12-10-2017 Maria Teresa Serrenho Imprimir PDF     Print    Print

Os votos dos eleitores

Foi sem surpresa que lemos os comentários produzidos na última semana pelos partidos concorrentes às eleições autárquicas.

Os que obtiveram resultados melhores do que os alcançados há quatro anos e cumpriram as suas metas e expectativas, lisonjearam a maturidade do eleitorado e autoelogiaram as suas inefáveis virtudes. Os outros, procuraram justificações para o infortúnio próprio e a ventura alheia, especulando sobre a transferência de votos do Movimento Independente MVC - Viver o Concelho – que concorreu em 2013, mas não em 2017 – para os bem-aventurados destas eleições. Não deixa de ser curioso e significativo que, embora fisicamente ausente, o grupo de cidadãos eleitores, reunido sob a sigla MVC, tenha estado sempre presente no imaginário dos candidatos e eleitores caldenses.
Afirmaram uns que os votos do MVC foram para o PSD, enquanto outros defenderam que foram para o PS, o BE ou outro partido qualquer (e porque não para a abstenção?). Na verdade, os votos do MVC não foram para lado nenhum, pela simples razão de que o MVC nunca foi proprietário dos votos de ninguém. Quando concorreu há quatro anos, o MVC foi sempre muito claro na asserção de que os votos eram dos eleitores soberanos e não dos partidos políticos que deles usualmente se apropriam, motivo pelo qual nunca se interessou, quer por saber qual tinha sido a escolha da sua base eleitoral em escrutínios anteriores, quer pela orientação ideológica dos seus votantes e apoiantes (desde que democrática e interessada no bem da comunidade). Coerentemente, também agora se considera politicamente irrelevante e, até, despiciendo, saber em quem possam ter votado os mesmos eleitores.
O Movimento Independente MVC - Viver o Concelho, enquanto emergência da cidadania ativa e participativa, decidiu concorrer às eleições autárquicas de 2013 porque entendeu então, em diálogo com os cidadãos e com elevado sentido de responsabilidade e entrega, que fazia falta uma voz nova e diferente nos órgãos autárquicos caldenses. O MVC cumpriu de forma exemplar o seu mandato municipal, granjeando o respeito dos eleitores e dos seus pares na autarquia. Em 2017, após auscultação dos seus apoiantes e tendo em conta a nova realidade local, o MVC decidiu diferentemente sobre a sua intervenção eleitoral autárquica, mantendo no entanto a sua intervenção cívica ativa, através da Associação MVC, de que os encontros mensais “21 às 21” são um exemplo bem conhecido.
Não se exclui, naturalmente, que o MVC possa no futuro vir a candidatar-se a novas eleições, se essa for a sua ponderação e decisão. Mais do que um direito que lhe assiste, seria uma obrigação que os cidadãos lhe imporiam, designadamente daqueles que participam na comunidade e veem os autarcas como representantes das suas aspirações nos órgãos autárquicos (e não como peões de brega do seu desinteresse e irresponsabilidade cívicos). Mas, se voltar a apresentar-se a novo escrutínio autárquico, o MVC dirigir-se-á a todo o eleitorado sem distinção de qualquer tipo, não para tirar e ficar com os votos de quem quer seja, mas para respeitar e valorizar os votos que pertencem e pertencerão sempre aos eleitores soberanos. Única e exclusivamente a eles próprios.

Pelo Movimento Independente MVC - Viver o Concelho

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