13-10-2019 Inês Tomada, nutricionista Imprimir PDF     Print    Print

O regresso às origens na alimentação

Mudam-se os tempos, mudam-se os hábitos de consumo, e perante todas estas alterações, surgem questões sobre o que é que afinal é bom ou não para o ser humano.

Inês Tomada
Na verdade, este tipo de perguntas surge desde muito cedo e um forte exemplo é o caso das crianças. Desde logo os pais procuram fazer escolhas inteligentes e selecionar os melhores e mais adequados alimentos para a fase de crescimento e transição dos bebés. Afinal, o que é benéfico ou o que será mais saudável?
Não restam dúvidas que o alimento ideal para o recém-nascido e lactente é o leite humano (vulgo leite materno), seja pela sua composição adequada, melhor digestibilidade e melhor biodisponibilidade dos nutrientes, que permitem um melhor desenvolvimento cognitivo, menor incidência e/ou gravidade de infeções gastrintestinais e respiratórias, e proteção a algumas alergias, designadamente alergia às proteínas do leite de vaca.
Mas após os 12 meses, num bebé saudável, o leite de vaca poderá ser integrado na sua alimentação diária, elegendo sempre o leite mais natural possível. E como o leite não é todo igual, é necessário escolher o mais indicado.
De facto, um dos fatores que mais influencia a qualidade do leite é a alimentação dos animais. Um leite proveniente de vacas leiteiras que vivem livremente em pastagens e cuja alimentação é feita à base de erva fresca, livre de fertilizantes, herbicidas e outros químicos, terá obrigatoriamente características diferentes de um leite com origem numa vaca que vive num espaço limitado e que é alimentada quase única e exclusivamente por ração. Assim, o leite de pastagem será sempre a escolha indicada, por ser mais nutritivo e apresentar aspetos positivos nas concentrações e qualidade de gorduras e vitaminas, assim como de proteínas e minerais.
Este leite contém o dobro do teor em lactoferrina, uma proteína característica do leite, também presente no leite humano, que tem a particularidade de, por conter ferro na sua constituição, ser um veículo deste mineral para o organismo, o qual tem importantes propriedades antimicrobianas, antioxidantes, anti-inflamatórias e reguladoras do sistema imune.
É, pois, fundamental escolher um leite que seja o mais natural possível. O consumo de leite gordo/inteiro, uma vez que conserva as características nutricionais tal como a natureza nos dá, tem vindo ser a ganhar lugar em relação ao consumo das suas versões meio gordo e magro, o que tudo parece indicar ser um aspeto altamente benéfico à saúde, crescimento e desenvolvimento das crianças.
Além disso, o aumento da consciência ambiental no mundo, bem como da necessidade do bem-estar animal, a par da crescente preocupação com a alimentação e sustentabilidade, tem vindo a mudar mentalidades e preferências na altura de escolher aquilo que se vai adquirir para consumir.
Verifica-se cada vez mais a procura de alimentos locais, e a forte necessidade de “regressar às origens”, dando-se preferência por produtos mais próximos da natureza e, por isso, mais amigos do ambiente e naturalmente saudáveis.
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