05-09-2018 Mariana Martinho Imprimir PDF     Print    Print

Conferência “A Banca e a Terra – As Dinâmicas do Crédito Agrícola”

Caixas Agrícolas independentes entre as “instituições mais sólidas do sistema bancário”

No âmbito da comemoração dos dez anos da Agrimútuo – Federação Nacional das Caixas de Crédito Agrícola Mútuo, FCRL foi promovido um debate sobre as dinâmicas do crédito agrícola e a sua importância para as comunidades regionais onde estão inseridas. Nesta iniciativa, realizada no Bombarral, estiveram presentes 25 delegados do Sicredi (instituição financeira cooperativa brasileira), tendo sido destacado que as Caixas Agrícolas independentes pontuam entre as “instituições mais sólidas, eficientes e resilientes do sistema bancário português”. Além disso foram “o porto de abrigo para muitas poupanças de residentes em Portugal na última década”.

A sessão decorreu no auditório da Caixa Agrícola de Bombarral
No âmbito da comemoração dos dez anos da Agrimútuo – Federação Nacional das Caixas de Crédito Agrícola Mútuo, FCRL foi promovido um debate sobre as dinâmicas do crédito agrícola e a sua importância para as comunidades regionais onde estão inseridas. Nesta iniciativa, realizada no Bombarral, estiveram presentes 25 delegados do Sicredi (instituição financeira cooperativa brasileira), tendo sido destacado que as Caixas Agrícolas independentes pontuam entre as “instituições mais sólidas, eficientes e resilientes do sistema bancário português”. Além disso foram “o porto de abrigo para muitas poupanças de residentes em Portugal na última década”. conferência, subordinada ao tema “A Banca e a Terra – As Dinâmicas do Crédito Agrícola”, decorreu na passada quinta-feira, no auditório da Caixa Agrícola de Bombarral, e teve como principal objetivo debater a realidade cooperativa portuguesa, salientar a importância do papel das Caixas Agrícolas para as comunidades locais onde se inserem e sobretudo dar a conhecer a realidade das Caixas Agrícolas independentes, que se mostraram as mais resilientes face à crise financeira vivida na última década.
A federação representa as estruturas financeiras cooperativas que atuam no crédito agrícola, no caso as Caixas de Crédito, nas regiões de Bombarral, Chamusca, Leiria, Mafra e Torres Vedras.
Presente na iniciativa esteve o secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel, que salientou que “as Caixas de Crédito Agrícola independentes “estiveram sempre a apoiar a atividade agrícola no nosso território e no país”. Além disso, em momentos de crise, “as caixas souberam dar uma resposta efetiva”.
Igualmente foram o “sustentáculo económico” da recuperação da região, após o temporal que ocorreu em 2009, em Torres Vedras e Lourinhã. “Foi uma altura em que a restante banca se encolheu e ficou nos seus gabinetes a ver o que iria acontecer, ao contrário das Caixas de Crédito, que estiveram sempre ao lado dos agricultores”, sublinhou o secretário de estado.
Destacou ainda o papel das autarquias, que são “um dos principais fatores de evolução económica do país”, aconselhando as Caixas Agrícola independentes a “olharem para os municípios”.
Em Portugal existem 308 municípios, que gerem anualmente 9,4 mil milhões de euros e empregam mais de 120 mil pessoas, tendo assim “um grande potencial” e uma “boa oportunidade de negócio para as Caixas, sabendo que cada um dos municípios é um fator desenvolvimento no seu território”.

Caixas Agrícolas com “melhores resultados em 2017 do que nos últimos dez anos”

Outro dos oradores convidados foi Ricardo Cruz, professor da Católica Porto Business School, que falou sobre o estudo que desenvolveu relativamente às caixas agrícolas independentes, das resiliências à grande crise financeira, entre 2008 e 2017.
De acordo com o professor, “as cinco caixas independentes são bancos locais e pequenos, que têm uma base de operação concelhia” e apresentam “melhores resultados em 2017 do que durante os últimos dez anos”. Este fator deve-se à crise bancária que foi “particularmente severa na Europa e que continua a manifestar-se com gravidade”.
Entre 2008 e 2009, segundo Ricardo Cruz, o “sistema bancário na área do Euro perdeu 6,4 milhões de ativos, ou seja, 17% do ativo total e desapareceram 1770 instituições bancárias”, tendo a “rede perdido 21% da sua dimensão e 490 mil trabalhadores”.
Em Portugal estes dados são “particularmente duros”, tendo os bancos portugueses perdido 27% dos ativos totais e 17% dos bancos desapareceram. Contudo, referiu que “este processo está longe de ter terminado”, pois 1 em cada 4 balcões fecharam “as suas portas” em 2016.
Nesse sentido considerou que a “crise foi particularmente violenta em Portugal”, tendo sido um “dos países mais flagelados pela crise”. Destacou ainda que “a banca portuguesa precisa de cinco a dez anos para voltar a recuperar os padrões de equilíbrio financeiro que já teve”.
Igualmente referiu que as cinco caixas independentes cresceram 33% entre 2008 e 2017, em relação ao sistema bancário. Isso indica que o “sistema das caixas foi um porto de abrigo para muitas poupanças de residentes em Portugal nos últimos dez anos”.
Todos estes indicadores permitiram que Ricardo Cruz concluísse que “estas instituições foram mais rentáveis e apresentavam menos risco”. “Estes pequenos bancos locais têm um modelo de negócio simples e básico, e oferecem os serviços financeiros essenciais a 95% da população portuguesa”, vincou.
Foram absolutamente “resilientes à crise”, mantendo uma rentabilidade operacional regular e sem resultados negativos. “É um modelo de negócio seguro e de baixo risco, não tendo componentes especulativas e vive basicamente da dinâmica da economia local”, apontou o orador.
Esclareceu ainda que “as Caixas independentes pontuam entre as instituições mais sólidas, eficientes e resilientes do sistema bancário português”.
Já António Serrano, professor catedrático da Universidade de Évora, destacou que as caixas deram um “impulso necessário para poder apoiar esta região empreendedora, que não beneficiava de outros apoios”. Recordou ainda que em momentos de crise demonstraram “uma atitude diferente da restante banca comercial, que não queria saber de agricultura” e disponibilizaram-se para “atuar imediatamente no terreno”.
Também destacou que “as caixas têm vindo a posicionar-se no nosso território, numa posição de dar resposta aos problemas das pessoas”.
Para o coordenador do CIRSF - Centro de Investigação sobre Regulação e Supervisão do Sector Financeiro, Luís Morais, há dois aspetos que caraterizam os bancos cooperativos, e no caso português, em especial as caixas de crédito agrícola, que “lhes conferem uma vantagem relativa também ao domínio da green finance”, que são a “proximidade e a dimensão”. Ou seja, se por um lado a proximidade dos bancos cooperativos relativamente às comunidades locais confere-lhes uma “vantagem significativa, no que respeita à compreensão dos riscos diretos e indiretos” associados aos problemas ambientais/climáticos e as suas repercussões nas empresas, por outro lado, a dimensão das caixas de crédito agrícola confere-lhes uma “flexibilidade e capacidade de adaptação às necessidades da respetiva clientela, que se revela particularmente valiosa” no âmbito da green finance.
A conferência contou com a presença de um conjunto de 25 delegados do Sicredi, que conheceram a realidade das Caixas Agrícolas independentes.
Segundo Odair Dalagasperina, diretor executivo do Sicredi, “a nossa história enquanto instituição financeira cooperativa é parecida, sendo que as Caixas Independentes em alguns aspetos estão mais à frente do que as nossas”. Mostrou-se igualmente surpreendido com a capacidade de eficiência e de proximidade da instituição.
Para encerrar a conferência, o presidente da Câmara Municipal de Bombarral, Ricardo Fernandes, destacou o papel importante e fundamental das Caixas no desenvolvimento e crescimento do território. Além disso sublinhou a relação de parceria e de proximidade que estas caixas independentes têm tido com as outras instituições.
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