14-09-2018 Economia, Política, Lusa, Caldas da Rainha Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Socialistas das Caldas da Rainha contestam complexo comercial na antiga Secla

Caldas da Rainha, Leiria, 14 set (Lusa) – Os vereadores socialistas na Câmara das Caldas da Rainha contestaram hoje a instalação de um complexo comercial na antiga cerâmica Secla, uma fábrica histórica cuja demolição consideram ter sido aprovada sem acautelar a preservação da memória daquele património.

O complexo, a construir pela Prime Unit – Construções Imobiliário, Lda, ainda não tem projeto aprovado, mas, segundo os vereadores socialistas, prevê “a construção de um hotel, um restaurante, um hipermercado de grandes dimensões e um parque de estacionamento a céu aberto” nas instalações da antiga fábrica Secla.

Em conferência de imprensa, Jaime Neto e Luis Patacho afirmaram hoje considerar o projeto “suburbano” e desadequado “a uma zona nobre da cidade”, sobretudo atendendo “à grande dimensão e caraterísticas do hipermercado” e ao “gritante impacte” do parque de estacionamento para 156 viaturas.

Apesar de reconhecerem a necessidade de “requalificar” o espaço da antiga fábrica de cerâmicos (fundada em 1947 e encerrada desde 2008), vereadores socialistas sustentaram que “apenas o hotel representa uma mais-valia para o local, aumentando a oferta e criando instalações de três estrelas na cidade”.

A unidade, que deverá ter 98 quartos, será a segunda no país [o primeiro é em Setúbal], da rede Campanile, cadeia com mais de duas centenas de hotéis na Europa e em países como a China, Vietname e Marrocos.

Já o hipermercado, com 60 por 60 metros, será “um caixote enorme” no meio da cidade, ladeado de um estacionamento que os socialistas defendem que “deveria ser subterrâneo”.

A contestação ao projeto prende-se ainda com o facto de aquele “omitir qualquer tipo de memória coletiva sobre a importância da Secla”, já que, após as negociações com a Câmara, o compromisso dos promotores é apenas de “manter um pórtico com parte da fachada da fábrica” numa praça “com vista para o cemitério e para o parque de estacionamento”.

Segundo os vereadores, o compromisso da empresa passa ainda por criar no restaurante de comida rápida “uma sala de exposição com artigos da Secla”, de preservar um painel existente num dos edifícios e de usar elementos da fábrica na decoração do hotel.

Os socialistas defendem, no entanto, que a autarquia “deveria exigir a preservação do edifício central da fábrica”, onde se encontra o pórtico, “a criação de mais zonas verdes” e a minimização do impacto do complexo.

Contactado pela agência Lusa o presidente da Câmara, Fernando Tinta Ferreira (PSD), lembrou que se tratando de “um terreno privado não se pode obrigar o investidor a fazer mais” e considerou, ainda assim, “razoável” o compromisso do promotor.

Para o autarca a “a memória da Secla está assegurada nos vários equipamentos” e o complexo “contribui para a dinamização económica e a criação de emprego”, além de “requalificar um espaço que no final ficará muito melhor do que está hoje”, concluiu.

A Câmara aprovou no dia 10, com os votos contra dos vereadores socialistas, o projeto de demolição da fábrica.

 

DYA // MLS

Lusa/Fim

Fonte: VIP - Oeste Global - Jornal Oeste Online / Lusa - © Direitos Reservados (conteúdo exclusivo protegido por contrato)
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