04-02-2021 PA Imprimir PDF     Print    Print

Entrevista a Paulo Inácio presidente da Câmara Municipal de Alcobaça

Câmara procura soluções para reativar a dinâmica social e económica

O país, e o concelho, vivem momentos desafiantes, por causa de uma pandemia declarada em meados de maio de 2020 que parece não dar tréguas à saúde pública e à economia.

Há lojas encerradas, um comércio apagado e consumidores mais contidos nas deslocações às compras nas superfícies abertas. O medo e a falta de dinheiro explicam, segundo alguns empresários e lojistas, a situação de afastamento das pessoas dos locais onde se compram bens essenciais.

O novo ano começou sem o entusiasmo festivo de anos anteriores, por força das limitações decorrentes das normas de controlo da pandemia, mas viria a relevar a necessidade de apertar ainda mais o cerco a um vírus que colocou Portugal no topo dos países mais problemáticos no controlo da doença.

RN-Em abril e maio de 2020, a Europa apontava Portugal como o exemplo no combate ao novo coronavírus. Em janeiro de 2021, o nosso país lidera mundialmente o ranking de casos e mortes diárias por milhão de habitantes. É o único com mais de mil casos por milhão de habitantes, na média da última semana.
Na sua perspetiva, que fatores nos levaram a esta situação?
Paulo Inácio-Portugal como ponta ocidental da Europa bem como entrada giratória do Atlântico, reúne características e condições únicas que podem ter contribuído de forma significativa para esta situação.
As novas estirpes, mais contagiosas e letais, como a inglesa, brasileira e a sul africana, inevitavelmente passariam pelo nosso país que, tem geograficamente e historicamente, relações únicas nesta plataforma Atlântica de contacto intercontinental.
Deus queira que não, mas daqui de Portugal, pode estar-se a iniciar um novo processo similar ao de fevereiro na China, na consolidação de outra realidade da COVID-19. Tudo isto para além dos erros estratégicos de previsão e de combate à pandemia cometidos pelas autoridades.

RN-O mundo está a viver uma nova realidade, e parece fácil apontar o dedo aos governantes pela situação vivida. Que comentário faz à gestão desta crise de saúde pública por parte do governo e do Presidente da República, nos últimos 2 meses?
Paulo Inácio-Como já disse foram cometidos erros, o que é normal na nossa condição humana. Ninguém é perfeito e só não erra quem nada faz. Mas se tiver que apontar um erro que continua a persistir é o paradoxo: pandemia/sigilo médico. Quando se enfrenta uma pandemia, por conceito, todos nós somos putativos "infetados/doentes" logo o sigilo médico terá de forma natural, ser muito mais mitigado. A informação deveria de chegar a todos os agentes de proteção civil, mas o que se verifica é que tal não acontece, em virtude do excessivo zelo pelo sigilo médico. Isto estrangula muito a ação da proteção civil, principalmente a de apoio e informação ao doente. É um absurdo que ainda se mantem.

RN-Ao longo das suas intervenções públicas, alertou sempre os alcobacenses para o perigo da pandemia pelo covid-19. Acredita que as suas mensagens sensibilizaram a comunidade para a doença e as consequências da Covid-19?
Paulo Inácio-Julgo que tenho o dever de o fazer. A informação e a comunicação são essenciais para vencermos esta "guerra". Depois cada cidadão toma a sua opção, sendo que temos de o responsabilizar por esta. Acho que, de uma forma geral, o nosso povo tem sido responsável. Acredito que as minhas mensagens têm também, com toda a modéstia, contribuído para isso.

RN-Nesta altura o concelho de Alcobaça, tal como o país, está numa situação dramática. Que conselho ou recomendação deixa à sua comunidade?
Paulo Inácio-Conseguimos nos últimos dias colocar o concelho de Alcobaça com um índice "rt" abaixo de 1. O que é uma ótima notícia. Mas a luta está difícil aqui e em todo o país. A recomendação que faço perante as adversidades é sempre a mesma: coragem, responsáveis, mas corajosos. Ajudando-se mutuamente, em breve vamos reconquistar a nossa vida normal.

RN-A maioria dos utentes e profissionais de alguns lares e IPSS do concelho de Alcobaça, que estavam livres de focos da doença, já levaram a primeira toma da vacina. Como decorreu o processo?
Paulo Inácio-Decorreu de forma altamente satisfatória, com toda a normalidade e com uma adesão significativa, criando um sentimento de maior segurança e esperança. Porém, ainda falta a segunda toma para alcançar a imunidade desejada.

RN-Infelizmente, um número considerável de lares e IPSS não foram vacinadas devido à existência de casos positivos. Tendo em conta a constante atualização sobre a pandemia, quantos lares e IPSS estão com utentes e funcionários infectados?
Paulo Inácio-Cerca de 6 lares e IPSS.

RN-Como classifica o trabalho dos profissionais que estão na linha da frente no combate à Covid-19 no concelho?
Paulo Inácio-São pessoas a quem ficaremos eternamente agradecidos. Heróis anónimos que, literalmente, arriscam a sua vida em prol do próximo.

RN-A autarquia e a Oestecim têm lançado um conjunto de medidas para apoiar as famílias e os empresários da região, no entanto ninguém sabe, ao certo, quando é que esta crise na saúde pública e na economia terminará. Quais são as medidas que estão em vigor? E quais são as próximas que a autarquia pretende ou pode vir a implementar a curto prazo?
Paulo Inácio-Já foram diversas as medidas de apoio às empresas: criámos uma linha verde de apoio às empresas e famílias centralizada na Oestecim. Lá o cidadão e as empresas terão acesso a toda a informação jurídica e económica dos instrumentos de auxílio nacionais e municipais criados para o atual contexto. Para além dessas já sobejamente conhecidas, estamos a criar um regulamento de apoio extraordinário às IPSS. Igualmente, vamos criar um apoio suplementar para os desempregados que recebem subsídio de desemprego abaixo do salário mínimo. Este apoio suplementar terá de ser consumido no comércio tradicional llocal.

RN-Como vê o encerramento quase semanal de lojas do comércio local na cidade de Alcobaça?
Paulo Inácio- O encerramento de lojas de comércio não está a ocorrer apenas na cidade de Alcobaça, mas sim em todo o país. Os pequenos e médios comerciantes têm sido os mais atingidos por esta pandemia. Daí, a necessidade de instrumentos de apoio financeiro de âmbito nacional através de fundos comunitários e de isenções de taxas municipais, bem como de estímulos de consumo conforme já supramencionado.

RN-Não tendo uma bola de cristal, acha que este cenário tão preocupante durará muito mais quanto tempo ou a vacina poderá ser um franco alívio, pelo menos ao nível da imunização da população e, depois, um enorme auxílio no retomar da vida económica?
Paulo Inácio-Tenho a esperança que a vacina será essencial para reconquistarmos a nossa vida normal. Temos de ter essa ambição. É um direito inalienável. Todos temos o dever de lutar pelo futuro dos nossos filhos.

RN-Apesar da Covid Ser um tema diário e recorrente, há vida além do coronavírus. Alcobaça tem um conjunto de obras em andamento, como a requalificação da Avenida Professor Joaquim Vieira Natividade ou a Construção do Hotel de Luxo no Mosteiro. Sobre as obras no Mosteiro, que são da responsabilidade da Direção Geral do Património e Cultura, quando é que estas estarão concluídas? Há alguma estimativa atualizada?
Paulo Inácio-Para além dessas, temos muitas outras a serem iniciadas, como o Pavilhão Multiusos, a nova zona industrial da Benedita ou o Projeto da Mobilidade Suave. Todas estas obras, à exceção da requalificação da Avenida Joaquim Vieira Natividade, serão concluídas em 2022. A conclusão da Avenida e, eventualmente, do Hotel no Mosteiro será ainda este ano.

RN-A Câmara foi absolvida no processo movido pela empresa Raimundo & Maia relativamente aos danos, (segundo o grupo) pelo rebaixamento do piso na Rua D. Pedro V. Há alguma novidade sobre o processo?
Paulo Inácio-Está pendente um recurso que a Câmara Municipal de Alcobaça tem de aguardar pelo mesmo.

RN-Outras obras de mandato são o Pavilhão Multiusos de Alcobaça e a ALE da Benedita. Quando é que terão início os trabalhos de construção?
Paulo Inácio-Essas obras terão início em fevereiro deste ano, ou seja, daqui a pouquíssimas semanas.
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