26-06-2019 Francisco Gomes Imprimir PDF     Print    Print

Discussão na Assembleia Municipal

População trava mudança de trânsito no Chão da Parada

A ida de alguns habitantes do Chão da Parada à última reunião da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha para apresentar uma petição em que contestam medidas de alteração da circulação de trânsito numa rua da aldeia fez a Câmara e a União de Freguesias de Tornada e Salir do Porto voltarem atrás na decisão. O assunto foi um dos principais temas em discussão, algo acalorada, com alguns momentos de tensão.

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Arnaldo Custódio, presidente da União de Freguesias de Tornada e Salir do Porto
A reunião do passado dia 18 levou à Assembleia Municipal alguns habitantes do Chão da Parada, que solicitaram a revisão da decisão de alteração da circulação de trânsito em parte da Rua da Capela, de dois sentidos, como é atualmente, para sentido único, medida que é contestada e que mereceu uma petição entregue na Câmara.
Daniel Ferreira leu o abaixo-assinado, onde se “repudia em absoluto tal proposta, que julgamos tanto inviável quanto um transtorno, com aumento de custos associados para moradores e fregueses no seu quotidiano e vida social”.
“A proposta altera a via de dois sentidos para sentido único, especificamente no troço entre o extremo norte da rua e o primeiro entroncamento seguinte à capela, onde a circulação de trânsito ficaria assim limitada ao sentido norte-sul”, descreve a petição, para elencar de seguida os principais motivos do desacordo: “Redução da mobilidade interna na aldeia, nas deslocações à padaria, minimercado, capela, café, cabeleireiro ou mesmo à casa de um familiar ou amigo. Os habitantes veriam estas tarefas hoje simples e viáveis tornarem-se muito mais difíceis e morosas”.
Em pormenor foi relatado que “todos os moradores da Rua da Capela, a sul do proposto sentido proibido ao entroncamento com a Rua da Escola, seriam assim obrigados a circular em direção a oeste, usando a Rua da Escola, tendo de percorrer 1.250 km. Não bastando, aumentaria em muito o fluxo no centro da aldeia”.
Entre uma longa listagem de argumentos foi ainda invocado que “devido à não circulação de trânsito no sentido sul-norte na Rua da Capela seriam postas em causa as cerimónias fúnebres, na medida em que os veículos dos acompanhantes do defunto não poderiam seguir o carro funerário a partir da casa mortuária como é tradição”.
“A barreira social e cultural, como que existindo dois lados da rua, causa estranheza e indignação, quando não se vislumbram quaisquer vantagens significativas”, conclui a petição, que solicita a impugnação definitiva da proposta.
Os deputados municipais ouviram e tanto Vítor Fernandes, da CDU, como Arnaldo Sarroeira, do BE, criticaram que se façam alterações de trânsito sem se ouvir a população. Manuel Isaac, do CDS, sustentou que os deputados deviam ter a última palavra.
Arnaldo Custódio, presidente da União de Freguesias de Tornada e Salir do Porto, esclareceu que “há um troço na Rua da Capela, em que havendo carros estacionados não passam dois veículos”, pelo que a pedido de alguns moradores, “a junta analisou a situação e pediu à Câmara, que tem técnicos de trânsito, que propusessem medidas, que após aprovadas pela Câmara foram também aprovadas por unanimidade pela Assembleia de Freguesia”.
O autarca relatou que recebeu dois moradores e foi “insultado” e faltou pouco “para ser agredido” por um deles, num momento que gerou alguma tensão na sala da Assembleia Municipal, acabando no entanto os ânimos por arrefecerem quando manifestou que “a junta não foi insensível” e ao ter conhecimento de opiniões desfavoráveis “até hoje a sinalização não foi implementada”.
“De momento não houve alteração nenhuma e a Câmara e a Junta irão reapreciar o assunto”, garantiu.
O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, confirmou que não será introduzido o sentido único.

Parque para camiões

Outro tema levado pelo público foi a necessidade de instalação de um parque de estacionamento de camiões na cidade, para evitar o desordenamento e para permitir condições de segurança a quem conduz este tipo de veículos.
Rui Almeida, Filomena Marques e Orlando Pereira explanaram a situação, tendo alguns deputados sugerido terrenos para o efeito, como por exemplo, próximo da Comunidade Intermunicipal do Oeste, junto ao Hortas ou nos Texugos.
Arnaldo Sarroeira frisou que a cidade tem a ganhar com a criação de um parque do género, comprometendo-se a apresentar uma proposta se até à discussão do próximo plano e orçamento da Câmara não houver uma resposta concreta da autarquia a esta questão.
Os dois presidentes de junta da cidade acharam pertinente a ideia e o presidente da Câmara disse estar disponível para aceitar propostas, mas “até ao momento não encontrámos local”.
Sobre a sugestão da instalação do parque para viaturas pesadas nos terrenos entre o Cencal e o Colégio Rainha D. Leonor, sublinhou que “só se for a curto prazo, porque estão reservados para o futuro hospital distrital, e teria de ser uma solução provisória por dez anos”, tempo que se estima a construção do hospital.

Problemas em Santo Onofre

Alguns problemas na área da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro, relacionados com os espaços verdes, limpeza, estacionamento e trânsito, foram abordados pelo munícipe Joaquim Ribeiro.
O presidente da Câmara declarou que “não temos condições para chegar a todo o lado, mas fazemos o nosso melhor”, admitindo constrangimentos a nível de pessoal, para os quais abre concursos de admissão que “ficam desertos”, porque “ninguém quer trabalhar a ganhar o salário mínimo”.
Ainda assim assegurou que serão melhorados os espaços verdes, estando no entanto a autarquia “indecisa” quanto à instalação de lombas nas vias para reduzir a velocidade das viaturas. “É uma questão que divide. Não é consensual, há pessoas que querem a introdução de lombas para reduzir velocidade e outras que não, que dizem que incomodam e fazem ruído. Por outro lado, a sinalização luminosa é dispendiosa. Há outras formas, como pinturas na estrada. Estamos indecisos”, comentou Tinta Ferreira.
O autarca descreveu também que com a reabilitação urbana no Bairro dos Arneiros “vão-se perder alguns lugares de estacionamento, como acontece em várias zonas da cidade”. A filosofia das obras tem em conta “o aumento de espaço para os peões” e “tem de ser assim se quisermos aproveitar fundos europeus”.
Foram precisamente questões de trânsito junto ao Bairro Lisbonense que motivaram a intervenção do munícipe João Morgado, tendo Vítor Marques, presidente da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório, respondido que vai haver melhoria do estacionamento junto à linha férrea.
“A nossa cidade não é um caos, mas há muito corrigir”, considerou o presidente da junta, recusando a crítica que havia sido feito pelo comunista Vítor Fernandes.

Mudança do local de eleições

O presidente da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro quer mudar o local onde se realizam as eleições, depois de ter constatado problemas de acessibilidade no último ato eleitoral para o Parlamento Europeu.
A escola do Bairro do Ponte tem salas no primeiro andar e ali tiveram de votar pessoas idosas com dificuldade de locomoção e outras com deficiência física. Se até agora a questão era amenizada com a colocação das mesas de voto para as pessoas com mais idade no piso térreo, com a nova legislação que fez a divisão dos eleitores por ordem alfabética, isso já não foi possível.
“Muitas pessoas só conseguiram votar com a ajuda dos bombeiros, mas uma senhora não aceitou ser levada ao colo para votar”, relatou Jorge Varela.
O autarca quer, por isso, transferir o local de voto, até porque existem outros problemas ao ter lugar naquela escola, pois “faz com que as crianças não tenham aulas sexta à tarde e segunda de manhã”.
A Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro não quis mudar o local, mas perante o problema ocorrido nas últimas eleições, Jorge Varela anunciou que vai voltar a propor a transferência, considerando a antiga UAL, hoje Universidade Sénior, junto à Biblioteca, o local adequado, porque “não tem obstáculos e tem estacionamento”, localização que não é bem vista por Arnaldo Sarroeira, que alegou que o Bairro da Ponte fica mais central em relação a todos os bairros da freguesia.
O presidente da Câmara contou que teve conhecimento de outro cidadão que estava numa cadeira de rodas e que “achou humilhante ser transportado, contestou mas acabou por ser levado em braços para votar”. Tinta Ferreira garantiu que “se a Junta não aprovar a mudança, não iremos manter o local no Bairro da Ponte”, achando a sugestão de Jorge Varela uma boa alternativa.

Votos de louvor e de pesar

Na última reunião da Assembleia Municipal foram aprovados votos de pesar e feito um minuto de silêncio pelo falecimento do arquiteto José de Sousa, ex-vereador, e do ex-autarca em São Gregório, Nelson Machado, que morreu na queda de uma aeronave em Leiria.
Por proposta do deputado Rodrigo Amaro, do PSD, foram aprovados votos de louvor a Beatriz Santos e à equipa de futebol júnior do Caldas. Beatriz Santos, de 16 anos, atleta de futsal, foi formada na equipa da Associação Desportiva de Alvorninha, transferiu-se na última época para a Golpilheira, foi campeã distrital e venceu a taça, sendo chamada duas vezes à seleção nacional. A equipa do Caldas venceu o campeonato e a taça e subiu ao escalão nacional.
Manuel Nunes, do PS, propôs também votos de louvor a atletas do Acrotramp Clube das Caldas, ao clube e treinadores. Sofia Vala, Andreia Berto e Guilherme Dias foram campeões nacionais e Henrique Nascimento ficou em terceiro lugar, tendo merecido o reconhecimento dos deputados.

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