15-07-2020 Marlene Sousa Imprimir PDF     Print    Print

Autarcas do Oeste e Governo articulam estratégia para evitar Covid nas campanhas da fruta

A fiscalização e a coordenação com autarquias, entidades locais e produtores são as apostas para minimizar os riscos de propagação da covid-19 entre os 30 mil trabalhadores temporários das campanhas da fruta no Oeste, anunciou o Governo, no passado dia 8 de julho nas Caldas da Rainha.

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Os autarcas da OesteCIM estão a articular com o governo uma estratégia de minimização da Covid-19 nas campanhas da fruta no Oeste
O guia de boas práticas “que dá orientações aos produtores, mas também aos embaladores”, e que “deve ser seguido ao detalhe” durante as campanhas da apanha da fruta foi apresentado ao autarcas e entidades regionais pelo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, numa reunião realizada na sede da Comunidade Intermunicipal do Oeste (OesteCim) para discutir a estratégia de prevenção e controlo da covid-19 nas atividades agrícolas.
O documento, elaborado pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária e pela Direção-Geral da Saúde, determina as medidas a tomar por produtores e entidades locais e regionais para “prevenir o máximo de riscos” durante o período que “merece a maior atenção e que está a preocupar os presidentes de câmara”, afirmou o governante no final de uma reunião realizada na sede da Comunidade Intermunicipal do Oeste (OesteCim) para discutir a estratégia de prevenção e controlo da covid-19 nas atividades agrícolas.
À imprensa no final da reunião, Duarte Cordeiro na qualidade de coordenador da Região de Lisboa e Vale do Tejo no âmbito do combate à pandemia disse que “foi combinado com os presidentes de câmara aquilo que são os procedimentos que devemos adotar, especialmente quanto à mobilidade de trabalhadores, que é uma questão que preocupa bastante, e todos os cuidados que temos de ter, sinalizando as situações que possam suscitar maiores riscos, para que possamos analisar em detalhe e, a partir daí, tomar todas as medidas que são necessárias”.
De acordo com o governante, a prevenção não passará por testar antecipadamente os cerca de 30 mil trabalhadores temporários, muitos dos quais migrantes, contratados anualmente para as campanhas na região, mas sim pela “fiscalização” das condições em que são desenvolvidas as tarefas.
Quando forem identificadas “situações que merecem uma atenção maior, porque podem acarretar riscos adicionais, essas serão posteriormente analisadas pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e pela Direção Regional de Agricultura”, afirmou, acrescentando que se se confirmar a existência de “riscos concretos” será equacionada a realização de testes.
“Quando existem casos nestes setores, temos de ser rápidos a testar e a isolar as situações”, disse Duarte Cordeiro, sublinhando a aposta na “fiscalização” e a importância de que produtores sigam as regras, já que “quem tem mais a perder se existir uma situação é o próprio produtor, que pode perder a colheita, se por acaso não tiver cuidado com a prevenção e se tiver uma situação em que a generalidade dos trabalhadores fique infetada”.

“Acreditamos, que vai correr tudo bem”

Pedro Folgado, presidente da OesteCim, referiu que “a fiscalização preventiva das condições em que são desenvolvidas as atividades agrícolas é a estratégia de base para o sucesso que contará certamente com a disponibilidade dos nossos empresários do sector, para se efetivar o estrito cumprimento no definido pelo normativo da DGS”.
Da reunião saiu o compromisso de uma “articulação entre as fileiras, os empresários, os municípios e o Estado central, que tem o poder de supervisionar todas estas questões no que diz respeito à agricultura, à saúde e ao trabalho”, adiantou, Pedro Folgado.
“Foram aqui colocadas questões muito pertinentes no que diz respeito ao problema dos trabalhadores que se deslocalizam de um lado para o outro e não sabemos quem são”, salientou, o responsável.
Pedro Folgado adiantou que foi importante “esta reunião para mostramo-nos as nossas preocupações porque queremos que as campanhas que são muito importantes para a economia do Oeste corram bem”. Daí a decisão de articular as “medidas de prevenção entre as autarquias e entidades regionais, mas também com as autoridades de saúde e com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, já que “se levantam questões que se prende com a origem dos trabalhadores ou a existência ou não de números de utente”, exemplificou.
O presidente da OesteCim e também do Município de Alenquer acrescentou que o “sucesso de uns será o sucesso de todos para que o Oeste, uma vez mais, possa ser uma região de excelência na promoção dos seus produtos alimentares”.
Acreditamos, assim, que vai correr tudo bem”, complementa o autarca.
O presidente da Câmara das Caldas, que também participou neste encontro referiu que marcaram uma reunião com as empresas de trabalho temporário no sentido de “articular com eles um conjunto de procedimentos a nível de transporte, prestação individual, avaliar a possibilidade ou não de fazer testes, ao nível do controlo da temperatura entre outros”.
O presidente da autarquia Tinta Ferreira sublinhou que as autoridades policiais nomeadamente a GNR vão ter que fazer uma maior vigilância “principalmente à noite nas zonas onde os trabalhadores temporários poderão se concentrar”.

O problema vai ser nas pausas de trabalho

Já o presidente da Câmara do Bombarral, Ricardo Fernandes, que também esteve presente na reunião disse que no seu concelho são esperados cerca de mais de dois mil “trabalhadores para a apanha da fruta”.
O autarca, diz que não é no “tempo de trabalho que propiamente dito que o problema se vai passar”, uma vez que o distanciamento social em termos da “apanha da pera é perfeitamente possível”.
“O grande problema vai ser nas pausas de trabalho durante o almoço, no transporte e no alojamento”, manifestou.
O município do Bombarral também vai fazer ações de sensibilização com os produtores no Bombarral.
A ministra da agricultura, Maria do Céu Albuquerque, o secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Nuno Russo, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo estiveram também reunidos através de videoconferência.
A reunião contou também com representantes das comunidades intermunicipais do Médio Tejo, Lezíria do Tejo e de Leiria, bem como dos comandantes Distritais da Proteção Civil de Santarém, Leiria e Lisboa.
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