26-05-2018 Política, Lusa, Batalha Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

PS/Congresso: Daniel Adrião desafia Costa a cumprir “palavra dada” com primárias abertas

Batalha, Leiria, 26 mai (Lusa) – O candidato derrotado nas últimas diretas do PS, Daniel Adrião, desafiou hoje António Costa a cumprir a “palavra dada” quanto à consagração da eleição do secretário-geral por primárias abertas a simpatizantes.

Na apresentação da moção “Reinventar Portugal” perante o 22.º Congresso do PS, que decorre na Batalha (Leiria), Daniel Adrião defendeu que “o PS é dos seus militantes” e que estes devem poder intervir quer na eleição do secretário-geral quer na escolha de candidatos a titulares de cargos políticos.

“A atual liderança do PS não pode decidir passar ao lado da história e, depois de se ter comprometido com primárias abertas aos simpatizantes e de o secretário-geral ter empenhado a sua palavra, não pode mais recuar cedendo a um aparelho partidário que cada vez mais se confunde com o aparelho do Estado”, avisou.

Daniel Adrião deixou um desafio direto ao secretário-geral do PS, que cumprimentou antes de iniciar a sua intervenção: “Caro António Costa, espero que a tua palavra dada não seja uma palavra não honrada”.

O único candidato alternativo a Costa nas últimas diretas defendeu que, cada vez mais, “se impõe uma separação das águas entre partido e Estado e partido e Governo”, dizendo discordar da inclusão, após este Congresso, de mais ministros e secretários de Estado no Secretariado e na Comissão Permanente.

Daniel Adrião desvalorizou a discussão de saber se o PS se deve situar mais à esquerda ou à direita e defendeu que “não há caminhos interditos em democracia”.

O dirigente socialista de Alcobaça deixou alguns ‘recados’ sem destinatário explícito, lamentando que outros que discordam de António Costa, “alimentados por egos taticistas sequiosos de protagonismo mediático”, não tenham ido também a votos nem intervenham nos órgãos do partido.

“Não aceito o jogo tático de redução das moções globais a moções setoriais apenas para fugir ao julgamento dos militantes e ao incómodo de ir a votos”, afirmou, desta vez numa crítica aparente ao secretário de Estado Pedro Nuno Santos, que apresentou uma moção setorial de cariz marcadamente ideológico, de defesa de opção pela governação à esquerda.

Daniel Adrião defendeu que “o PS não tem donos, nem autuais nem futuros, muito menos vencedores antecipados ou predestinados”.

Na sua moção, defende eleições primárias para a eleição de todos os titulares de cargos políticos, o reforço da exclusividade de deputados e a separação de funções entre primeiro-ministro e secretário-geral.

“Temos um primeiro-ministro 100% dedicado ao país e gostaríamos de ter um secretário-geral completamente dedicado ao partido”, afirmou, defendendo, por essa razão, a extinção do cargo de secretário-geral adjunto.

Daniel Adrião, que elegeu 35 delegados ao Congresso e que obteve 4% dos votos nas eleições diretas para o cargo de secretário-geral, falou quase o dobro dos 10 minutos previstos para a apresentação da sua moção, o que levou a vários avisos do presidente do PS, Carlos César, que prometeu um controlo férreo dos tempos.

 

SMA // JPS

Lusa/fim

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