14-11-2018 Rui Calisto Imprimir PDF     Print    Print

Escaparate

A lenda da Meretriz

Lembro-me, como se fosse hoje, de ouvir o meu avô Manuel contar a história de Susana, a meretriz. Uma mulher perversa que perambulava pelas ruas nas noites de novembro. Era eu um rapazola de treze anos quando soube daquela gesta através de uma longa narrativa.

Essa angana, para alguns a mesma que está descrita no Apocalipse 17, era enorme. As suas carnes, penduradas, em pelanca sebosa, metiam um certo nojo, mas, deles havia, que gostavam.
As pessoas, nas Caldas da Rainha, falavam dela, desde tempos imemoriais. E, segundo o meu avô, existiu, até aos dez primeiros anos do século XX, um pensamento que assustava as criancinhas que não queriam deitar-se cedo: A de que, essa dama da noite, morria e ressuscitava meses depois, encarnando em outro corpo, também, farto de carnes, que voltava a vagar pelo centro da cidade e pelas Águas Santas.
Em todas as suas idas e vindas, as características físicas mantinham-se, assim como se conservavam as falsidades morais, baseadas em egoísmo e orgulho. Segundo constava, toda a vez que sorria era por puro prazer, indicativo de que iria prejudicar o outro em instantes, porém, antes, executava um ritual de afabilidade enganadora: Enchia o cálice de ouro de bom vinho tinto e distribuía palavras e frases cheias de doutrinas, amparadas por piedosos olhares. Artimanhas de quem dorme com o demónio, e foi, por ele, bem sabatinada.
Segundo reza a lenda, o que lhe saía da boca trazia substâncias que faziam o comum dos homens sentir-se confortável e aquecido, com a certeza de uma tranquilidade e paz absolutas. A sua tentativa atroz, de influenciar mentalidades sãs, era plenamente viva, porém, para os desatentos, aquela língua vociferava negruras, enganações e pecados mortais. Em quais bruxarias enrodilhava os descuidados? As mais perversas! Ela, e a sua família de lobos ferozes, seus servos fiéis, atraíam e matavam, sem piedade (Atos 20:29,30).
Diziam, naquela época remota, que a Meretriz era a resposta de Satanás à noiva de Cristo. E o povo, à sua passagem, não dizia palavra e mantinha os olhos no chão, em sinal de temor.
Susana, a Meretriz - ao contrário da noiva do Senhor, que pregava bondade e espalhava verdade – era erva daninha que secava as searas, espalhando divisão, discussão e mentiras. Somente com o coração puro era possível combatê-la.
Hoje, como ontem, Susana, a Meretriz, caminha sobre a Terra. Não precisamos de muito esforço para a divisar entre as faúlhas da multidão. Eu mesmo, nesta anterior madrugada, a vi, a atravessar uma rua no Bairro da Ponte. Com o seu ar altivo, e as suas carnes, flácidas, a baloiçarem. Ia acompanhada de um ser de afiados cascos e pouco cabelo, provavelmente o próprio Demónio, o Senhor das Trevas.
Essa nefasta meretriz mostra-se nas suas pregações repletas de escárnio, disfarçadas de delicadeza; No seu egocentrismo, que procura fazer mal, de modo dissimulado; Na crueldade dos seus enganadores atos, que podem, calculadamente, matar, quem se lhe opuser. A sua psicopatia e sadismo têm como objetivo torturar as vítimas, e tudo tem início com a elegância do chamamento ao prazer carnal.
Como tenho permanente conexão com Deus, conheço a Sua vontade e a Sua palavra, escudos protetores de minh’alma, portanto, nada temo!
Quando por ela passarem, não receiem. Lembrem-se do Apocalipse 17:1-18.
Tags:

 
pub
Classificados LUCKY PANDA.BIZ
Opinião
Ciência & Tecnologia

A carregar, por favor aguarde.
A Carregar