sempre a chorar das saudades que vou ter dos amigos e do convívio, que aqui é completamente diferente. Há sempre aquelas datas festivas em Portugal que nos marcam lá. Tenho dois filhos, de 19 e 23 anos, que também adoram Portugal. O mais velho se tivesse cá uma boa oportunidade de emprego acho que ele vinha.
Faço parte de uma associação na Alemanha que se chama União Portuguesa de Hagen, onde fazemos grelhados tradicionais portugueses de entrecosto, frango, lulas, dourada e chocos. As pessoas adoram a gastronomia portuguesa. Fazemos festas com artistas portugueses e temos o grupo “Segur4a-te”, uma banda portuguesa radicada na Alemanha que eu gostava que viesse para o ano às tasquinhas atuar. É composta por quatro portugueses onde um dos elementos é caldense. Já gravaram um CD e gostava de os ver atuar nesta festa de verão, porque eles são espetaculares.
(Gabriel Gomes) - Eu também ajudo nas tasquinhas mas só há três anos, a minha esposa é que já é voluntária aqui há mais de vinte anos.
Adoro o concelho das Caldas e quando me reformar quero viver em Portugal. No entanto, já estou na Alemanha há cerca de 50 anos, fui viver para lá com oito anos, sinto-me mais alemão do que português. Quando regresso tenho muitas saudades deste sol e dos amigos.

7- Cardoso Vaz, 51 anos, funcionário do Ministério da Cultura em Angola, e Paula Pinto, 44 anos, trabalha na empresa dos pais em Angola ligada à agricultura
(Cardoso Vaz) - Vivo em Angola e estou em Portugal a pernoitar no Sana Silver Coast Hotel, nas Caldas da Rainha em viagem de lua de mel. Escolhi as Caldas porque é uma zona que já conheço, a gastronomia é boa e as pessoas são fantásticas. Em 2008 foi a primeira vez que vim às Caldas da Rainha e marcou-me. Tenho como referência as Caldas, Nazaré e a Batalha. A partir daí tenho vindo várias vezes e tenho vários amigos aqui.
Das Caldas o que eu gosto mais é da gastronomia, dos sítios turísticos, tem uma boa localização e adorei a Fábrica Bordalo Pinheiro. As pessoas desta região são muito afáveis, completamente diferente de Lisboa.
Eu não diria uma veia, mas acho que tenho uma costela das Caldas. Esta festa, este convívio faz-me lembrar o meu país.
Quando regressar a Angola vou ter muitas saudades desta gastronomia.
(Paula Pinto) - Foi a minha primeira vez nas Caldas da Rainha e estou a adorar. Gostei de tudo, do povo, o acolhimento, é tudo maravilhoso. Vou voltar certamente.

8 - Maria Manuela Fernandes, 70 anos, trabalhou numa fábrica e num hospital no Canadá
Nasci em Braga e o meu marido é que é das Caldas da Rainha. Vivo no Canadá e em Portugal em Salir de Matos, onde tenho a minha casa.
No Canadá estão os meus filhos e netos, portanto tenho que ir visitá-los. Mas quando estou lá sinto muita falta do convívio português, do clima e das praias.
Gosto muito das tasquinhas e acho que deveriam fazer mais vezes e não só no verão.
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