13-05-2018 Maria Dulce Horta Imprimir PDF     Print    Print

Ser ou não ser

Ser ou não ser é mesmo a questão à qual vou tendo a certeza que cada vez menos seremos.

Maria Dulce Horta

A palavra de hoje é solidariedade, cada vez menos usada e sentida.
Nos dias que correm, os verdadeiros valores são cada vez mais discriminados, por quem observa e por quem os recebe...não podemos ser egocêntricos ao ponto de pensar que somos os únicos a tentar ajudar ou a fazer o bem...longe disso, tal ideia. São muitos os que lutam contra as fraquezas e os fracos sentimentos desprovidos de solidariedade.
Esta palavra, solidariedade, tem sempre dois sentidos, o de quem dá e o de quem recebe.
Quanto mais entramos neste tipo de mundo mais nos apercebemos que a palavra atitude e solidariedade, já não tem muito sentido e irá desaparecer com o tempo e a evolução das sociedades. Vejamos então:
Na nossa habitual vivência e experiência vemos que quem não dá é considerado frio e sem sentimentos pelo próximo! E quem recebe e despreza quem ajuda o que será?
Agora pergunto, será que não é a forma como estes seres desprovidos de humildade, que recebem e desprezam, que não vão tornando a humanidade cada vez mais desprovida de sentimentos solidários e ditos humanos?
Esta questão que faço, ser ou não ser, é mesmo a questão tem uma lógica! A partir das minhas experiências de vida e de lidar com certas situações e com certas pessoas irei ver se mantenho as mesmas ideias ou as modifico, ser ou não ser será modificado, ou não será?
Nas sociedades atuais verificamos que se não somos, somos seres frios, mas se somos, somos loucos... Se somos, somos felizes mas também infelizes por sermos considerados loucos! Se não somos, somos frios e sem sentimentos!
A loucura de se ser já a conhecia, podemos concluir com certas frases estigmáticas e estereotipadas que é verdade o que digo, não remes contra a maré, não podes mudar o mundo sozinho, Roma e Pavia não se construíram num dia...
Agora, a de se ser considerado louco por quem recebe tenho vindo a conhecer essa realidade aos poucos! Algumas das pessoas, digo de novo, algumas das pessoas que recebem a ajuda de outros desconhecem totalmente que quem as ajuda também sofre e que tudo na vida tem um sentido. Temos de ser para serem para nós! Temos que mesmo num momento de aflição saber que não somos o centro de tudo e que quem vem em nosso auxílio nos ajuda de coração, e isso observa-se bem!
Será que nos dias que correm, num mundo de insensibilidades e egocentrismos, quem dá a mão de forma genuína, deixando muitas vezes a sua vida de lado, a dá com sofismo ou oportunismo? Muitas vezes sim mas nem sempre. Nós que somos seres pensantes e intuitivos temos de saber distinguir.
Existe também aquele tipo de crente que somente se lembra de Deus quando precisa! Aí reside o problema e que muitos destes não entendem que ser crente não é isso, ser humano não é isso, construir uma sociedade solidária não se constrói assim, ensinar os nossos filhos não é dessa forma.
Devemos nós ser o exemplo, para a nossa consciência estar tranquila e depois fazer as coisas de coração sem as fazer somente quando precisamos ou para nós. Não devemos também desprezar quem de bom se cruza na nossa vida pois ao fazê-lo estamos a modificar as atitudes das pessoas para pior!
Um dia seremos alguns dos culpados de cada vez menos se ser!
Vou dar um exemplo, já conhecido de muitas das parábolas. Um agricultor semeia, trata, rega, espera e só depois colhe e por fim come. Se se tentar inverter o sentido, nada irá funcionar, não podemos colher sem antes semear e por aí em diante.
Será que em momento algum se pára e se reflete nisto?
Muitos não pensam e muito menos agem, tenho a certeza, pois somente na altura de matar a fome se lembram que existe algo universal, o próximo, o vizinho e o desconhecido e mesmo assim olham para todos os que ajudam de forma desconfiada e presunçosa, como se os outros não notassem a sua desconfiança e que leva esses mesmos a concluir que só agora que precisas conheces a palavra ajuda e por esse motivo a estranhas tanto, e dela desconfias...será que no mundo não existem alguns que ajudam de coração ou será que tu que tanto estranhas é que nunca ajudaste ninguém e por isso tanto estranhas? É mais fácil te desculpares e dizer que não confias nos outros do que nas tuas atitudes passadas, certo?
Já alguma vez te aconteceu dar a mão a alguém que procura algo, ela agarra o que está dentro da mão e a seguir foge e te trata como um louco, te trata com desconfiança e com desprezo?
Quanto mais procuro identificar as razões pelas quais somos seres cada vez menos solidários mais respostas distintas encontro das que pensava conhecer.
Estudar a sociedade, concluir através das nossas vivências não é nada fácil no entanto, vai criando em nós filtros que ao longo dos tempos nos vai tornando Humanos cada vez menos sensíveis e cada vez mais inertes ao sofrimento alheio!
Concluo então que ser solidário ou não ser solidário vai modificando ao longo da nossa vida e de sociedades para sociedades.
Escreveu quem pensa…
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