31-07-2019 Mariana Martinho Imprimir PDF     Print    Print

Parte da Linha do Oeste modernizada até ao “terceiro trimestre de 2022”

O plano de modernização da Linha do Oeste, aguardado há décadas e várias vezes adiado, foi finalmente lançado, no passado dia 23, com apresentação da primeira fase de duas empreitadas, que irá permitir eletrificar a linha entre Meleças e Torres Vedras, até ao “terceiro trimestre de 2022”. O anúncio, que foi feito no mesmo dia em que o concurso público foi publicado no Diário da República e que resulta num investimento global de 74,3 milhões de euros, prevê ainda o lançamento, “dentro de dois a quatro meses”, da segunda fase do projeto, que inclui o troço entre Torres Vedras e Caldas da Rainha.

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Entidades e autarcas presentes na apresentação da empreitada
Esta empreitada, que está a ser desenvolvida pela Infraestruturas de Portugal (IP) no âmbito do programa Ferrovia 2020, será dividida em duas fases "por razões de natureza meramente técnica", apesar do projeto estar “desenhado como um único financiado na totalidade”, esclareceu o secretário de Estado das Infraestruturas, Jorge Delgado, durante a conferência de imprensa, que se realizou na sede da Comunidade Intermunicipal do Oeste.
No que diz respeito à primeira fase entre Mira-Sintra-Meleças e Torres Vedras, que abrangerá 43 quilómetros de extensão, 16 dos quais com via dupla e que tem um orçamento de 68,5 milhões de euros, “avança já”, tendo um prazo de execução de 24 meses, estimando-se que esteja concluída no terceiro trimestre de 2022.
Já a segunda fase, que corresponde ao troço ferroviário entre Torres Vedras e Caldas da Rainha, o governante sublinhou que é “menos complexo, por isso requer menos tempo para a sua execução”. Como tal, prevê que o concurso público, que tem um valor previsto de 30,4 milhões de euros, seja lançado apenas para setembro ou outubro deste ano, com o objetivo de ser terminar ao mesmo tempo que o primeiro.
O concurso também prevê o lançamento de uma empreitada, de 5,8 milhões de euros, para a construção de uma subestação de tração em Runa e de postos autotransformadores entre o troço Mira Sintra-Meleças -- Caldas da Rainha.
Está ainda prevista a construção de desnivelamentos superiores e inferiores ao caminho-de-ferro, intervenções em cinco estações e seis apeadeiros, a instalação do sistema de retorno de corrente de tração e de terras de proteção, a renovação pontual e a retificação do traçado de via, entre outras intervenções de modernização da via-férrea.
Para o governante, “estas operações irão transformar uma linha envelhecida, sem sinalização eletrónica, numa moderna, eletrificada, com sinalização e segurança”. Além disso irá “aumentar a eficiência e a competitividade da linha”, conferindo-lhe ainda uma “maior capacidade de transporte, quer de passageiros, quer de carga, uma redução do tempo de percurso, maior comodidade, segurança de transporte e fiabilidade da operação”, tendo "a expetativa duplicar o número de passageiros".
Durante a execução das obras, que “maioritariamente irão decorrer durante o período noturno, de modo a não prejudicar o serviço da CP", conta com alguns “pontos de intervenção particularmente difíceis”, nomeadamente no que diz respeito aos túneis. Face a isso, o troço Malveira-Torres Vedras, que inclui o túnel do Sapateiro, estará encerrado entre novembro de 2021 e março de 2022.
Trata-se de uma estrutura antiga, que não tem altura suficiente para acolher a catenária dos comboios, como tal, a “solução técnica encontrada foi rebaixar a plataforma no atravessamento do túnel”, explicou o vice-presidente da Infraestruturas de Portugal, Carlos Fernandes.
Nesse sentido, esta eletrificação do troço até às Caldas da Rainha "permitirá a redução do tempo de percurso entre Caldas e Lisboa, em cerca de 30 minutos", o que na sua opinião será “uma enorme mais-valia para as cidades desta região, nomeadamente ao nível turístico", dando como exemplo o caso da Linha de Sintra, que recebe "dois milhões de turistas por ano transportados pela CP". Destacou ainda que a viagem entre Torres Vedras e Lisboa demore 50 minutos e entre Caldas da Rainha e a capital cerca de uma hora e meia.
Por resolver fica a questão do troço a norte das Caldas, embora seja uma obra prevista no Plano Nacional de Investimentos 2030, referiu o secretário de Estado, adiantando ainda que as novas composições deverão chegar mais ou menos na mesma altura em que a linha esteja a entrar em operação.
No que diz respeito ao património edificado da Linha, que deixará de ser útil, Jorge Delgado explicou que a IP já está a “encontrar diretamente com os autarcas circunstâncias que possam conduzir à utilização desses espaços com concessões para determinadas atividades”.

Modernização vem "tarde, mas mais vale tarde do que nunca"

Esta modernização, que compreende um investimento global superior a 155 milhões de euros, comparticipados pela União Europeia, vem "tarde, mas mais vale tarde do que nunca", sublinhou o presidente da OesteCIM, Pedro Folgado. Além disso será importante para dinamizar a economia oestina local e para a sustentabilidade ambiental, diminuindo assim a pegada carbónica da região. Igualmente referiu “não deixar de insistir no resto do troço para norte, pois a ligação da Linha na sua plenitude, até Coimbra, é extremamente importante".
Já o presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Tinta Ferreira, mostrou-se confiante que “no segundo trimestre de 2022 as populações terão a oportunidade de beneficiar de um transporte moderno, confortável e com ligação próxima à capital”. Adiantou ainda que os municípios estão a trabalhar para aumentar as condições de estacionamentos nas zonas envolventes à ferrovia, de modo, a dar resposta ao possível aumento de procura.
Questionado sobre as obras de reparação do IP6 entre Óbidos e Peniche, que começaram em junho deste ano, o presidente da IP, António Laranjo, garantiu que “a empreitada está a decorrer bastante bem, com prazo de execução até ao final deste ano”. Esta empreitada, que tem um custo de 2,5 milhões de euros, irá contribuir “de certeza para que este seja o último ano com perturbações no IP6”.
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