30-11-2018 Francisco Gomes Imprimir PDF     Print    Print

Presidente da República na Escola de Sargentos do Exército

Marcelo Rebelo de Sousa elogia formação dos sargentos nas Caldas da Rainha

O Presidente da República, que na passada segunda-feira se deslocou às Caldas da Rainha, manifestou-se em defesa dos sargentos do Exército, depois de ter sido divulgado que foi autorizada a admissão de candidatos com notas negativas para o curso de formação de sargentos dos quadros permanentes, que decorre desde setembro na Escola de Sargentos do Exército (ESE).

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Honras militares à chegada à Escola de Sargentos do Exército

A falta de candidatos suficientes para preencher as 70 vagas previstas no 47º curso de sargentos na ESE, escola formadora nas Caldas da Rainha, levou o Exército a aceitar a admissão de alunos com média negativa nas provas de Aferição de Conhecimentos de Língua Portuguesa e Matemática, revelou o Diário de Notícias, no mesmo dia em que o Presidente da República visitou o estabelecimento de ensino militar.
Marcelo Rebelo de Sousa não poupou elogios à carreira de sargento e saiu em defesa dos formandos com notas negativas no acesso ao curso, recordando os tempos em que era professor universitário e o que então dizia aos seus alunos para os incentivar.
“A melhor resposta a aqueles que apontam, aqui ou ali, numa ou noutra disciplina, na altura do ingresso ou no percurso dentro da escola, momentos menos felizes, eu digo aquilo que sempre disse como professor aos meus alunos, ainda não era Presidente da República e comandante supremo das Forças Armadas: ‘A única atitude possível é de superação, de progresso, de evolução, revelando a capacidade de recuperar e de liderar’”, declarou.
“Quantos dos meus colegas e dos meus milhares de alunos não conheceram pontualmente momentos menos felizes e os ultrapassaram e tiveram percursos notáveis, indo mesmo da exclusão no primeiro ano a professores catedráticos na escola”, referiu.
Em defesa dos candidatos a sargentos dos quadros permanentes do Exército, o Presidente da República prosseguiu com o elogio ao papel que estes desempenham na estrutura militar: “São o elo fundamental da estrutura do Exército e das Forças Armadas”.
“A competência e o profissionalismo com que os sargentos têm desempenhado as suas funções têm sido fatores decisivos para o sucesso das missões internacionais que Portugal tem assumido e liderado”, afirmou, garantindo ter testemunhado isso mesmo nas várias visitas que efetuou “aos teatros de operações” onde as Forças Armadas têm sido empenhadas, nomeadamente a Lituânia e a República Centro Africana.
Para isso, contribui, segundo Marcelo Rebelo de Sousa, a formação ministrada em unidades como “a prestigiadíssima” ESE, um “estabelecimento qualificadíssimo de ensino que tem como desígnio a formação de qualidade”.
A competência e profissionalismo dos sargentos do Exército foram enaltecidos pelo Presidente da República, considerando-os fatores decisivos para o sucesso das missões internacionais em que Portugal se tem envolvido.
A sua visita à ESE teve por base a apresentação do projeto piloto que habilitará os alunos com o curso técnico superior profissional de formação de nível 5.
O chefe de Estado visitou ainda as instalações do Centro de Línguas do Exército e assistiu a uma demonstração de atividades de treino físico de aplicação militar pelos instruendos-alunos do curso de formação de sargentos.
O general Nunes da Fonseca, chefe do Estado-Maior do Exército, afirmou que a vinda do Presidente da República à ESE “sublinha a importância do sargento no contexto da atividade militar”.

Novo curso dá qualificação de nível 5

A ESE está a implementar este ano letivo o plano de estudos proposto para o curso técnico superior profissional de sargentos, que pretende valorizar os recursos humanos “através de uma formação mais orientada para as missões que o Exército desempenha, saindo com uma dupla certificação”, indicou o comandante da ESE, coronel Gonçalo Azevedo, fazendo notar que o curso certifica o sargento como técnico profissional e como líder militar.
A formação na ESE tem vindo a evoluir ao longo dos tempos: de 1981 e 1995 os militares tinham dois anos de formação e mantinham o 9º ano de escolaridade. De 1995 a 2002 passaram a ser três anos de formação, com saída equivalente a nível 3. De 2002 até ao ano letivo passado, entravam com o 12º e mantinham o nível 3 ao longo de dois anos de formação. O modelo agora terá quatro semestres (o primeiro na ESE). Os alunos entram com o 12º ano e saem com nível 5 (este ano ainda não será concedido diploma por falta de legislação).
“Este curso está organizado no primeiro semestre com disciplinas de formação geral e científica, que vão desde a ética e a liderança à história militar, a métodos de apoio à decisão, dando abrangência necessária para que o militar tenha habilitações mais elevadas. No segundo e terceiro semestres, a par do treino físico, táticas e exercícios militares. O quarto semestre, em contexto de trabalho, contempla uma formação prática, destacando-se o comando de homens”, descreveu o comandante.
Desde 1981 que a ESE tem como missão ministrar a formação inicial a todos os cursos de formação de sargentos dos quadros permanentes e mais recentemente, desde o fim das escolas práticas, a todos os cursos em regime voluntário e de contrato. Promove também cursos de promoção da carreira de sargento-ajudante e sargento-chefe.
Estão atualmente em formação 102 sargentos no curso de promoção a sargento-chefe, três dos quais são do Exército brasileiro (95 masculinos e 7 femininos, com média de idades de 48 anos), 72 instruendos-alunos do curso de formação de sargentos do quadro permanente (66 masculinos e 6 femininos, com média de idades de 23 anos) e 42 instruendos alunos do curso de sargentos em regime de voluntariado/contrato (37 masculinos e 5 femininos, com média de idades de 21 anos).
Foram formados este ano 100 sargentos do curso de promoção a sargento-chefe, 237 sargentos do curso de promoção a sargento-ajudante e 111 sargentos em regime de voluntariado/contrato.
Desde a sua constituição, foram formados na ESE 12263 militares, dos quais 58 de países africanos de língua oficial portuguesa e 314 da GNR.
Quanto ao Centro de Línguas do Exército, instalado na ESE desde 2014, foi implementado com a missão de efetuar a aferição das capacidades linguísticas dos militares, relevantes em contexto internacional, como o Presidente da República destacou, e já realizou 16375 provas a 3275 militares. Tem duas professoras do mapa de pessoal civil do Exército e oito professoras requisitadas ao Ministério da Educação.
A escola tem participado em projetos de investigação, nomeadamente no desenvolvimento de um uniforme de combate já utilizado no Iraque e pretende afirmar-se como centro de liderança e de desenvolvimento de equipas militares.
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