04-09-2019 Mariana Martinho Imprimir PDF     Print    Print

APMA promoveu o projeto na Feira dos Frutos

“Pro Energy” prevê novos produtos alimentares através de frutos de baixo valor comercial

A criação de novos produtos alimentares e bioenergia através de frutos de baixo valor comercial e de resíduos agroindustriais, como polpas ou outros produtos transformados é o objetivo do projeto “ProEnergy”, que foi apresentado no passado dia 23 de agosto, durante a Feira dos Frutos, na Casa dos Barcos, no Parque D.Carlos I. Trata-se de uma iniciativa, que está a ser desenvolvida pelo Instituto Superior de Agronomia (ISA), e que pretende reduzir os custos associados ao respetivo tratamento, armazenamento e transporte de material vegetal descartado nas operações de escolha de quatro empresas do sector agrícola da região Oeste.

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Joana Rodrigues apresentou o “ProEnergy”
Nas centrais fruteiras, a quantidade de fruta não valorizada para o mercado em fresco, devido a tamanho não conforme e outras características físicas não apreciadas pelo consumidor é “elevada”, sendo consideradas como “bio resíduos industriais”, que contêm ainda elevados teores em matéria orgânica e microbiológica. Esta última questão, coloca problemas adicionais na ótica da segurança alimentar, uma vez que a sua presença na proximidade das linhas de produção, representa um foco de contaminação. Face a isso, é “necessário a rápida eliminação desses bio resíduos da planta industrial, sendo assim uma parte aproveitada para as abordagens tradicionais (alimentação animal, incineração e compostagem), o que não é eficaz e acarreta custos para as empresas”, explicou a bolseira do projeto “Pro Energy”, Joana Rodrigues.
Para contornar este problema surge o “ProEnergy”, com intuito de implementar um conjunto de estratégias de gestão, com vista a promover a valorização dos bio resíduos, e assim “reduzir o desperdício alimentar, diminuir o impacto ambiental, e minimizar os custos da cadeia de produção”. Além disso, pode contribuir para uma bio economia circular e para a sustentabilidade das agroindústrias.
Este projeto, que é financiado por fundo comunitários, está inserido num conjunto de quatro projetos da APMA – Associação dos Produtores de Maçã de Alcobaça, que se encontram em curso, no âmbito da medida do PDR2020 Grupos Operacionais, em parceria com algumas organizações de produtores associados da APMA e várias empresas de produção, como é o caso da Campotec, da Frubaça e da Granfer.
Nesse sentido, o ProEnergy propõe a implementação de alternativas que, mais do que contornar o problema, constituam uma forma de valorização, em que as frutas não conforme, para o mercado em fresco, poderão ser transformadas em novos produtos, como polpas ou bebidas, ou então para a produção de bio energia.
No que diz respeito à criação de novos produtos alimentares, Joana Rodrigues, explicou que envolvem três etapas, tais como, a otimização das formulações do produto, otimização dos tratamentos térmicos, caracterização do produto e avaliação da sua “shelf life”. Nesse âmbito já foi desenvolvido por uma aluna do mestrado do ISA, produtos como polpas, feitos a partir de bio resíduos de produtos hortofrutícolas.
Além dos novos produtos, os bio resíduos também podem ser transformados em aditivos para fortificação de alimentos processados ou para a indústria da cosmética, farmacêutica ou outras, acrescentando assim valor a subprodutos sem valor comercial não utilizados pelos parceiros industriais.
Contudo, salientou que alguns dos bio resíduos não tem caraterísticas adequadas para valorização alimentar, sendo esses encaminhados para a valorização energética, através do processo de bio digestão anaeróbica. Esta alternativa já tinha sido anteriormente testada pela equipa do ISA, cuja unidade de produção pode vir a ser implementada nas próprias indústrias geradoras de resíduos.
Neste momento, o projeto já se encontram a realizar ensaios de codigestão no ISA, ao nível laboral, mas posteriormente pretendem efetuar testes nas agroindústrias através de uma unidade de piloto móvel.

Cooperfrutas
um exemplo de
reaproveitamento e valorização
de resíduos

Este tipo de conceito de “reaproveitamento de bio resíduos” já é utilizado pela Cooperativa de Produtos de Fruta e Produtos Hortícolas de Alcobaça (Cooperfrutas), que também é parceira no projeto “ProEnergy”. “Há cinco anos decidimos desenvolver uma linha de purés com o objetivo de reaproveitar os bio resíduos, que tínhamos principalmente durante a apanha”, explicou João Silva da Cooperfrutas, adiantando que “entre 5 a 6% da fruta que nós manuseamos durante a campanha, era considerada como imprópria para venda, sendo direcionada para a indústria dos sumos, ou então, para alimentação animal”.
Face a isso, a Cooperfrutas desenvolveu uma linha de purés com 100% de fruta, sem qualquer adição de açúcar, para combater o desperdício alimentar e reaproveitar os bio resíduos. No entanto, a Cooperfrutas teve “algumas dificuldades implementar este hábito de consumir puré de fruta na mesa dos portugueses”.
Além disso, a empresa apostou na produção de composto orgânico, como forma de reaproveitamento e de valorização dos resíduos orgânicos, provenientes dos pomares dos seus associados. “Este produto é proveniente da manipulação da fruta na central fruteira onde surgem resíduos orgânicos, tais como folhas, pedúnculos da fruta e frutos podres que são rejeitados pelo processo produtivo e são utilizados para a produção deste composto orgânico”, explicou o responsável, adiantando que o composto orgânico é comercializado em sacos com 750 gramas, em 35 lojas do distrito de Leiria.
Com a participação no “ProEnergy”, a Cooperfrutas vai poder alagar a oferta de produtos alimentares, feitos a partir do reaproveitamento de resíduos. Ainda no âmbito da sustentabilidade, a Cooperfrutas colocou em prática um plano de racionalização de energia elétrica, que consistiu na instalação de um sistema de produção de energia, a partir de fontes renováveis, com uma instalação de cerca de 1.020 painéis solares fotovoltaicos, na cobertura da central. Essa iniciativa, segundo João Silva, já permitiu reduzir 85 toneladas de CO2 por ano, o que correspondente à plantação de uma floresta com uma dimensão de cerca de 19 estádios de futebol.
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