15-12-2018 Cultura, Lusa, Óbidos Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Quadro de Josefa comprado por colecionador anónimo pode ser exposto em Óbidos

Óbidos, Leiria, 15 dez (Lusa) – O quadro de Josefa de Óbidos adquirido hoje por um licitador anónimo, em Barcelona, poderá ficar exposto em Óbidos, divulgou hoje a câmara após conversações com o colecionador português.

“Há a possibilidade de se avançar com um depósito, em conversação com o colecionador, e de o quadro figurar numa exposição permanente ou temporária no Museu Municipal de Óbidos”, disse à Lusa o presidente da câmara de Óbidos, Humberto Marques.

O quadro, que se supõe ser o oitavo do tema “O Menino Jesus Romeiro” (ou Peregrino), pintado por Josefa de Óbidos (1630-1684), foi hoje leiloado pela Lamas Bolaño Subastas, em Barcelona, Espanha, e adquirido por um licitador anónimo pelo valor de 110 mil euros.

A câmara de Óbidos divulgou na sexta-feira que iria participar no leilão e que iria “fazer tudo o que estivesse ao alcance do município para o quadro 'Menino Jesus Peregrino' ficar no país.

A autarquia encetou ainda contactos com parceiros e mecenas no sentido de poderem comparticipar a compra da obra “caso as licitações excedessem o teto máximo” definido pelo executivo.

Porém, as licitações acabaram por exceder também os valores disponibilizados pelos mecenas já que “em quatro minutos o quadro [cuja licitação base foi 15 mil euros] passou dos 25 mil para os 110 mil euros”, disse Humberto Marques.

Ainda assim, “apesar de não ter conseguido adquirir a obra” ao autarca considera cumprido “um segundo objetivo, que era trazer o quadro para Portugal”, estando agora “em conversações com o proprietário para que a obra possa ser apreciada em Óbidos.

A obra, um óleo sobre tela, que nunca esteve nem nunca foi exposta em Portugal, foi avaliada e autenticada por Joaquim Oliveira Caetano, conservador de pintura do Museu Nacional de Arte Antiga.

Era, segundo a câmara, “absolutamente desconhecida” e “de muito interesse para o património museológico nacional, na estratégia de salvaguarda do património português”, o que levou a autarquia a ter tentado, “junto do Ministério da Cultura, sensibilizar para a importância desta obra ficar em Portugal”.

Fonte do gabinete da Secretária de Estado da Estado da Cultura, Ângela Ferreira, disse na sexta-feira à Lusa que “não era possível ao ministério dar, em tempo útil, os passos para a licitação do quadro”.

O pedido para a compra do quadro “só chegou no dia 12 [quarta-feira] e há procedimentos legais com vista à aquisição de obras de arte que não podiam ser cumpridos num prazo tão apertado”, sublinhou.

Sem o apoio do Ministério da Cultura para a aquisição do quadro, a autarquia lançou “um apelo a todos os mecenas interessados em ajudar na aquisição da obra” e a Santa casa da Misericórdia de Óbidos abriu uma conta bancária onde poderiam ser feitas contribuições.

O valor dos depósitos “ainda não foi completamente apurado”, mas, assegurou Humberto Marques, “uma vez que a câmara não conseguiu comprar o quadro todas as verbas vão ser devolvidas aos depositantes”.

Do tema “O Menino Jesus Romeiro” (ou Peregrino) existem sete versões, como se vê no catálogo das exposições “Josefa de Óbidos e o tempo barroco” (IPPC, 1991) e “Josefa de Óbidos e a invenção do Barroco” (MNAA, 2015), que teve em Joaquim Oliveira Caetano, antigo diretor do Museu de Évora, um dos comissários.

A pintora Josefa de Ayala Figueira - mais conhecida por Josefa de Óbidos, onde viveu - nasceu em 1630, em Sevilha, Espanha, e faleceu em 1684, em Óbidos, Portugal, com 54 anos.

 

DYA // JPS

Lusa/Fim

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