04-05-2018 Economia, Política, Lusa Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Autarca diz que Governo "teve vergonha” de assinar na Guarda contrato de recuperação de hotel

Guarda, 04 mai (Lusa) - O presidente da Câmara Municipal da Guarda, Álvaro Amaro, disse hoje que o Governo "teve vergonha" de assinar o contrato de concessão de recuperação do Hotel de Turismo naquela cidade, mas manifestou contentamento pela solução encontrada.

Em causa está o contrato de concessão do edifício, hoje assinado entre o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, e representantes do consórcio MRG Property e MRG Construction, de acordo com informação da Secretaria de Estado do Turismo, para o qual a autarquia alegadamente não foi convidada, situação que Álvaro Amaro disse lamentar "profundamente".

"Lamento profundamente só hoje ter sabido da assinatura do contrato por um jornalista de uma rádio local e por notícias da Lusa. O lamento é por uma questão institucional, a senhora secretária de Estado do Turismo esteve no passado sábado na Guarda e nada disse, mas ao mesmo tempo sinto contentamento pela intensa luta que travei [pela recuperação do hotel], que valeu a pena", disse à agência Lusa Álvaro Amaro.

O autarca fez um historial da situação do Hotel de Turismo, lembrando que "em 2011, antes das eleições legislativas" e quando Álvaro Amaro "ainda nem sequer sonhava" vir a ser presidente da autarquia da Guarda - cargo que assumiu em 2013 - o então Governo socialista "pagou 3,4 milhões de euros para comprar o hotel à Câmara, fechá-lo e despedir 30 pessoas".

"Foi uma tragédia económica", argumentou Álvaro Amaro, que relaciona esse momento com a assinatura, hoje, do contrato de concessão em Lisboa para acusar o Governo de não ter tido "coragem política" de o fazer na Guarda, a exemplo dos últimos dois contratos do programa Revive "assinados, e bem, em Elvas e nas Caldas da Rainha".

"O Governo teve vergonha da tragédia que causou à economia da Guarda", enfatizou.

A partir de 2014, Álvaro Amaro disse ter desenvolvido uma "luta intensa" para "devolver" o Hotel de Turismo á Guarda, primeiro na vigência do governo de coligação PSD/CDS-PP, em que foram feitas duas tentativas, uma venda "que ficou deserta" e um arrendamento com opção de compra que chegou a possuir "dois interessados" mas acabou por não se concretizar.

Com o atual Governo em funções e já depois da autarquia ter "exigido" uma nova avaliação do emblemático edifício - projetado em 1940 e concluído em 1958, durante o Estado Novo - o valor daquele património "baixou para 1,5 milhões" de euros.

"O Estado perdeu logo dois milhões de euros, isto é uma vergonha nacional", acusou Álvaro Amaro.

Apesar de lamentar ter sido excluído da assinatura do contrato, o autarca manifestou-se "muito contente" com a solução encontrada "que permite devolver o Hotel de Turismo à economia da Guarda e è economia nacional".

De acordo com a informação da secretaria de Estado do Turismo, a concessão é feita por 50 anos, no âmbito do programa Revive, e estima-se que o investimento total para a recuperação do edificado seja de cerca de sete milhões de euros.

"O consórcio compromete-se a construir uma unidade hoteleira neste imóvel que ocupe no mínimo 55% da área bruta de construção", estando previsto um "boutique hotel, de quatro estrelas, ligado ao tema da neve, com 50 quartos e com outras valências como spa (que estará acessível igualmente aos residentes no município) e restaurante", sublinha a nota de imprensa.

 

JLS // ARA

Lusa/Fim

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