08-01-2020 Marlene Sousa Imprimir PDF     Print    Print

“Solmar Canas” depois do “Pesadelo na Cozinha”

O chef Ljubomir, do “Pesadelo na Cozinha”, viajou para Caldas da Rainha para tentar resolver os problemas do “Solmar Canas”, um dos restaurantes mais antigos e conhecidos desta cidade.

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Paulo Firmino com força para enfrentar dificuldades em fazer o “Solmar Canas” progredir

Umas semanas depois do programa ir para o ar, o JORNAL DAS CALDAS foi ao restaurante para falar com o cozinheiro e responsável, Paulo Firmino, que foi a estrela do episódio transmitido na noite de 8 de dezembro na TVI. O objetivo foi averiguar quais as mudanças e se o restaurante está a funcionar melhor. 

Paulo Firmino confessou ao JORNAL DAS CALDAS que ainda tem muitas dívidas para pagar, mas que o restaurante voltou a ter mais clientes. No fundo, continua a existir um cozinheiro com uma paixão pelo “Solmar Canas”, com “força e garra” para continuar a persistir perante as dificuldades em fazer o restaurante “singrar e ser lucrativo”.


Se pudesse voltar atrás voltava a entrar no programa, que apesar de alguns episódios menos positivos “considera que valeu a pena” pela “publicidade, experiência, ensinamentos” e pela amizade que mantém com o chef Ljubomir.

Paulo Firmino não sabe, até hoje, como é que a produtora chegou até ao “Solmar Canas”. Nunca lhe responderam diretamente à questão, mas poderá ter sido “através das avaliações do TripAdvisor ou uma sugestão por referência de alguém que conhecia as dificuldades que estava a ter com as dívidas do restaurante”. 

“Pensei sempre na publicidade que isto daria à casa e na renovação que seria feita”, salientou o dono do restaurante. “Estava cheio de dívidas e não tinha empregados de mesa, não tinha nada a perder, então avancei para o programa e não estou nada arrependido”, admitiu.  

No final das gravações que aconteceram em setembro de 2019, deram-lhe 2.500 euros em dinheiro, a pintura do restaurante, pratos de sobremesa, um grelhador, um fogão e dois armários no valor de cerca de 8.000 euros.

“Tive 896 mil pessoas a ver o programa. Caldas da Rainha parou na noite de 8 de dezembro para ver “Pesadelo na Cozinha”, porque a maioria já sabia que era o Canas”, contou Paulo Firmino, acrescentando que ainda hoje “pessoas passam na sua viatura na rua e param à frente do restaurante para olhar para dentro”. 

Paulo Firmino disse que antes do programa sair na TV, ouvi várias histórias a dizer que “tinham fechado o restaurante porque havia muitos ratos e baratas e isto foi uma chapada para certas pessoas”. 

O responsável garante que não tem ratos, apontando que “no primeiro dia das gravações a Câmara veio pulverizar a tampa de esgotos que está à porta do restaurante. Saíram baratas dali de dentro. Não sei se foi a Câmara das Caldas que mandou ou se foi o elenco do “Pesadelo na Cozinha” que mandou fazer”, declarou, revelando que a rua apareceu limpa nesse dia. 

Quanto aos bifes de frango que colocou a descongelar no frigorifico, “ganharam água e ficaram com cheiro”. “Se tivesse metido uma rede por baixo a água não teria contato com o frango”, adiantou. No entanto, confessou que teve muita culpa no episódio com o fígado. “O talho veio-me trazer o fígado e eu deveria tê-lo marinado de imediato e não o fiz”, explicou.

O que mudou depois do programa sair no ar? “Muita coisa”, disse o responsável, revelando que é importante “rodar a ementa conforme temos o produto”. “Todos os conselhos que o chef Ljubomir me deu são importantes”, afirmou.

A carta também não ficou igual. “Ela tinha muitos pratos e o chef deixou-me uma carta muito reduzida. Com a que ele deixou com entradas para picar e dois pratos de peixe e outros dois de carne e sem menu diário era para fechar. Voltei a ter a diária dez euros sem sobremesa e doze euros com sobremesa (sopa, prato, bebida e café)”.

No entanto alguns pratos continuam a ser reis, fazendo jus à história do restaurante. Tem, por exemplo, o caril de gambas com champignons, o bacalhau à Braz (3 gemas e 1 ovo), polvo à lagareiro, açorda do mar, arroz de tamboril, secretos de porco Ibérico, picanha grelhada, arroz de marisco, caldeirada de lagosta, entre outros. Tudo isto para acompanhar com os vários vinhos da carta. 

E para a sobremesa, entre outras, há a mousse de chocolate e a famosa pera bêbada das Caldas. 

 “Pode sempre haver surpresas além do que temos na carta com sugestões que ache que faça sentido preparar”, disse Paulo Firmino, revelando que têm vindo ao restaurante vários jornalistas fazer reportagens e todos “elogiaram a comida”. 

Quanto aos empregados, mantém-se Ana e Larysa na cozinha e Paulo embora também sirva, faz questão de quase sempre preparar os pratos pessoalmente. 

O responsável pelo restaurante tem uma divida de cerca de 80 mil euros, nomeadamente a fornecedores. Espera crescer e poder contratar mais pessoas. Tem esperança que o público volte a confiar no “Solmar Canas” até porque o problema, diz, nunca foi a qualidade da comida. Garante que está a fazer de tudo para liquidar as dívidas. 

O “Solmar Canas” é um dos restaurantes mais antigos das Caldas da Rainha. Nasceu há mais de 35 anos, mas só pertence a Paulo Firmino há 12.


Pontuação máxima ao “Solmar Canas”


No dia que o JORNAL DAS CALDAS se deslocou ao “Solmar Canas” encontrou os chefs de cozinha Ana Netto e Pedro Honorório a almoçar. Sabendo que estávamos no restaurante para fazer reportagem deram o seu testemunho revelando que “adoramos e confiamos na comida servida no “Solmar Canas”, onde já são clientes há anos. 

Deram a pontuação máxima ao “Solmar Canas”. Quanto à comida, referem que “antes também estava boa, nada a apontar” e que a principal diferença que notam depois do programa é na cor das paredes que foi mudada e o restaurante, segundo contam, tornou-se mais agradável. “Recomendo”, disse um dos chefes. 

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