05-07-2018 Cultura, Economia, Sociedade, Educação, Política, Lusa Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

REPORTAGEM: Centenas de pessoas trilharam rumos da inovação social numa aldeia da Serra da Lousã

Lousã, Coimbra, 05 jul (Lusa) – Uma aldeia da Serra da Lousã juntou durante dois dias centenas de pessoas que buscam na inovação social respostas para os desafios emergentes da sociedade, designadamente em territórios do Interior que não têm parado de perder população.

No lugar da Cerdeira, que integra a rede turística Aldeias do Xisto, a agência Lusa ouviu empreendedores, autarcas, dirigentes associativos, académicos e outros participantes da iniciativa Aldeia da Inovação Social, cujos trabalhos terminam hoje, que convergiram na necessidade de prosseguir a reflexão e a troca de experiências com um objetivo comum.

“Esta é uma excelente ideia. De outra forma, se calhar os bons resultados não surgiriam tão rapidamente”, disse Verónica Milagres, diretora da Rádio Miúdos.

Com sede no Bombarral, o projeto radiofónico que regularmente envolve 40 crianças é uma das iniciativas apoiadas no âmbito do Portugal Inovação Social (PIS), liderado pelo docente universitário Filipe Almeida, e que tem a Fundação Calouste Gulbenkian como investidor social.

O encontro da Cerdeira “é uma forma de fazer as coisas com rigor, mas não espartilhada”, declarou Verónica Milagres, realçando que “um ambiente descontraído pode potenciar outros projetos” nesta área.

A Aldeia da Inovação Social deverá ter outras edições no futuro, noutros locais, sempre com o objetivo de “contribuir para o reforço do espírito de comunidade dos intervenientes”, afirmou à Lusa o presidente da PIS.

Filipe Almeida salientou a importância de incrementar “relações de proximidade” entre organizações e “ajudar a criar este ecossistema” da inovação social.

O encontro, cujos debates e apresentações decorreram ao ar livre, junto à capela, pode contribuir “para a afirmação da Cerdeira como aldeia ligada a projetos inovadores, à reflexão, arte e criatividade”, referiu José Serra, coordenador do projeto Cerdeira – Home for Creativity.

Importa que o antigo lugar agropastoril da Serra da Lousã, que perdeu os derradeiros moradores autóctones em finais do século XX, continue a apostar em projetos “que sigam determinados valores, como a sustentabilidade ecológica e o respeito pelos vizinhos”, defendeu.

O empresário frisou que a escolha da Cerdeira para realizar a primeira Aldeia da Inovação Social “traz visibilidade” aos empreendimentos locais e ajuda a dinamizar a economia da Lousã, no distrito de Coimbra, e concelhos vizinhos.

Alunos de doutoramento na área das Ciências da Informação na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, os brasileiros Maria de Lourdes Carvalho e Paulo Sérgio Araújo acompanharam os trabalhos, na quarta-feira e hoje.

Em Goiânia, onde vive, Maria de Lourdes conhece bem a Aldeia do Vale, um dos condomínios fechados mais luxuosos da cidade.

“Vinha à espera de uma coisa diferente, mais formal”, admitiu a investigadora, que no primeiro dia demandou a Cerdeira com indumentária mais a condizer com a outra “aldeia”, a 209 quilómetros de Brasília.

O encontro constitui “uma oportunidade de mostrar” o que está a ser feito em Portugal no domínio da inovação social, matéria que “casa muito bem com a proposta de doutoramento” sobre fluxos de informação, acrescentou.

Paulo Sérgio corrobora a opinião da colega doutoranda: “interessa-me muito saber que oportunidades o Governo português dá à população para fomentar a inovação”.

“Levo daqui algumas ideias”, disse à Lusa o professor universitário, que está a desenvolver no Brasil “um projeto voltado para a inclusão social”, uma plataforma digital para gestão de informação da educação especial.

Por sua vez, o presidente da Câmara da Lousã, Luís Antunes, deseja que a Aldeia da Inovação Social, que envolveu centenas de participantes, tenha reforçado “esta perspetiva de dar respostas inovadoras aos novos desafios” da sociedade.

É necessário “responder de forma mais eficaz às necessidades da população”, especialmente no Interior do país, disse o autarca do PS.

O social-democrata Paulo Fernandes, presidente da Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto (ADXTUR), tem uma opinião idêntica.

Com sede no Fundão, distrito de Castelo Branco, a rede Aldeias do Xisto “é ela própria um projeto colaborativo de inovação social", envolvendo 27 lugares de diferentes municípios da região Centro.

“A escolha da Cerdeira é a demonstração cabal de que, com os instrumentos certos, não há territórios condenados ao fracasso”, concluiu o também presidente da Câmara do Fundão.

 

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Lusa/Fim

Fonte: VIP - Oeste Global - Jornal Oeste Online / Lusa - © Direitos Reservados (conteúdo exclusivo protegido por contrato)
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