17-07-2020 Marlene Sousa Imprimir PDF     Print    Print

Jovem empreendedora dedica-se à produção de infusões e condimentos

O passado dia 9 marca a primeira colheita das perpétuas roxas da Infusa. O JORNAL DAS CALDAS acompanhou a apanha das flores no terreno na Ponte Seca, no concelho de Óbidos, e o início da sua desidratação, para a criação da infusão, que é muito usada para problemas de garganta ou perdas de voz.  É uma das novas criações da obidense Ana Filipa Ferreira, responsável pela Infusa, marca cem por cento portuguesa que vende condimentos, infusões, tisanas e kits para gin. As plantas aromáticas são de produção própria, colhidas à mão e desidratadas com todo o cuidado de forma a preservar o máximo sabor.

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Primeira colheita das perpétuas roxas da Infusa
A jovem de 30 anos deixou um emprego estável num banco em Lisboa para criar o seu próprio negócio. A plantação é feita nos campos do concelho de Óbidos e a unidade de produção localiza-se no edifício do Caldas Empreende, onde Ana Filipa Ferreira desinfeta, desidrata, prepara e embala os produtos. É tudo feito e criado pela própria, inclusive a imagem (rótulos).
A obidense cresceu na Ponte Seca entre brincadeiras e pausas para ajudar os pais na plantação de flores e plantas. Tirou o curso (mestrado) em arquitetura paisagística no Instituto Superior de Agronomia em Lisboa. Depois trabalhou nos campos de golfe na Praia D’El Rey e também Paço do Lumiar. De seguida saiu da área e foi para um banco no Parque das Nações.
Com saudades do Oeste, terra onde tem a sua família e amigos, decidiu regressar para montar um negócio próprio que era um dos seus objetivos. Mas só depois de “ponderar sobre o que iria fazer”. “Inicialmente pensei em abrir uma casa de chá no centro da cidade das Caldas, mas depois o meu irmão sugeriu que fizesse a minha produção própria, uma vez que tinha o terreno e conhecia muito bem as plantas”, contou.
Ana Filipa Ferreira até gostava do seu emprego e tinha um “bom salário”, mas ganhou coragem e abdicou de algumas coisas para dedicar tempo ao novo projeto. Saiu de Lisboa no início de setembro do ano passado, e começou a fazer as primeiras plantações, testes e experiências. “Como ia apanhar o inverno comecei por plantar em estufa (sacos de plantação) e depois na rua no exterior”, explicou, acrescentando que iniciou com a plantação de lúcia-lima, cidreira e hortelã-pimenta e chá príncipe. Quanto aos condimentos, começou com o manjericão, louro, tomilho (tomilho-limão, tomilho-vulgar e tomilho bela-luz), poejo, salsa, hortelã-comum, entre outros.
Como os produtos feitos por ela foram elogiados entre familiares e amigos, então decidiu "avançar com o negócio”.
Em janeiro deste ano conseguiu um espaço na incubadora de empresas nas Caldas. “A melhor coisa que me aconteceu foi o espaço e agradeço à AIRO, porque de outra forma tinha que fazer um investimento muito grande”, disse. É ali que faz a receção da mercadoria, desinfeção, desidratação e embalamento.
Tinha tudo preparado para inaugurar o espaço, quando iniciou a situação da pandemia. “Tinha planeado apresentar os produtos num bazar que iria decorrer na antiga Praça do Peixe, mas foi cancelado”, contou.
Interrompeu as vendas e aproveitou o isolamento para se dedicar aos campos de plantação na Ponte Seca e no lançamento da loja online. “Refiz os rótulos, para que as embalagens fossem mais apetecíveis”, adiantou.
Lançou a Loja Infusa Online na última semana de março. O negócio tem crescido e as vendas aumentaram pouco a pouco. A qualidade dos produtos e o facto de serem produzidos localmente tem gerado procura. Foi recentemente contactada por um distribuidor de Aveiro, que já lhe fez uma primeira encomenda.
A Loja Azeitonas Do Oeste-Mercoiberica, a Garrafeira Bago D'ouro nas Caldas e a LisQueijo, em Leiria, também vendem os produtos da Infusa.

Infusões e tisanas

Com espírito empreendedor, Ana Filipa Ferreira quer continuar a crescer e daí estar a produzir novos produtos. Quanto às infusões e tisanas, as mais recentes são a “tisana de lúcia-lima, limão e gengibre e agora a infusão da flor de perpétuas roxas”. A próxima é a tisana de camomila. Destaque também para a tisana “cidreira, laranja e canela do ceilão”. As embalagens são opacas para manter a qualidade das plantas, às quais não acrescenta nenhum tipo de aditivo.
A obidense falou também dos “condimentos” que aconselha a “abusarem nos cozinhados para surpreender com novos sabores”. Tem cerca de 20 sabores diferentes colocados em tubos de ensaio, com rolha de cortiça.
Uma novidade é a stevia, que substitui o açúcar, e vai lançar brevemente malaguetas.
“Depois de apanhar as plantas, estas ficam de molho numa solução desinfetante, no chamado lava saladas, sendo posteriormente lavadas com água e depois desidratadas, num processo que demora cerca de 15 horas”, revelando que segue as regras da Segurança Alimentar HCCP.

Kits para gin

Um produto de sucesso, sobretudo agora no verão, são os preparados de gin, que são pequenos pacotinhos com os botânicos para a confeção de um copo de gin. Cada preparado faz alusão a uma nota musical. “Neste momento tenho sete sabores, lancei o último kit gin na passada semana que é o “Si” de figo, limão e bagas de zimbros”, revelou Ana Filipa Ferreira. 
Por exemplo, o “Lá” foi lançado para o dia da mãe, que combina morango, pétalas de rosa e pimenta preta. "São edições limitadas que estão dependentes da fruta da época”, referiu.
Quanto à fruta para o gin, compra-a localmente, exceto no caso da laranja do Algarve e da manga. É desinfetada, fatiada, mergulhada numa solução de água e mel e desidratada a temperaturas mais altas.
“Adoro mexer nas plantas e estar sempre a pesquisar, a acertar os tempos da desidratação e fazer as misturas”, disse a jovem empreendedora, que não está “nada arrependida de ter iniciado o negócio”.
Vende ainda frascos com rodelas de citrinos para águas aromatizadas e acessórios em porcelana para as tisanas e infusões.
A loja online tem informação sobre todos os produtos.
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