14-08-2019 Francisco Gomes Imprimir PDF     Print    Print

Pescadores e operadores turísticos preocupados com a falta de combustível

Os pescadores de Peniche estão preocupados com a perspetiva de falta de combustível para as embarcações andarem na faina esta semana, revelando que não há nenhuma medida que possam tomar a não ser "gastar o menos possível". "Há dois postos de abastecimento no porto de pesca para as embarcações, que terão capacidade para cem mil litros de combustível. Quando já não tiverem, a única coisa a fazer é parar os barcos", disse Humberto Jorge, da Associação de Armadores de Peniche.

A atividade piscatória não é considerada uma prioridade a dar resposta em caso de falta de combustível
Segundo este responsável, em pior situação estão as embarcações mais pequenas e que saem e entram no porto de pesca todos os dias, porque "são as que têm menos capacidade de combustível a bordo, enquanto que os barcos de longa distância até podem abastecer em Espanha".
Na Nazaré os homens do mar dizem estar preparados com reservas de gasóleo. O problema é os compradores não terem combustível e não se poderem deslocar para levar o peixe. Daí que admitam a possibilidade de ficarem em terra. “Temos os barcos preparados para o desenvolvimento da greve durante alguns dias. O nosso grande problema será se os compradores não tiverem combustível para vir buscar o peixe. Não podemos andar a apanhar para atirar fora”, manifestou Joaquim Zarro, mestre da embarcação “Companheiro de Deus”.
Os operadores turísticos no mar também receiam a escassez de combustível no mês mais forte de atividades. Miguel Costa, responsável da empresa Atlantic Safaris, descreveu que “as nossas atividades dependem do combustível, como os barcos para observação de golfinhos, pesca desportiva, aluguer de motas de água e outros. Armazenámos algum combustível mas estamos na altura do ano em que temos mais clientes e não dará para mais do que um ou dois dias”.
“Acho que isto nos prejudica muito, porque é a altura em que temos mais turistas, e deixa-me preocupado a repercussão que pode ter nos anos seguintes as pessoas que vão dizer aos amigos que tiveram uma má experiência em Portugal”, referiu.
As bombas de combustível que abastecem os barcos não fazem parte da rede de emergência porque a atividade piscatória e turística não é considerada pelo Governo uma prioridade a dar resposta.
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