13-03-2019 Diana Dias/Gabriel Salvador/João Monserrate Imprimir PDF     Print    Print

Ser pai nos tempos atuais

O JORNAL DAS CALDAS perguntou a pais e filhos o que pensam sobre o dia do pai e que de forma é que veem a figura paternal nos dias de hoje. 1-O que significa o dia do pai para si? 2-Costuma comemorar o dia do pai? 3-Como é que as novas tecnologias afetam ou ajudam a relação entre um pai e um filho? 4-Qual é a diferença da educação de um pai para os filhos quando comparado com antigamente? 5-Qual seria o melhor presente que um pai poderia receber de um filho ou qual o presente que gostaria de oferecer ao seu pai?

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Joaquim Fernandes, 60 anos, operário fabril
Paulo Lucas, 52 anos, empresário
1-O dia do pai para mim é para ser passado com os meus filhos, que são a justificação para nossa vida. Os meus filhos são o que eu mais prezo.
2-Nós damos sempre uma prenda aos nossos pais e felizmente ainda tenho um pai. Já está com 81 anos mas ainda está cá.
3-Eu acho que até nem afetam, até aproximam, eu tenho uma família de emigrantes e estas novas tecnologias, tablets por exemplo, permitem que as pessoas se vejam e falem. Eu tenho um irmão nos Estados Unidos e ele através destas tecnologias consegue ver os netos e os bisnetos, para ele é uma alegria, algo que antigamente seria impossível, menos quando vinham de férias.
4-Existem muitas. Dantes numa família os filhos é que ajudavam uma família inteira. O meu pai vinha de uma família de nove irmãos, a minha família vem de uma família de seis irmãos, era uma família muito grande, os próprios filhos tinham de ajudar. Agora é o contrário, os filhos ficam em casa dos pais até muito tarde muitas vezes, os próprios pais é que têm de dar uma ajuda. Antigamente, a juventude era diferente, começava o trabalho muito cedo, estava-se só até ao terceiro ou quarto ano, não havia outra opção senão ir trabalhar. Atualmente nós queremos é um futuro melhor para os nossos filhos. Eu tenho uma filha na Universidade e sempre tentamos dar-lhe outras coisas que nós não tivemos.
5-Para mim a melhor prenda seria saúde. Saúde é o que prezo mais, estarmos todos juntos e termos saúde, porque pai é todos os dias e não num só dia.

Miguel Lopes, 38 anos, empregado de limpeza
1-Sinceramente é um dia como os outros. O dia do pai é todos os dias, desde que tenhamos os nossos filhos ou pais perto de nós. De qualquer das maneiras é sempre um dia muito importante.
2-Costumo, mas como moro no estrangeiro é mais complicado, mas quando estava em Portugal era mais fácil, era sempre bem recebido pelo meu filho, recebia prendas, agora é simplesmente através do telemóvel, faz-se vídeochamada.
3-No meu caso como não vivo com ele é ótimo, estamos à distância de uma vídeochamada, que é o que se usa nos dias de hoje, isto também torna tudo mais fácil, as viagens de Londres para cá também são relativamente acessíveis, há sempre comunicação, não há presença física, mas há sempre possibilidade de nos vermos, de falar, dar conselhos de pai para filho ou para filha, mesmo à distância corre tudo bem.
4-Agora com as novas tecnologias, já que estamos a falar nisso, é bastante diferente. Eu tenho 38 anos mas sinto-me um pai jovem quando em comparação aos meus pais com a minha idade. Se eu for perguntar ao meu filho, sobre mim ou sobre os avós, a diferença é brutal, porque já nascemos numa geração diferente, onde começou a tecnologia, ele já é adolescente e já é muito agarrado às novas tecnologias, portanto para ele influencia muito, o desenvolvimento é muito rápido, mas ajuda bastante. Hoje em dia as crianças já não conseguem viver sem o tablet ou o telemóvel, enquanto na minha infância era estar na rua a jogar à bola, castigo para mim era estar em casa fechado, para eles ficarem em casa é uma maravilha, têm jogos, tablet, internet, que no meu tempo havia mas era menos.
5-Ao meu pai é mais presença física, estar no estrangeiro e vir quando se pode é complicado. Em relação ao meu filho aplica-se o mesmo, mas hoje em dia o que está longe torna-se perto desde que se queira, eu gostava era de poder voltar para Portugal e estar perto dos dois. Vamos ver o que o futuro trará.

Joaquim Fernandes, 60 anos, operário fabril
1-O dia do pai é um dia especial para quem tem o dom de ser pai e também é uma responsabilidade grande porque ser pai não é só ser pai de nome, pai significa criar, educar e depois tentar transmitir os valores essenciais para que os nossos filhos se tornem os futuros donos do amanhã, com todos os valores corretos, que hoje em dia há muitos que não se veem, desde o respeito que é essencial para todos, que é algo que se está a perder um pouco ultimamente mas tentamos fazer o melhor e que os nossos filhos sejam o nosso espelho.
2-Não comemoro com festa. Mas há sempre uma atenção dos filhos em juntarem-se em casa e fazer-se um lanche, se houver possibilidade um almoço, com a família toda.
3-Afeta, embora não seja só isso. As novas tecnologias tiram um bocadinho o diálogo e também as brincadeiras, antigamente brincava-se mais na rua, mas como também não existiam tantos perigos, atualmente a exigência é grande. O tempo parece que é pouco, também por culpa nossa porque há sempre tempo para tudo, mas as novas tecnologias são boas, são o futuro, mas se não forem usadas com regra tiram o diálogo da família, a relação humana e o contato perde-se um bocado com as novas tecnologias.
4-Isso é muito subjetivo, hoje também há mais informação. A educação dos nossos pais era de uma geração um bocado mais antiga. Não era má, era dura mas também não tinham outros meios, não tinham sido educados de outra forma. Com esta evolução dos tempos a educação é obrigada a ser diferente. Antigamente a educação era dada em casa, havia a mãe sempre em casa com os filhos, essa educação era diferente. Se não for bem equilibrada, pode perder o valor. Hoje me dia a educação é dada em creches, nas escolas, a diferença está aí, antigamente era mais pessoal.
5-Um simples sorriso, um simples beijo. Ao meu pai se eu pudesse eu dava-lhe, mas já não se encontra entre nós, mas acho que o mostrar a gratidão que um filho também para com um pai é uma alegria. Nem que seja um olá a correr, infelizmente pelas vidas profissionais não se pode estar muito presente, mas chega. Não é preciso muito para sermos felizes.

Simão Santos, 32 anos, lojista
1-É um dia que serve para identificar aquilo que nós devemos fazer todos os dias, que é lembrarmo-nos dos nossos pais e daquilo que acabou por ser na nossa vida. As brincadeiras e o andar de bicicleta. Vivências que sou eu que agora estou a passar a fazer isso com os meus pequenos, ou seja, as memórias que tenho, acabam por ser aquelas também que quero transmitir para os meus filhos.
2-Assinalo a data com o simbolismo, nada de especial. Acaba por ser mais um dia onde há uma lembrança especial, não que seja nenhum presente, mas o toque.
3-Pode afetar quando não é tido um doseamento da utilização, mas também pode aproximar muito mais em caso de distância. Há brincadeiras que conseguimos ter através das novas tecnologias, que podem aproximar os pais e os filhos, desde que seja bem comedido e bem doseado.
4-Antigamente se calhar tinha-se mais preocupações do dia a dia, na rua, ter cuidado para que os miúdos não fossem atropelados, hoje em dia os perigos não são só físicos são também a nível informático, nas redes sociais, as questões emocionais que acabam por viver na escola, que hoje em dia estão mais acentuadas.
5-Passar o dia juntos e fazer alguma atividade conjunta diferente.

João Cardoso, 27 anos, operador de supermercado
1-Dia do pai é um festejo da família, pai e filho. É um dia criado, a meu ver, bem, a favor da igualdade de género também.
2-Sempre que possível junto com os meus filhos.
3-Afetam, nomeadamente a nível de videojogos. Os miúdos hoje em dia na convivência são muito mais agarrados do que aquilo que nós éramos.
4-Eu não sei se a educação mudou assim tanto, vejo é que a tecnologia está mais presente tanto nos miúdos como nos adultos. Serem introduzidos numa fase tão precoce às tecnologias, vamos ver até que ponto não trará consequências negativas daqui a dez anos.
5-O que eu posso dar ao meu filho é presença, que nestes dias também já é escassa.

Zeferino Correia, 51 anos, técnico de farmácia e motorista
1-É um dia que não tem explicação, é um dia especial apesar de todos os dias serem dias do pai.
2-Sempre que estou presente comemora-se o dia do pai.
3-As novas tecnologias trouxeram um mundo completamente diferente daquele que eu cresci, eu não cresci com elas e vejo que hoje em dia os filhos estão muito dedicados às novas tecnologias e esquecem-se dos bens essenciais. É pena hoje em dia os pais também não terem a disponibilidade que deveriam de ter para estar com os filhos e isso vem prejudicar um pouco essa parte. As tecnologias têm os seus lados positivos e negativos.
4-Há grandes diferenças. Antigamente havia respeito e hoje em dia não se vê respeito, nós vamos na rua e conseguimos ver vários exemplos de situações de filhos para pais e de pais para filhos que na minha altura não existiam. Bastava o pai abrir os olhos e o filho ficava logo um pouco intimidado. Hoje em dia não, os pais compram os filhos com as novas tecnologias para não os terem que ouvir. Mas isso varia de pessoa para pessoa. Tenho dois filhos, um com 27 e outro com 12. São tratados os dois de igual forma e dou-lhes o essencial.
5-Um simples abraço, um simples beijo e um bom dia é o mais importante.

Hélder Gonçalves, 26 anos, empresário
1-É um dia importante em que valorizamos o pai, neste caso eu como filho e pai, acho que é um dia engraçado, principalmente para as crianças.
2-De maneira geral não, os miúdos trazem umas prendas feitas na escola, temos um convívio mas nada de extraordinário.
3- Está provado que afeta mas somos nós que temos de evitar que isso aconteça. Se andarmos constantemente com atividades com os filhos também não há tempo para que as tecnologias afetem.
4-Há diferenças como em tudo. O tempo passa e as pessoas são sempre diferentes, mas noto grande diferença na minha educação enquanto criança para a educação que dou aos meus filhos.
5-Presença. O amor que damos e recebemos que é mais importante do que qualquer bem material e estar presente para o que pai e o filho precisarem.

Alfredo Rodrigues, 34 anos, empregado de mesa
1-Significa passar o dia com os meus filhos, se tiver oportunidade, e tem que ser assim, aproveitar que o tempo passa depressa.
2-Desde que fui pai passei a celebrar. Dantes comunicava com o meu pai e desejava-lhe um bom dia. Agora tenho os meus filhos, que me desejam a mim.
3-Afetam se nós o permitirmos. Há tempo para tudo, tempo para estudar, para brincar. As novas tecnologias hoje em dia já nascem com eles, mais depressa pegam num telemóvel do que numa caneta. Temos de tentar que eles não se conectem tanto à tecnologia e que passem mais tempo connosco porque a tecnologia não ensina nada, nós é que somos importantes.
4-No meu caso não tento mudar porque eu fui bem educado e essa educação tento passar aos meus filhos. Hoje em dia vemos miúdos que têm uma educação que antigamente não havia, muitos deles são miúdos rebeldes. São tempos diferentes.
5-Para mim basta o sorriso dos meus filhos, que já me alegram o dia. Para mim o dia do pai é todos os dias. Ao meu pai era poder sorrir para ele mas como não posso, vou passar o dia com os meus filhos. Aproveitar o máximo que puder.

Francisco Salgueira, 21 anos, estudante
1-É um dia que serve para nos lembrarmos do nosso pai, apesar de nos devermos lembrar todos os dias.
2-O meu pai é camionista, logo está longe a maior parte do tempo, mas mando-lhe uma mensagem e digo-lhe mais uma vez que gosto dele.
3-No meu caso as novas tecnologias são positivas porque como ele é motorista fica assim possível comunicarmos mais. Se não houvessem estas tecnologias o contato seria mais difícil.
4-Eu acho que tem aspetos positivos e negativos. Talvez a educação que os pais dão hoje em dia seja diferente daquela que era dada há trinta anos e as novas tecnologias também influenciam isso. Hoje em dia facilmente se vê um pai a dar um telemóvel a uma criança para calar o miúdo em vez de lhe dar educação e nesse aspecto talvez dantes fosse melhor porque não existiam esses meios para distrair os filhos.
5-Se eu fosse pai acho que a melhor forma seria ouvir um filho de dizer que gosta de nós e é isso digo ao meu pai.

André Mexia, 20 anos, estudante
1-É um dia para estar com os pais e nos lembrarmos do bom que eles fazem por nós e dos sacrifícios que fazem para o nosso bem.
2-Costumo comemorar.
3-Depende muito da situação, no meu caso ajuda-me a falar com o meu pai quase todos os dias mas sei que noutros casos torna a relação mais difícil.
4-Há diferenças. Agora se calhar os pais deixam os filhos fazerem o que eles querem do que comparado a antigamente, mas a educação é diferente. Há pessoas que ainda gostam de educar à antiga. Acho que depende também de como é uma pessoa ou uma família.
5-A melhor prenda que eu posso dar ao meu pai é continuar a trabalhar todos os dias, continuar a lutar e não desistir daquilo que eu desejo fazer e sinceramente quando for pai era isso que gostava que os meus filhos me dessem. Mostrassem que não desistem e que vão estar sempre a lutar por tudo.

Fabian Bravo, 21 anos, estudante
1-Nunca pensei muito sobre isso.
2-Nunca o celebrei.
3-Depende, se estivermos a falar de longas distâncias pode ser benéfico para conseguirem manter o contato. Dentro de casa pode condicionar a comunicação entre os dois, talvez os mais jovens acabem por ficar demasiado inseridos nesse mundo e ligarem pouco à família.
4-Há diferenças, hoje a educação ficou um pouco branda. A nível de rigidez, nem estou a falar de bater nos miúdos, eu por acaso também as levei na altura certa, mas hoje em dia deixam passar as maldades dos miúdos e isso faz com que eles tomem algumas decisões erradas.
5-Se eu fosse pai acho que o bem estar e o sucesso do meu filho seria suficiente.

João Oliveira, 20 anos, estudante
1-É um dia onde podemos reviver certas memórias que podem estar mais apagadas, por exemplo, devido à distância. Com a idade nós vamo-nos sempre distanciando dos nossos pais e penso que pode ser um dia para passarmos um pouco mais tempo com eles.
2-Uma vez que estou muito longe de casa é muito complicado para mim, no entanto, gosto sempre de falar com o meu pai no dia, apesar de falar com ele muitas vezes durante o ano, tenho sempre uma atenção especial nesse dia.
3- Acho que as tecnologias até podem melhorar uma relação de pai e filho, que podem estar mais tempo juntos a jogar por exemplo, guardar memórias, e para comunicar também pode ser melhor se estiverem à distância.
4-As mentalidades são muito diferentes. Os tempos são outros, antigamente era muito mais retrógrado, eu penso que nós somos uma sociedade um pouco mais livre e menos rígida. Antigamente as pessoas eram muito mais rígidas, o pai era sempre uma figura imponente enquanto que agora o pai é mais como um amigo e um companheiro.
5-Estou muito longe de casa, o presente para o meu pai seria um abraço, que já não o vejo há muito tempo. Quando eu for pai quero que o meu filho se lembre de mim e me dê igualmente um abraço.
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